Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Tem de haver dinheiro para servir os Palancas

22 de Abril, 2019
Na suculenta entrevista, que este jornal dá hoje à estampa, nas páginas seis e sete, Oliveira Gonçalves, que foi o primeiro treinador a colocar Angola nos quartos-de-final de um CAN, concretamente, em 2008 no Ghana, disse uma grande verdade para evitar que os Palancas Negras tenham insucesso no CAN, que entre Junho e Julho próximos vai decorrer no Cairo, Egipto de 21 de Junho a 19 de Julho: " Se não nos organizarmos, não chegaremos aos oitavos-de-final ".
Eu retive este aviso e então pensei logo na notícia de sexta-feira passada, do Jornal de Angola, em que se deu a " boa nova " de que a Federação Angolana de Futebol (FAF) vai anunciar, na semana que começou ontem, domingo, todo o programa de preparação dos Palancas Negras, visando a participação na fase final do CAN do Egipto.
Emergiu em mim, de imediato, uma questão lógica: já há dinheiro disponível e suficiente, para suportar toda a preparação dentro e fora do país, no sentido de, efectivamente, os Palancas Negras terem uma preparação como mandam as regras e, assim, chegarem aos oitavos-de-final e seguirem em frente?
Devido a esta mesma inquietação - que acredito não ser só minha, mas, também, de todos os que têm Angola e os Palancas Negras no coração - lembrei o dia em que o presidente da FAF, Artur Almeida, falou das suas incansáveis tentativas de " bate-portas ", junto de entidades públicas e privadas, com o fito de conseguir dinheiro. Não sei ainda, porque depois não disse, se surtiram efeitos.
O que simplesmente já foi avançado é que, faça sol ou faça chuva, a preparação dos Palancas Negras começa a 1 de Junho próximo, depois de o seleccionador nacional, Srdjan Vasiljevic, convocar os 23 jogadores. Mesmo assim, fico por saber se, este anúncio, traduz a ideia de que tudo o que vier a ser programado nesta semana tem já ou não suporte financeiro em dia.
Toquei nesta questão, porque dinheiro para a selecção é um bico d´obra, que não é de hoje. Qualquer programa depende, efectivamente, de disponibilidade financeira.
Dito de outro modo, qualquer empreitada que se preze, além da vontade humana, além da determinação e disponibilidade ao trabalho, carece sempre de um factor fundamental, senão mesmo essencial. O dinheiro!
Tenho lembrado, e faço-o outra vez aqui. Quando o actual executivo da FAF apresentou o seu programa, e os patamares a que se propôs lograr com os Palancas Negras, deu a ver uma previsão financeira, sem a qual não poderia materializar todas as acções.
Mas, na verdade, até ao momento, o Ministério da Juventude e Desportos parece que não disponibilizou ainda - como disponibilizava no bom tempo - os anuais nove milhões de dólares, em moeda nacional, para os compromissos dos Palancas Negras.
Desejo então, desta tribuna, que as dificuldades financeiras da federação não venham a reflectir-se no que se espera dos treinos, das viagens, do pagamento de prémios, dos ordenados dos funcionários e da equipa técnica dos Palancas Negras. Uma deslocação para a África do Sul fica em cerca de duzentos mil dólares. Até 1 de Junho, oxalá esteja disponível. Nada pode atrapalhar a preparação.
Certa vez, o presidente de direcção da FAF, Artur Almeida, já chegou a considerar que é pouca a quantia de 25 milhões de kwanzas que o Governo, através do Ministério da Juventude e Desportos, cedia para cobrir as despesa da selecção.
Chegou a afirmar que, a seu ver, a FAF deve ser contemplada, no mínimo, com 550 milhões de kwanzas. Frisou que, por exemplo, o seu órgão, há um ano, só recebeu 100 milhões, o que foi reduzido para cobrir as despesas.
Artur Almeida revelou que depende muito também dos patrocinadores. A verdade, porém, é que estes reduziram as suas ofertas, em função da crise económica que afecta o país. Da operadora de televisão ZAP, patrocinadora oficial do Girabola, a FAF viu o ano passado só disponibilizados 140 milhões de kwanzas, mas recebeu apenas 60 porcento. Este ano a irregularidade mantém-se.
Portanto, por este conjunto de situações, é de admitir, honestamente, que a FAF não pode enfrentar dificuldades que impeçam o melhor para os Palancas Negras, que lograram, para a alegria de todos nós, angolanos, e não só, a marcar presença na fase final do CAN de 2019, no Egipto. António Félix

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