Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Temos de melhorar para... convencer !

28 de Novembro, 2017
Ponto Prévio: eu acho que se o senhor Pina Cabral estivesse ainda vivo estaria muitíssimo rejubilado; muito orgulhoso mesmo, pelo facto de Angola ser hoje, a nível do basquetebol, uma potência da bola ao cesto em África, porque, digamos, a \"semente\" que ele laçou em 1930 surtiu muitos efeitos.
Deixa-me só recordar - porque há muitos dirigentes, treinadores, atletas e adeptos alheios - foi um oficial do exército português e professor de Educação Física do Liceu Central Salvador Correia ( Hoje Muto ya Kevela), que organizou a primeira partida de exibição de basquetebol em Angola por ocasião do 10º aniversário do Sporting Clube de Luanda, com cuja equipa, a Associação Académica do Liceu Central Salvador Correia, disputou precisamente o torneio denominado \"Pina Cabral\".
De 1975, altura em que o país ascendeu à independência nacional até aos dias de hoje muitos títulos foram conquistados pelo basquetebol angolano a nível de selecções e clubes e, individualmente, muitos jogadores angolanos lograram títulos de mais valiosos (MVP).
Mas neste momento a verdade é indesmentível: nos últimos anos Angola tem registados resultados sofríveis, tem ganho à ferro e fogo e isto ficou evidente agora, vencendo em números, mas não convencendo no \"jogo jogado\", na táctica colectiva, na qualidade individual.
Angola, a jogar em casa, terminou no topo, os jogadores fizeram das tripas coração, os adeptos empurraram, mas quem sempre viveu de perto as vitórias ou derrotas das várias selecções e, logicamente, o despontar de atletas, jogadores sabe que Angola tem de voltar a trabalhar melhor o seu basquetebol para a recuperação do prestigio e temor com que imperou até há quatro anos em África.
Por esta razão e pelo que mais uma vez assisti agora, em Luanda, pactuo da ideia dos que sustentam o seguinte: o que tem falhado na nossa selecção é a \"desangolanização\" do comando, dos métodos e dos sistemas; porque há uma diferença entre criar algo de raiz, pois os angolanos, pelas características antropométricas, têm um basquetebol característico, mas os treinadores que vêm de fora entendem que não se podem submeter a tal. E vai daí que o inverso descaracteriza a forma dos angolanos jogarem.
Foi com a sua peculiar forma de jogar que Angola entrou em grande para a história do basquetebol africano, por via do primeiro título africano júnior em 1983 em Maputo (Moçambique), naquela \"obra\" que abriu as portas para a maior parte dos jogadores da geração que depois em 1989 conquistou em Luanda o título sénior, e a partir de então, não mais parar no domínio continental.
Se os clubes angolanos continuarem a apostar em posições chaves em jogadores não nacionais a selecção vai \"pagar\". E mesmo pálida prestação dos jogadores mais experientes que jogaram agora em Luanda já levanta a questão da aposta numa nova geração de jogadores com modelos de jogar próprios da nossa terra, de que o professor Victorino Cumha e outros técnicos nacionais vêm defendendo o resgate.
Isto de facto deve acontecer nos clubes e aplicado nas competições internacionais com eficácia. Também acho que a preparação não foi a ideal, na medida em que houve muitos contra-tempos: o técnico teve pouco tempo para conhecer os jogadores. E vamos esperar mais uma vez as explicações da Federação Angolana de Basquetebol, porque só ela saberá dizer concretamente o que se passou.
Muito sinceramente o único jogo em que tentamos nos aproximar da nossa filosofia foi diante da RDC. Estivemos perto da nossa matriz, mas, mais por detalhes individuais em certos períodos. Nos outros desafios falhamos em tudo.
Nunca mais tinha visto Angola com tantos \"turn-overs\" (retornos). Julgo que esses números estatísticos devem servir para analisar a prestação angolana, rumo à China. Vimos uma selecção sem soluções ofensivas e pior do que isso houve muita permissividade na defesa. Ficar mais de sete minutos sem marcar é sofrível. Espero que estes erros sirvam de lição para futuros compromissos...como a ida à China, em 2019, se, claro... houver apuramento!
ANTÓNIO FELIX

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