Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Terminou a festa

17 de Julho, 2018
Terminou a festa do futebol. Os estádios, palcos de forte algazarra nas últimas semanas, ficaram entregues à própria sorte. O silêncio toma conta deles, porque está o cenário desmontado. As cidades-sede, também retomam o seu ambiente de costume, sem mais a demanda de turistas, que procuraram estar próximos das suas equipas para tributá-las o calor necessário.
Rússia\'2018 já é algo que passou a constar da História. Nos próximos tempos, quando por alguma razão profissional, nos acharmos na contingência de debitar algumas linhas sobre campeonatos do mundo, sobre campeões mundiais ou algo relacionado, será incontornável a referência a esta edição, que encerrou domingo com a consagração da selecção francesa.
Para trás ficam, certamente, dias memoráveis e marcantes. De boa lembrança para uns, de triste para outros, porque apesar do futebol ser uma festa, muitos foram aqueles que deixaram a Rússia desiludidos, tão só porque passaram ao largo das suas ambições competitivas, não cumprindo sequer, à metade, os objectivos inicialmente definidos.
Aliás, este revelou-se um campeonato de muitas surpresas, em que selecções renomadas soçobraram à partida, como foi à guisa de exemplo, o caso da Alemanha, que chegou ao certame rotulada como campeã em título, o caso da Espanha e de outras selecções que se revelaram incapazes de honrar o seu nome e prestígio. Umas fracassaram mais cedo, outras um pouco mais à frente.
Mas todas estas imprevisões, vistas as coisas numa perspectiva mais realística, terão servido apenas para mostrar ao mundo, que o futebol vem conhecendo uma grande evolução, sendo que hoje o domínio já não se resume a B ou C. Deixaram de existir os chamados jogos fáceis, em que um chega e bate no adversário a seu \"bel prazer\". Isto acabou.
No campeonato da Rússia, logo no desfecho das primeiras duas jornadas da fase de grupos, ficou evidenciada a determinação das equipas na conquista de pontos, que concorressem à sua qualificação à fase seguinte, tal era, pois, a ousadia das mesmas, de tal sorte que podem ser contabilizadas as selecções, que não foram para a terceira jornada suspensas por um fio.
Foi bom, porque no essencial é esta particularidade que confere interesse e graça a qualquer torneio. De resto, vencer jogos com facilidade pode agradar às equipas em confronto, sobretudo aquela que sai vitoriosa, mas nunca ao público assistente. A este, agradam mesmo os jogos disputados ao limite, em que o vencedor sai a suar às estopinhas.
Mas, se nas quatro linhas do rectângulo de jogo, as hostilidades terminaram, nos bastidores ainda joga-se à brava. Chegam de vários pontos, os relatos das reacções da prova, da forma como estão as equipas a serem recebidas nos respectivos países. Da renovações e rescisões de contratos com técnico ou jogadores etc, etc.
A selecção campeã foi ontem recebida em meio de uma festa sem comparação, um tributo de que são merecedores os todos campeões, pela bravura e estoicismo, que acabaram determinantes na conquista. Houve, inclusive, arruaça à mistura nas cidades francesas, que resultou na detenção de cerca de 300 cidadãos e ferimento a 45 agentes da Polícia.
Em Bruxelas a selecção belga teve domingo, à chegada, um dia cheio, com recepções atrás de outras, numa valorização do terceiro lugar alcançado, o melhor da sua história. O rei e a rainha abriram as portas dos seus aposentos à caravana acabada desembarcar, gesto seguido pelo prefeito da cidade. Os jogadores foram aclamados com direito a recepção, regada com champanhe.
Não se esgotam por aqui os relatos sobre o campeonato. Por mais uma semana os noticiários vão ser dominados pelo Chek Up do campeonato, em que o França foi o senhor absoluto, apesar de ser quase uma obrigação dar também mérito à Croácia, que mesmo não tendo ganho acabou sempre por fazer história na Rússia.
Matias Adriano

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