Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinião

Teste difícil para os palanquinhas

18 de Maio, 2017
A Selecção Nacional de Sub-17 pode ficar, hoje, mais próxima ou mais distante das meias-finais do Campeonato Africano das Nações (CAN) da categoria, que decorre no Gabão. Depois do empate, saboroso, diga-se, na ronda inaugural, diante do Níger, o combinado nacional defronta logo mais a sua congénere da Tanzânia, que também dividiu pontos na primeira jornada, desta diante do Mali.

Antes de entrar propriamente naquilo que poderá ser o jogo de logo mais, quero primeiro enaltecer o saboroso empate diante do Níger. Saboroso porque a equipa nacional teve arte e engenho para chegar ao empate, depois de estar em desvantagem (0-2) durante cerca de 69 minutos.

No espaço de 21 minutos marcou dois golos (89 e 90) e logrou o precioso empate. Um resultado positivo em função do verificado no outro jogo do grupo, onde o Mali e a Tanzânia não foram para além do 0-0. Significa que as quatro equipas partem em igualdade de circunstâncias para a jornada que se disputa hoje.

Vendo bem, o empate diante do Níger acaba por surpreender muita gente, em função das péssimas condições que marcaram a preparação do combinado nacional. O clima de insatisfação marcou toda a sua preparação, ante a passividade da Federação Angolana de Futebol. “Os nossos adversários estão a estagiar com equipas nacionais experimentadas. Desta maneira, vão criar um grau de dificuldades, porque não tivemos a mesma oportunidade de experimentar a nossa equipa ao mais alto nível”, disse o técnico do “onze” nacional, Languinha Simão, horas antes do embarque para o local da competição.

Compreendo a situação financeira com que se debate o actual elenco federativo. Contudo, poderíamos fazer alguns jogos amigáveis com selecções vizinhas, como a África do Sul, Namíbia, Moçambique, dentre outras, cujos custos não seriam elevados.

O Níger, por exemplo, com quem Angola jogou na passada segunda-feira, realizou uma série de amigáveis, com selecções vizinhas, segundo o seu treinador, numa entrevista aos enviados especiais da Rádio 5.

Apesar de toda esta problemática, Languinha Simão garante que o espírito patriótico vai falar mais alto.

“Temos apelado aos nossos jogadores o espírito de patriotismo. É sempre com elevada honra representar o país. Estamos a preparar o grupo mentalmente para dar uma resposta positiva na competição”, disse o técnico.

E foi precisamente este espírito de patriotismo que se fez presente no jogo contra o Níger. A perder por 0-2, o combinado nacional fez das tripas coração para chegar ao empate e manter as esperanças de alcançar o passaporte para as meias-finais.

No actual elenco federativo existem pessoas capacitadas, que conhecem perfeitamente qual o ambiente que deve nortear a preparação de uma selecção nacional, em vésperas de uma competição continental. E por aquilo que me apercebi, dá a entender que os Sub-17 foram sempre relegados para segundo plano. Talvez por ter no seu comando um técnico angolano. Sei que vou ser crucificado. Não faz mal. Já estou habituado.

Mas vamos aos factos. A selecção viajou para o Gabão num ambiente de clara insatisfação. Para além da falta de um estágio pré-competitivo, a equipa técnica não recebe salários há 15 meses; os jogadores e a equipa técnica esperam até hoje pelo prémio de qualificação. Todos estes dados foram publicados na edição do dia 10 de Maio no Jornal de Angola, com assinatura de António Cristóvão.

Há outros factos. Durante a fase de preparação, havia descriminação nos transportes. O autocarro do departamento técnico das selecções nacionais privilegiava os jogadores do Real Sambila, equipa adstrita ao vice-presidente para as selecções nacionais, Adão Costa. Os convocados do 1º de Agosto eram levados para casa pelo transporte do clube. Os demais tinham de se virar. Isto é ou não descriminação?

Pergunto: o alemão Igor Lazic, o escolhido pela FAF, em detrimento de um técnico nacional, para orientar a selecção de Sub-20, que vai disputar o Torneio de Toulon, aceitaria ficar tantos meses sem salário? Beto Bianchi, o “patriota” que assumiu o comando técnico dos Palancas Negras ficou algum mês sem receber o seu bónus (é bem gordo)?

Como se não bastasse nenhum peso pesado da FAF acompanhou a delegação. Veremos quem vai ao Torneio de Toulon. Mas falando do jogo de mais logo, espero que os nossos “miúdos” não cometam os mesmos erros verificados diante do Níger. É bem verdade que por muitas análises que se façam, ou muita fé que todos os angolanos tenham, o resultado, esse, só se saberá após o apito final do árbitro.

Uma vitória angolana coloca-os mais próximos das meias-finais. O mesmo pode acontecer com a Tanzânia, que soma igualmente um ponto. Mas uma coisa é certa: vai ser um jogo eléctrico, onde nenhuma equipa quererá perder, sob pena de começarem a arrumar as malas para o regresso antecipado a procedência.
POLICARPO DA ROSA

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