Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Todos ansiosos pelo sorteio

11 de Abril, 2019
À hora em que lê, véspera do sorteio do CAN do Egipto, a exaltação é para a nossa reaparição, nas vestes dos Palancas Negras. Conseguimos. Sim, conseguimos refazer uma equipa, uma manta de retalhos, saídos quase incólumes da fase atribulada que marcou 2016-2017, para as selecções nacionais, no geral.
Compelidos a entrar no último CHAN, o ano passado no Marrocos, fizemo-lo sem a mais pequena ideia de qual seria o resultado. O seleccionador encontrado havia chegado a Angola para dirigir os Sub-20, quando lhe mudaram o destino para a selecção doméstica, que entra nos CHAN.
Se a FAF tinha ambições de relançar o futebol das selecções, tendo-se aplicado mais em competir na COSAFA, então, o CHAN seria a prenda. Sucede que o clube com mais jogadores queridos, Primeiro de Agosto, rivalizava com a selecção em calendário, alegadamente, pois o clube militar estava também a querer os mesmos jogadores para preparar a Liga dos Campeões.
Como há males que chegam por bem, a FAF foi forçada a baralhar e voltar a dar, tendo descoberta mais do que era suposta haver, e o CHAN foi como se viu, uma façanha que nos levou novamente além da fase de grupos, e para uma equipa em reconstrução e com um técnico que apenas herdou a convocação que lhe haviam dito ser a que habitualmente se fazia, aceitou as cartas dadas pelos seus predecessores.
O ‘casting’(escolha) dos talentos era invariavelmente o mesmo, seleccionador após seleccionador, num decalque aparente das convocatórias, sem evidenciar um ‘scouting’(observação) conseguido, cada vez que não aparecessem novidades. Hoje e graças a um investimento pessoal, o seleccionador, Srdjan Vasiljevic, após o CHAN, percebeu que jogava aqui uma cartada alta, que o colocava na vitrina e, para quem quer começar uma carreira que conta com um posto de treinador adjunto numa selecção sub-20 campeão do Mundo, a Sérvia, tenha que assegurar os seus créditos, agora em África.
E assim o CHAN foi o recomeço promissor para todos. Com a chegada à equipa técnica de Alexander, um especialista do futebol com o computador, cheio de recursos e acessos conseguidos mediante networking (actividade em rede com outros técnicos e ‘scouters’), ‘software’ de ‘scouting’, e certamente umas quantas amizades no mundo do futebol, foi possível desembaciar o vidro, ver lá para fora, e partir à descoberta de muita informação que tem sido vital.
Hoje a equipa técnica dos “Palancas Negras” segue de perto, não só os angolanos que evoluem já pelos PN, como outros ainda em prospecção, mas também, seguem os nossos adversários e dispõem, de antemão, bastante informação vital para preparar jogos e não se deixarem surpreender pelo adversário, no jogo do gato-e-rato.
Não foi tudo maravilhoso, mas, há dois anos atrás, ninguém sonharia termos equipa para Angola terminar líder do grupo, o que poderia ser igualmente o caso de um apuramento ao Mundial. Com um balanço conseguido acima da média, e que não se havia logrado até há pouco tempo, apenas em 2008 (no Gana), com Oliveira Gonçalves; e em 2010 (em Angola), com Manuel José, quando em ambas as ocasiões havíamos passado da fase de grupos, mas caídos em ¼ final. Pelo meio, em 2011, no Sudão, os “Palancas Negras-B” chegaram à final do CHAN, com Lito Vidigal, consentindo a única derrota, à Tunísia (0-3). No Ranking e no Elo do ranking da FIFA, que desde a Copa da Rússia são duas cotações distintas, feitas as contas, Angola aparece hoje cotada em 122. lugar (4 de Abril de 2019).
A posição mais alta de sempre no ranking FIFA, 45. lugar, data de Julho de 2000. E a nossa pior posição foi o 147. lugar (Março de 2017), data que precedeu a entrada em cena de mais uma equipa técnica de sérvios, chegada ao futebol de Angola.
Desta forma, entre 2017 e 2019, Angola evoluiu 24 posições no Elo ranking FIFA. Nesse ínterim, foi refeita uma base para o combinado nacional, que havia ficado destroçada. Aos novos jogadores que se revelaram nos clubes em competição doméstica, juntaram-se outros de fora, mas com origens angolanas, que aos poucos foram sendo encorajados a juntar-se-nos e elevarmos a nossa força, o que de facto ficou comprovado como tendo sido conseguido.
No Elo ranking, saídos da posição 160, à data de Setembro de 2016, Angola subiu 40 posições, até Março último. A diferença entre o Ranking e o Elo ranking da FIFA é real, sendo esta última vista como mais realista e menos subjectiva.
Se você acompanhou o futebol internacional por algum tempo, provavelmente conhece o sistema de classificação mundial da FIFA. Esta lista, calculada e mantida pela FIFA, tenta determinar quantitativamente quais as equipas que são as melhores do mundo. Desde o seu surgimento em Dezembro de 1992, a hierarquia do futebol mundial passou por várias mudanças dramáticas de posições desde então.
A última mudança ocorreu após a Copa do Mundo, com um método de cálculo completamente novo baseado na fórmula Elo, também usada pelo “World Football Elo Ratings”(agência de rating ou classificação), num sistema de classificação concorrente ao Ranking FIFA, que muitos realmente preferem.
Primeiro, como exactamente a FIFA calcula os seus rankings? Existe um método para eles, cuja fórmula central é: pontos de classificação = pontos de resultado x status de jogo x força de oposição x força regional.
Como descodificar isso? Os pontos de resultado referem-se a uma tabela simples de pontos, de zero a três, dependendo do resultado final. Zero por uma derrota sem uma disputa de penaltis, um por uma perda nos penaltis ou em um empate, dois por uma vitória aos penaltis, e três por uma vitória sem ser aos penaltis.
O ‘status’ (peso do cartaz) da partida é um pouco mais complicado. É um multiplicador com base no tipo de partida que for jogada, indo de 1x a 4x. Um amistoso regular tem um multiplicador 1x, uma eliminatória da Copa do Mundo ou da copa continental 2,5x, uma copa continental ou uma final da Copa das Confederações 3x (como no próprio torneio, não apenas na final) e uma final da Copa do Mundo 4x.
A Força de oposição é um multiplicador definido como (200 - posição de ranking do adversário) a dividir por 100. Bastante directa, com excepções quando a equipa principal é arredondada para 2x, em vez de 1,99x, e cada país classificado como 150º e abaixo, é definido em 0,5x.
Força regional é onde as coisas ficam um pouco estranhas. É aqui que entram as opiniões subjectivas da FIFA e são considerados todos os resultados da confederação que datarem da Copa do Mundo anterior. Estes são actualizados a cada quatro anos. Actualmente, a CONMEBOL lidera com 1x, a UEFA é a segunda com 0,99x, e todas as outras quatro regiões estão com 0,85x. O multiplicador de força regional é definido como a média dos multiplicadores regionais entre duas equipes. CONMEBOL vs. CONCACAF seria 0,925, por exemplo.
Depois, há o multiplicador do período de avaliação, usado para ponderar os pontos de classificação com base nessa fórmula anterior. Esta é outra tabela de multiplicadores, variando de 0,2x a 1x, com 0,2x para as correspondências de 36 a 48 meses atrás, 0,3x de 24 a 36 meses atrás, 0,5x de 12 a 24 meses atrás e 1x nos últimos 12 meses.
Esta fórmula tem sido criticada desde a sua criação e, apesar das inúmeras revisões, ainda não é tão imparcial quanto poderia ser. Com algo assim, seria possível usar observações puramente quantitativas sem decisões subjectivas para determinar uma lista de classificação? É aí que a classificação Elo entra.
As classificações Elo foram inicialmente criadas pelo físico Arpad Elo, tendo o jogo de xadrez como foco. A ideia, adoptada pelo futebol, é criar uma fórmula para classificações absolutas (ou seja, a força individual de um jogador) e classificações comparativas (ou seja, quanto melhor ou pior um jogador for, do que outro). Isto foi adoptado e adaptado para o futebol, fazendo algumas modificações na fórmula para incluir as variáveis necessárias que acompanham o futebol.
Entretanto, é chegada a hora do sorteio da CAF e ainda não há notícia oficial da composição dos potes, para o sorteio. Mas há um desmentido da confederação, actualmente em sessões do seu comité executivo. Na sequência de artigos publicados em alguns meios de comunicação sobre o procedimento de sorteio para o CAN Total 2019, a Confederação Africana de Futebol (CAF) lembra que o ‘site cafonline.com’ é a única comunicação oficial das competições da CAF. De acordo com os estatutos e regulamentos da CAF, o procedimento para o sorteio da AFCON Total, Egipto 2019, será submetido ao Comité Organizador da AFCON e aprovado pelo Comité Executivo.
Na mesma comunicação, pode-se ler que a CAF não é responsável pelas presunções publicadas ou por aparecerem na mídia. Um comunicado oficial será publicado no site da CAF assim que o procedimento for aprovado pelo Comité Executivo.
À margem do sorteio do CAN, amanhã no Cairo, os treinadores das equipas qualificadas têm estado a trocar ideias durante um workshop. Em particular, os técnicos puderam já familiarizar-se com as \"últimas directrizes de arbitragem\", de acordo com os participantes angolanos, nomeadamente o Vice-Presidente da federação para as selecções, Adão Costa, o seleccionador, Srdjan Vasiljevic, e o supervisor das selecções, Paulo Ribeiro.
Em relação ao árbitro de assistência em vídeo (VAR), muitas equipas esperam obter garantias sobre a sua aplicação durante a Copa Africana das Nações. \"O CAN é uma das maiores competições de futebol do mundo, vocês tem que usar o VAR. Já foi feito no CHAN 2018 e a África é um continente como qualquer outro neste campo\", defendem os participantes. No lado tecnológico, a CAF também explicou o uso futuro de rastreadores de GPS em jogadores envolvidos no torneio para medir seu desempenho e outros indicadores.
Acima de tudo, os técnicos puderam compartilhar as suas experiências, uns com os outros: \"Foi bom ouvir Gernot Rohr falar sobre a preparação da Nigéria para a Copa do Mundo de 2018\", diz-se nos bastidores. Todos os treinadores estão ansiosos pelo sorteio de sexta-feira no sopé das pirâmides e da Esfinge em Gizé, ao ar livre, sob um céu colorido de holofotes, estrelas e o desenho do mapa de jogos para encantar África e o mundo, em Junho e Julho próximos.

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