Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Todos para festa das multides

10 de Fevereiro, 2018
No meio de grande expectativa, emoção e algum delírio à mistura, arranca esta tarde, no país, o Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, uma prova que será jogada em dez das dezoito províncias do país. De fora ficam oito.
Agora com o cognome de Girabola Zap, a competição perde este ano o concurso do Atlético Sport Aviação (ASA) que até à época 2017 era, à par do 1º de Agosto, um dos totalistas.
A formação aviadora, que nos últimos anos enfrentou muitos problemas a nível da direcção do clube não resistiu à crítica situação financeira, que afectou grandemente à estrutura da equipa e acabando, daí, por cair de divisão à temporada passada.
A descida do conjunto foi \"considerada histórica\" por muitos críticos do desporto-rei. A queda do ASA para o escalão secundário do futebol nacional abriu, assim, o caminho, para o 1º de Agosto ser agora o único totalista do Campeonato Nacional da I Divisão.
E, porque não é com a morte de uma andorinha que termina a Primavera, a equipa do Aeroporto 4 de Fevereiro têm agora de refazer a sua máquina organizativa e tentar um novo rumo no nosso futebol. Nesse sentido o retorno ao Girabola é um imperativo.
De igual modo torna-se também um imperativo a postura mais ousada das equipas que vão lutar para o título desta edição do Campeonato Nacional da I Divisão.
Nesse sentido, 1º de Agosto e Petro de Luanda, os dois maiores emblemas do futebol em Angola, entram nas contas como os mais sérios candidatos.
Os dois conjuntos não defrontam os seus adversários da primeira jornada do Girabola Zap de 2018 nesse fim de semana, face ao seu engajamento nas Afrotaças. A turma do \"rio seco\" teria como oponente o Progresso do Sambizanga e a do \"eixo-viário\" defrontaria o Cuando Cubango FC, no \"baptismo\" deste na fina-flor do futebol nacional.
É importante lembrar que na prova mais importante da Confederação Africana de Futebol (CAF), os militares defrontam neste domingo, no Estádio Nacional 11 de Novembro, na capital do país, o FC Platinum do Zimbabwe.
Se se sair bem na \"fotografia\" na primeira eliminatória da Liga dos Clubes Campeões Africanos, o d\'Agosto, orientado agora pelo sérvio Zoran Maki, pode cruzar na próxima com o Bidvest Wits da África do Sul ou com o Pamplemousse SC das Ilhas Maurícias.
Já na Taça das Confedrações, que também é apelidada de \"Nelson Mandela\", os tricolores medem forças hoje, no mesmo estádio em que joga o 1º de Agosto amanhã, com o Master Security do Malawi.
Se conseguir transpor esta fase, tal como o 1º de Agosto, os tricolores podem, eventualmente, na segunda eliminatória jogar também com uma formação sul-africana, no caso o Supersport United, um habitué nas provas sob a égide da CAF.
Mas voltando a transcorrer no leito daquilo que pode ser o nosso Girabola de 2018, particularmente na questão concernente à luta pelo título, há outros candidatos além do 1º de Agosto e Petro, que coleccionam onze e quinze títulos, respectivamente.
Recreativo do Libolo do Cuanza Sul, quatro vezes campeão nacional, Sagrada Esperança da Lunda, que foi a grande revelação do Girabola Zap passado e que também já tem um troféu na sua galeria, a par do Interclube, com dois, são também candidatos.
Neste restrito grupo de candidatos à conquista da prova, pode-se, ainda, juntar o Kabuscorp do Palanca, do carismático Bento dos Santos Kangamba, que vai tentar repetir a proeza de 2013, ano em que conquistou o único título do seu historial na prova.
No meio das conjecturas que se fazem do campeonato, não se pode pôr de parte equipas como o Progresso, 1º de Maio, Académica do Lobito, FC Bravos dos Maquis do Moxico, JGM do Huambo e o Recreativo da Caála, que têm ambições mais modestas.
Os \"regressados\" Sporting de Cabinda e Domant FC do Bengo, bem como o estreante Cuando Cubango FC, também terão os seus objectivos devidamente traçados e que não devem fugir da perspectiva de assegurar a permanência na fina-flor do futebol nacional.
Os Leões do Norte, treinados por Emena Kwazambi, prepararam a época com um grupo animado para este regresso ao agora denominado Girabola Zap.
À sua semelhança, a formação do Bula Atumba, que tem no seu comando técnico o angolano Francisco André “Kito”, também teve uma pré-temporada cuidada para evitar os recorrentes \"sob/deixe\" na prova.
Quanto à estreante equipa das \"Terras do Progresso\" espera-se, também, que faça por merecer neste campeonato em que começa a disputar a partir de hoje a sua 40ª edição e onde a permanência deve ser imperativo traçado pela direcção do clube.
Porém, ter-se-á, ainda, na presente edição da maior prova do nosso \"association\" o grato prazer de se ver uma prova mais nacional, já que ao contrário do ano passado, em que tivemos nove províncias a marcar presença, neste ano junta-se mais uma.
De fora ficam o Uíje, que o ano passado viu o seu Santa Rita de Cássia a descer de divisão, a Lunda Sul, que testemunhou na mesma época a \"desqualificação administrativa\" do Progresso do Sambukila, bem como o Zaire, Malanje, Cuanza Norte, Lunda Sul, Bié, Cunene e Namibe. Luanda, com cinco equipas, continua a ser a província mais respresentativa da prova, que na sua estreia em 1979 chegou a todo país.
Huambo e Benguela surgem em segundo plano, com duas equipas cada, ao passo, que Cabinda, Lunda Norte, Cuanza Sul, Huíla, Cuando Cubango, Bengo e Moxico contam apenas com um \"inquilino\" nesta grande montra do futebol nacional.
Penso, estar assim, tudo alinhavado para esta edição do Girabola Zap, que ao contrário das últimas não vai se estender até Novembro. O presente campeonato tem o seu final marcado para Agosto, dada a obrigatoriedade que o órgão reitor do futebol nacional tem de indicar os seus representantes nas Afrotaças até Outubro próximo.
Por esse andar da carruagem a próxima edição do Girabola começa mais cedo, ou seja, ainda este ano e em consequência disso, em 2019 as nossas equipas engajadas nas provas da CAF já não se vão confrontar com o velho e recorrente problema de não terem ritmo competitivo na estreia destas. Isso é bom para o nosso futebol . Por ora todos para a festa das multidões, que é o que representa o Girabola Zap. Vamos a isso!!!...
SÉRGIO V. DIAS

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