Jornal dos Desportos

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Opinio

Tributo a Pimentel e a passada do Girabola

29 de Fevereiro, 2020
Manuel Pimentel é um nome de referência obrigatória no futebol nacional e no desporto em geral em Angola. Foi um árbitro de futebol bastante activo que fez desfilar o seu perfume, com apito na boca, nas décadas de 1970, 80 e muito próximo dos anos da década de 1990. Nos anos subsequentes continuou ligado ao futebol e a arbitragem “de forma quase umbilical”, como comissário e instrutor da Confederação Africana de Futebol (CAF) e da FIFA, proporcionando variados cursos e formações de superação e refrescamento dentro e fora do país, às mais variadas gerações.
Dinâmico e bastante activo, Manuel Pimentel foi um árbitro que conquistou o seu espaço com exibições em alta, procurando sempre cumprir com as leis do jogo e aplicando-as na prática de forma rigorosa. Faz parte da naipe de árbitros consagrados do nosso futebol, como são os casos de Dionísio de Almeida, Júlio de Aveiro, Mário da Ressurreição, Sebastiao Reis, João Mavunza, entre outros do seu tempo, que sopravam o apito por “amor à camisola” sem quaisquer recompensas, nem prémios.
Neste contexto, Pimentel dedicou-se “de corpo e alma” e as suas actuações eram marcadas pelo seu gesto de autoridade, sem ser autoritário e de ser peremptório. Deste modo, era igualmente disciplinador e bastante acutilante em campo. Fazia questão de acompanhar de perto as jogadas, mesmo com o aparente corpo avantajado. Ainda assim, era de facto ligeiro. Apitou inúmeros jogos, entre os quais derbies e clássicos como por exemplo: Interclube/Progresso; TAAG/1º de Agosto; 1º de Maio/Petro de Luanda; 1º de Agosto/Petro de Luanda, entre outros.
Antes de se decidir pela arbitragem, Pimentel jogou igualmente futebol, principalmente em Cabinda, e aqui em Luanda. Exibiu os seus dotes durante largos anos.
Como comissário e instrutor da CAF e da FIFA, Pimentel fixou-se na província da Huíla, onde era um dos integrantes da Polícia Economica local, e granjeou muito prestígio antes de passar à reforma.
Hoje, vergado pelo peso da idade, Tio Pimentel, como é carinhosamente tratado nos círculos dos mais próximos, “teimosamente”continua ligado à arbitragem de futebol, acompanhando pela média desportiva, o seu desempenho e desenvolvimento e também em conversas com alguns antigos colegas e jovens da nova vaga.
Por estes e outros motivos, particularmente por ser um dos “gurus” da arbitragem do futebol nacional e não só, ouso prestar-lhe esta singela homenagem, para que os homens do futebol o tenham, necessariamente, como uma referência obrigatória do nosso “association” e alguém que conquistou o seu espaço com trabalho árduo e persistente, com amor, abnegação e sobretudo de forma desinteressada, ou seja sem procurar ganhos e lucros. Em suma com verdadeiro patriotismo.
Neste texto torna-se igualmente incontornável falarmos do Girabola, a alegria do povo. Em relação ao Girabola Zap 2019/2020, posso dizer, sem medo de errar, que está no “ponto rebuçado”, com vulgarmente se alude. O facto de o Petro de Luanda e o 1º de Agosto estarem neste momento a se degladiarem, em busca da primazia na liderança da prova, justifica bem a sua competitividade, não só pela luta acérrima, mas principalmente pela evolução dos concorrentes na prova. Os militares do “rio seco” vivem crise profunda de resultados, tanto é que, diante da “escorregadela” do seu mais directo rival, o Petro Luanda, não conseguiu desfeitear, em sua própria casa, o Sagrada Esperança, da Lunda-Norte, perdendo por 1-2, num jogo que, em caso de vitória, os deveria relançar, para diminuir a diferença de pontos, nesta disputa de jogos em atraso.
Os petrolíferos, por seu turno, mesmo empatando num dos dois jogos em atraso (o outro será diante do Clube Desportivo da Huíla), vangloriou-se horas mais tarde com a derrota do seu opositor. Assim vão os dois, alternando, acelerando aqui e ali e procurando a serenidade, para encontrar os caminhos para a conquista do tão almejado ceptro. O que essas duas equipas de certeza não devem saber, é o facto de o FC Bravos do Maquis estar numa dinâmica diferente e bastante acutilante. Seis vitórias em seis jogos. É obra!
Portanto, caso não estejam atentas, os maquisardes podem, muito e bem, fazer, de “forma atrevida”, “ultrapassagem pela direita” e assumir outros lugares ousados, na prova. Por isso, os 8 ou 9 jogos que faltam para cada uma das equipas disputar, podem fazer correr ainda muita água por debaixo da ponte. Tudo isso, todas essas evoluções, têm sido acompanhadas minuciosamente pelo ilustre Manuel Pimentel. Tenho dito! Morais Canâmua

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