Jornal dos Desportos

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Opinio

Ttulo s no fim e Domant tomba

25 de Agosto, 2018
A decisão do título da presente Girabola Zap vai acontecer apenas na 30ª e derradeira jornada da prova. Quando se cogitava a possibilidade de tudo ficar já definido na ronda 29, disputada quinta-feira, viu-se um Sagrada Esperança a estorvar os intentos do 1º de Agosto, que só preciva de uma vitória para chegar antecipadamente ao 12º título do seu historial. Por isso só a 2 de Setembro se saberá quem cortará a meta em primeiro lugar.
Porém, tal como à entrada da jornada 29, o emblema do “rio seco” à par do arqui-rival Petro de Luanda são os únicos com possibilidades de chegar ainda ao tão almejado troféu desta edição da maior prova do futebol nacional. Ao d’Agosto bastaria um empate na última ronda, ao passo que os tricolores só têm chances de cortar a meta a frente com uma vitória e ainda assim, esperar por um deslize do seu concorrente.
A equipa militar vai defrontar a 2 de Setembro, no Estádio 11 de Novembro, o Cuando Cubango FC, um conjunto que se estreou esta época na alta-roda do futebol angolano e que já está com o pé na edição do Girabola de 2018/19 que tem início em Novembro. O conjunto do \"eixo-viário\", por seu turno, terá pela frente o galvanizadíssimo Sagrada, que com esperança ousada não permitiu que o d’Agosto fizesse a festa no Dundo.
Por essa razão, advinha-se um jogo renhido entre os tricolores e diamantíferos domingo da próxima semana. Para já, como se referiu atrás, o Petro irremediavelmente terá de vencer e esperar que o 1º de Agosto perca com a equipa das “Terras do Progresso”. E, embora o futebol seja aquela \"caixinha de surpresas\" onde tudo pode acontecer, é conveniente admitir que os militares são favoritos ao triunfo.
Sem qualquer sentimento clubístico - e até porque não só adepto de nenhum destes dois maiores emblemas do futebol nacional -, estou em crer que só mesmo um “tsunami” pode estorvar a possibilidade de o clube central das Forças Armadas Angolanas (FAA) chegar ao segundo tri-campeonato do seu historial, depois das glórias sucessivas nas edições de 1979, 1980 e 1981. Penso que título não vai escapar ao 1º de Agosto.
Quanto ao Petro, creio que não restará outra coisa senão conformar-se mais uma vez com estatuto de “eterno” vice-campeão, passo termo, das últimas épocas. Mas não quero com isso, retirar o mérito da equipa do “eixo-viário” que ainda se exibe nas vestes de “maior papão” do Girabola Zap. Antes pelo contrário, é preciso reconhcer que o emblema tricolor tem sabido superar as adversidades de uma prova tão exigente.
Isso é inequívoco e penso não haver qualquer margem para dúvidas. Aliás, penso ser por esta irreverência e atitude da equipa do “eixo-viário” que a decisão do título é arrastada para a derradeira jornada do Campoenato Nacional da I Divisão, o que torna a competição ainda muito mais emotiva. Não há dúvidas também de quer seja o d’Agosto, quer seja o Petro a triunfar, no final ganha ainda muito mais o próprio futebol no país.
Não só pelo nível da disputa que a prova em si conhece, mas sobretudo para o engrandecimento do futebol angolano além das nossas fronteiras, depois de anos à fio termos nos confrontando com prestações abaixo do desejado. Foi assim a nível de clubes e mesmo no que a Selecção Nacional diz respeito. E por isso recomenda-se que o quadro mude de figurino. Porém, isso só é possível se se fazer bem o trabalho de casa.
Só para ilustrar este quadro, basta referir que este ano temos um 1º de Agosto a competir ao mais alto nível na Liga dos Clubes Campeões Africanos, a maior prova do calendário da Confederação Africana de Futebol (CAF). Nesse particular, é importante lembrar que a equipa pode atingir os quartos de final, caso vença na próxima terça-feira, no jogo do Grupo D da prova, o Mbabane Swallows da eSwatini (ex-Swazilândia).
Nesse quesito, um empate frente a turma da antiga Swazilândia pode também assegurar a qualificação dos militares na referida fase da competição, mas isto obviamente desde que o Zesco United da Zâmbia não vença o Étoile du Sahel da Tunísia, actual líder do grupo, na mesma data. A nível dos Palancas Negras, o país mantém ainda acesa a ambição de se qualificar para a Taça das Nações nos Camarões, em 2019.
De resto, a presente edição do Girabola, que foi marcada pela desistência, ainda na primeira volta, do JGM do Huambo e teve ainda o registo de outros casos, como os de suspeições da arbitragem, não se restringiu apenas à prestação do 1º de Agosto e do Petro. Tivemos no início da prova um Interclube bastante atrevido e, que chegou inclusive, a dar sinais claros de poder atingir o terceiro título do seu historial.
Porém os polícias não tiveram arte nem engenho para resistir à maior determinação destes dois emblemas que discutem a decisão do título. Pelo meio tivemos também as prestações assinaláveis do Sagrada Esperança, assim como da Académica do Lobito e do Sporting de Cabinda, que mesmo com os problemas estruturais que enfrentam as respectivas direcções dos clubes souberam honrar a prova. Infelizes na época foram o 1º de Maio de Benguela e o Domant de Bula Atumba do Bengo, que mais uma vez vão ter que se “conformar” com a descida de divisão. O resto são apenas contos de fada...
Sérgio V. Dias

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