Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Tudo ou nada frente aos Camares

18 de Janeiro, 2018
Os Palancas Negras têm no sábado um difícil obstáculo a ultrapassar. Se conseguirem vão manter o sonho de chegar aos quartos de final do CHAN, se tropeçarem o sonho fica desfeito ou torna-se ainda mais tremido. O obstáculo chama-se Camarões.
Tudo, depois do empate consentido no jogo com o Burkina Faso, a contar para a ronda inaugural do grupo D, num jogo em que foi superior, no verdadeiro sentido da palavra, mas que acabou por não recolher os dividendos necessários para chegar à vitória.
Aliás, os números falam por si: mais posse de bola, mais números de cantos e mais números de remates à baliza. Estatística que acabou por não elevar a fasquia para a tão desejada vitória.
No sábado e referente à segunda jornada, os Palancas Negras jogam o tudo ou nada diante de um adversário (Camarões), que perdeu na primeira ronda com o Congo, e que também pensa nos três pontos para não regressar mais cedo à procedência.
Vai ser o terceiro frente à frente entre as duas selecções na competição. O primeiro, aconteceu em 2011 no Sudão, na primeira presença dos Palancas Negras. Nos quartos de final, Angola venceu por 8-7, na marcação de grandes penalidades, depois de um rigoroso empate no tempo regulamentar.
O segundo embate aconteceu cinco anos depois, em 2016 no Ruanda. As duas selecções integraram o grupo B, e a vitória pertenceu aos camaroneses, por 1-0, foi o resultado num jogo disputado no estádio Huye Butari.
A derrota em referência foi o desmoronar do sonho dos Palancas Negras, que regressaram mais cedo à casa, pois, acabaram por ficar na terceira posição do seu grupo, com três pontos, fruto de uma vitória e de duas derrotas.
No sábado, vai ser um jogo de tira - teimas. Um ajuste de contas, em que ninguém pensa na derrota. Quem perder, tem o regresso antecipado à casa. E, os Camarões, com a derrota na jornada inaugural, estão mais propensos a isso, caso Angola supere o que fez de errado com o Burkina Faso. Teve tudo para golear os burkinabes.
Seguramente, cada caso é um caso, com contornos próprios: o padrão existe e é muito perturbador, e no caso concreto para as duas equipas, em função dos resultados que cada uma obteve no primeiro jogo.
Aqui, não se trata de ser pessimista para esta ou aquela equipa, mas ser realista a admitir, no sombrio tempo actual, todas as possibilidades: os três pontos para cada uma das selecções. Todavia, tudo vai depender do que fizerem ao longo do tempo regulamentar, ou na marcação de grandes penalidades, caso venha a ser necessário.
Angola e os Camarões têm no sábado uma batalha muito difícil pela frente. No caso concreto dos Palancas Negras, e em minha opinião pessoal, as armas ao nosso dispor para a batalha são as ideias, os valores e os princípios que devemos levar. Deve ser por aí que devemos começar, para que de facto possamos chegar aos quatro pontos na tabela geral, para mantermos o sonho de chegar à fase seguinte.
Defrontar os Camarões, uma equipa do topo do futebol continental, embora numa competição destinada a jogadores que evoluem internamente, é especial e mesmo espectacular. Angola vai encontrar uma forte oposição e tem de estar na máxima força para contrariar os intentos do adversário.
Pelo que observei pela televisão no jogo com o Congo, apesar da derrota, os Camarões são disciplinados, têm uma identidade muito própria que raramente sai do seu registo. Conseguem estar sempre na luta pelo resultado, o que obriga a estar concentrados durante os 90 minutos.
Angola pode, perfeitamente, deixar pelo caminho os Camarões. Contudo, para que tal aconteça vai ter de superar o amadorismo que apresentou diante do Burkina Faso, principalmente, nas jogadas ofensivas. Não pode desperdiçar tantas oportunidades de marcar.
Diante de um adversário organizado num 4x2x3x1, que no processo defensivo fechava-se num 4x1x4x1, Angola experimentou dificuldades para impor o seu jogo, com a equipa adversária determinada e a anular os principais trunfos do conjunto angolano.
O empate foi negativo para os Palancas Negras, em função do produzido ao longo dos 90 minutos. Não somaram os três pontos, mas têm razões para estarem confiantes na passagem à fase seguinte.
Atingir os quartos de final é um sonho difícil, tenho de reconhecer. Contudo, a organização da equipa e por tudo quanto foi visível observar na primeira jornada, permite acreditar que o grande objectivo pode ser conseguido.
É só acreditar!
POLICAPO DA ROSA

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