Jornal dos Desportos

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Opinio

Turismo desportivo: mito em (des) construo

10 de Julho, 2017
Os países dão-se a conhecer, criam estereótipos e montras de visibilidade do seu DNA, da sua cultura e dos seus valores estratégicos por muitas formas, mas nenhuma talvez tão impactante como o turismo.

No caso do meu país, Angola, a mãe natureza brindou-nos com grandes e fantásticas potencialidades turísticas.

São várias as zonas de interesse turístico no país, umas bastante conhecidas, outras nem tanto, facto que deveria tornar o turismo numa actividade estratégica para Angola.

E todos sabemos o enorme potencial que ainda existe por explorar, principalmente ao nível do turismo desportivo, seja em segmentos de turismo de prática desportiva, ou turismo de espectáculos desportivos.

Por exemplo, o turismo de prática desportiva detém, por norma, os consumidores em duas perspectivas: a viagem turística e a prática desportiva, possibilitando a procura turística no âmbito do turismo activo, tendo o desporto um papel integrador. Nesta interligação existem negócios para o turismo, o desporto e a cultura.

Porém, na nossa realidade o ponto mais sensível e polémico, tem a ver com o facto de se explorar muito pouco ou quase nada, o conceito turismo desportivo, realidade constatada até ao nível de inexistentes discussões e opiniões acerca do referido fenómeno, que a dada altura alguém chegou a defender, como factor de promoção e divulgação da identidade nacional, fomentando a unidade cultural na diversidade, sobretudo num país multi-étnico e multicultural como Angola.

Infelizmente, aliar o desporto ao turismo não faz parte da agenda, quer dos agentes desportivos, dos gestores empresariais, bem como das entidades político-administrativas de Angola, como reforço do papel do desporto nos desafios que se colocam ao turismo nacional, destacando a dimensão da oportunidade que a ligação turismo/desporto oferece às economias locais e nacional!

Não se compreende, por exemplo, passados 13 anos desde o alcance da paz, o Girabola, a maior competição desportiva nacional, não é aproveitada, potenciado como\" produto\" a ser utilizado para uma ampla dinamização e divulgação do turismo interno, um verdadeiro \"calcanhar de Aquiles\", para as autoridades que gerem directamente um sector que deveria orgulhosamente promover e \"vender\" a imagem de uma Angola dinâmica, moderna e em franco desenvolvimento!

Na verdade não percebo, porque que um projecto, como o ANGOLA DE TODOS OS CANTOS, (que visa promover e divulgar valores turísticos aliado ao desporto, como tais como os hábitos e costumes do povo angolano, sua gastronomia, a arte no geral, programas de excursão e visitas aos locais turísticos, como museus, infra-estruturas desportivas, entre outros), modestamente concebido por mim, e até elogiado pelas autoridades nacionais e não só, por estar lindamente desenhado no papel, não é abraçado ou segurado \"com as duas mãos\", como se diz na gíria. Será falta de vontade politica ou reduzido apoio institucional?

Se é que ainda vamos a tempo de despertar e potenciar essa “indústria escondida e adormecida”, defendo que a melhor \"porta\" é o MARKETING, o ingrediente mágico que contribui para a construção das marcas, que o mundo pára para ouvir, ver e falar quando se trata de quebrar barreiras, mudar paradigmas e encontrar novas formas de atrair e chegar bem perto dos consumidores e clientes, diante de conjunturas difíceis e complexas, como as que vivemos.

Países há que vivem do turismo e cá entre nós preferimos passar o tempo a falar da crise, como se fosse a desculpa para todos os problemas e a brincar com a sorte. Confesso que fico com alergia a este ponto.

Nzongo Bernardo dos Santos *
* Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo

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