Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um abrao a Tony Cabaa

21 de Novembro, 2019
Mais uma vez os Palanca Negras começam a equacionar o uso da calculadora para saber as possibilidades de participar da maior festa do futebol no continente africano, no caso o Campeonato Africano das Nações (CAN), dado o mau arranque na campanha rumo a edição de 2021, apesar de ainda faltaram quatro jogos para as contas finais.
Dois jogos e igual número de derrotas num espaço de cinco dias cria mossa em qualquer equipa, quanto mais não fosse uma selecção que enferma de níveis organizacionais elevados, desde a administração aos aspectos de campo, sendo neste último em que os fracassos são mais visíveis. E da referida visibilidade dos fracassos à procura de culpados o passo é tão reduzido na dimensão da facilidade com que se apanha um coxo, que nunca tem o privilégio de coleccionar o engano como sua coroa, por não ter como manter linear uma mentira, que como se diz, vem sempre ao de cima.
Neste particular, tenho notado, com alguma preocupação, a romaria que tem sido levada a cabo contra o guarda-redes Tony Cabaça, que para uns tantos adeptos deve assumir as culpas das duas últimas derrotas dos Palancas Negras, discurso que não tem total justiça em termos de fundamento. Não pode ser verdade que, perante uma defesa com os níveis de desconcentração que os Palancas Negras patentearam nos jogos em referências, as culpas recaiam, de forma exclusiva, ao guarda-redes Tony Cabaça, que num espaço de uma semana passa de herói a vilão, se não vejamos:
Por altura da convocatória para os jogos com a Gâmbia e o Gabão, no exercício da praxe que os órgãos de comunicação social se oferecem realizar foi consensual, da parte de certos comentaristas, que Tony Cabaça era, meritoriamente, a escolha acertada, sem dever favores a quem quer que fosse. Porém, num ápice, e sobretudo pelo segundo golo sofrido no jogo frente a Gâmbia, em pleno Estádio 11 de Novembro, os mesmos comentaristas passaram a classificar Tony Cabaça, como estando em baixo de forma e que já não deveria ser opção para o jogo da segunda jornada, frente ao Gabão.
A questão que se segue é esta: é possível um jogador perder totalmente a forma desportiva em menos de uma semana, sobretudo numa altura em que o campeonato nacional está na sua fase de embalo, e tratar-se de um titularíssimo da equipa que tem a defesa menos batida?
Apesar do que acima se lê, e assumimos isso, em defesa de Tony Cabaça, corroboramos com o confrade Honorato Carlos, quando diz que “os erros dos guarda-redes, ainda que sejam mínimos (os que qualquer um outro jogador de campo também pode cometer), tornam-se sempre mais visíveis”, por ser ele o responsável pela guarda segura da baliza.
E mais, como dizem os outros, o golo é apenas o limite de uma acção que outros dez jogadores não conseguiram impedir, sem que se coloca a questão de incompetência defensiva, pois no outro lado da moeda pode estar uma agrupação que desenvolveu a acção com maior e melhor competência.
Em função do exposto, não é polido nem aplaudimos o discurso de acusação do guarda-redes Tony Cabaça, que também é humano com as mesmas possibilidades de falhar, como qualquer um outro profissional de outra área, para quem o respeito cai bem, e também lhe é devido. A considerar, em última instância, que Tony Cabaça esteja, de facto, em baixo de forma, melhor que a vaia, deve ser dada uma palavra de incentivo, afinal é o mesmo que promoveu brilhantes defesas diante da Gâmbia, no apuramento para o Mundial do Qatar, para não falar da campanha que permitiu Angola voltar a ter duas equipas nas Afro taças.
Mas futebol é o tal mundo da ingratidão, em que os adeptos apenas têm pachorra para aturar as vitória e reagir mal às derrotas, atitude que se compagina marginal aos ditames evocados por Pierre de Coubertin. Por isso e por outras, um abraço a Tony Cabaça. Carlos Calongo

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