Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um acto de solidariedade

10 de Maio, 2016
A abertura de uma conta bancária em nome do Sindicato dos Antigos e Actuais Jogadores de Futebol de Angola (SAAJFA), a ser criado nos próximos tempos, que vise angariar fundos para atenuar as dificuldades por que passam alguns ex - atletas, é a todos os títulos um gesto louvável, que merece ser acarinhado e apoiado por todos.

A criação do sindicato em questão, cujas démarches iniciais estão a ser consertadas por alguns ex-atletas, pode vir a constituir-se em mais um parceiro do Governo, no que concerne a diminuição de algumas dificuldades que assolam os visados. De recordar que com o mesmo propósito, existe a Associação dos ex - Jogadores de Futebol de Angola (AJFA), liderada por Joaquim Dinis “Brinca n’Areia), que tem desenvolvido diversas acções em torno de alguns ex - futebolistas que passam por momentos difíceis.

Não constitui novidade para ninguém, que uma considerável quantidade de ex - futebolistas, que nas décadas setenta, oitenta e noventa, alguns dos quais que envergaram a camisola da Selecção Nacional, encontrem-se em situação de pura indigência, a comerem o “ pão que o diabo amassou”.Luanda, Benguela, Huila e Huambo, de acordo com dados credíveis, são as províncias onde esse fenómeno é mais evidente. Essa situação decorre do facto de, na época em que no país vigorou o sistema mono-partidário, ao invés dos tempos que correm, noves fora a legislação desportiva em vigor, não fazer referência a tal a actividade desportiva, não era considerada como profissionalizada, ou rentável.

Pelo que chegou ao nosso conhecimento, os membros da comissão que pretendem criar o sindicato em questão, têm como propósito chegar aos órgãos do Ministério da Juventude e Desportos, na sua qualidade de departamento governamental que se ocupa do desporto, uma proposta que estipule a 6ª classe do ensino regular, como habilitações mínimas para que qualquer pessoa se habilite a prática do futebol sénior.

Essa e outras situações, contribuem para o que acima está descrito, levem a que vários desses elementos sejam acometidos de distúrbios psíquico – mentais, há notícias que alguns perderam a vida como resultado das dificuldades que atravessaram depois de abandonarem a prática activa, pois para além de não terem preparado o futuro enquanto atletas, o baixo nível de escolaridade que possuem, concorreu para a dificuldade em conseguir empregos condignos.

Vivaldo Eduardo, comentador e treinador desportivo, num texto publicado na edição de segunda-feira passada do Jornal de Angola, chamou a atenção para os desportistas das diversas modalidades que se encontram no activo, a acautelarem o futuro (e do respectivo agregado familiar), por intermédio dos também conhecidos “pés-de-meia”, ou poupanças financeiras, aliado ao facto das várias modalidades serem “engrossadas” por atletas estrangeiros de várias nacionalidades, hábitos e vivências culturais diferentes. Sem qualquer dose de chauvinismo, é preciso referir que de um tempo à esta parte, noves fora a crise financeira internacional, são viários os atletas que aportam Angola oriundos de diversas paragens, à procura de condições financeiras superiores as que auferiam nos países de origem.

Arlindo Leitão, antigo futebolista, comentador da Rádio “5”, e um dos principais conselheiros das novas gerações de desportistas angolanos, em entrevista ao jornal Nova Gazeta, exortou aos desportistas a descontarem para a Segurança Social. Para o efeito, os atletas, técnicos e outro pessoal de apoio, devem exigir dos clubes na qualidade de entidade empregadora, que mostrem o DAR (Documento de Arrecadação de Receitas) para o caso de não honrarem os compromissos salariais, para não se falar do IRT (Imposto de Rendimento de Trabalho), que entre outros tem reflexos sobre os rendimentos obtidos, tanto por conta própria como de outra pessoa. Outrossim, existem muitos atletas, técnicos, médicos, massagistas, roupeiros e outros, que não sabem o que fazer para serem compensados financeiramente do trabalho que desenvolveram em clubes que deixaram de existir, como por exemplo a Académica do Soyo.

Actos como o que o próximo Sindicato dos Jogadores de Futebol, se propõe materializar, devem ser aplaudidos e merecedores do reconhecimento de todos. Os membros de algumas igrejas reconhecidas pelo Governo de Angola, descontam na Segurança Social. Os músicos com mais de 60 anos de idade, beneficiam de um fundo de pensão, fruto de uma acção desenvolvida pela União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC).
Leonel Libório

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