Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um ano difcil

31 de Dezembro, 2018
Enfrentadas com sucesso, em alguns casos, e com insucessos, em outros, as peripécias de um ano, que por natureza impõe desafios ao homem, chegamos, hoje, ao último dos 365 dias do calendário. Olhamos para trás, o senso analítico impele-nos à análise do que fizemos e do que por várias e redobradas razões, ficou na gaveta dos projectos adiados.
Estaremos todos, empresários, funcionários públicos, desportistas e chefes de família, envolvidos neste exercício. Desportivamente, o ano não foi ruim mas também não se pode considerá-lo frutífero. Várias, são as dificuldades com que se vê confrontado o sector. Que venham a público os fazedores da \"coisa desportiva\", revelar o seu tormento.
Aliás, o momento actual do nosso desporto, deixa-nos, vezes sem conta, de cabeça às voltas, para perceber o \"leit motiv\" da sua hibernação. Há, pois, quem associa tal quadro a alguma falta de argúcia da nova vaga de dirigentes. Entretanto, de permeio, coloca-se também a questão da galopante recessão económica. É possível o desporto sorrir em meio de limitações financeiras? Parece-nos que não.
O ano que termina deu-nos a ver, que o nosso desporto tende em resvalar para a sarjeta do amadorismo, escasseiam as condições para manter-se no trilho do profissionalismo. O desporto, no sentido real da palavra, é o que se faz com vitalidade e profissionalismo, que tem a faculdade de movimentar multidões, que conforta financeiramente os seus actores directos.
Temos um desporto que expõe, claramente, a nudez. Quando líderes de clubes, de Associações e ou de Federações vêm a público queixar-se de quase tudo e de nada, é porque a situação inspira sérias cautelas, o que preocupa, quando sabemos à partida, o lugar que ocupa e sempre ocupou o desporto na estrutura política do país.
Constata-se que para tanto não é preciso fazer muito exercício para perceber que o desporto está a perder nos dias presentes, a expressão competitiva de outros tempos. Quando já faltam condições para estágios pré-competitivos, ou para pagamento dos honorários de técnicos e de atletas, é porque se está a fazer, como dizia um certo político da nossa era, a curva mais apertada. Infelizmente, foi esta a fotografia, a preto-e-branco, do desporto nacional em 2018.
Na verdade, o quadro é penoso e dantesco, sobretudo, porque não se vislumbra no horizonte sinais de melhorias, que se anunciem para a médio ou a curto prazos. Afinal, tudo é determinado pela saúde financeira. Receia-se, que os níveis de qualidade produtiva, conheçam uma queda aparatosa, nos próximos tempos. A obtenção de marcas competitivas fabulosas passa, necessariamente, por um trabalho de base assente em fortes vigas estruturais, que em regra, é determinada pela capacidade financeira.
Ainda assim, diga-se que por entre esta maré de limitações, nem tudo foi um cortejo de dramas e fracassos, em 2018. Com um ADN competitivo, os angolanos conseguiram fazer sorrir o país, a nível de algumas modalidades. O futebol para adaptados arrebatou o título mundial no México, na que pode ser tomada como a melhor safra do ano.
A selecção de andebol sénior feminina, ousada e destemida como sempre, venceu o Africano de Brazzaville, apurando-se para o Campeonato do Mundo da China. Tratou-se do 13º título, marca jamais atingida por uma outra selecção, a nível de outras modalidades. O basquetebol, pese o facto de estar uns furos a baixo do seu potencial, assegurou, igualmente, a qualificação ao Mundial de 2019.
Mesmo os Palancas Negras, diga-se de passagem, deram um ar da sua graça. No ano, que hora menos hora, passa para a História, exibiram-se a um nível que se pode considerar aceitável. Apesar de terem deixado para a última jornada o apuramento ao CAN\'2919, já se revelam uma equipa mais adulta, batalhadora e intérprete de um futebol alegre e vistoso.
Há outras modalidades, que também estiveram em grande plano, ao longo do ano. Porém, descrever uma a uma, torna-se um exercício fastidioso, para além do espaço não permitir rodriguinhos e floreados. O novo ano pode ser melhor, desde que os deuses do desporto não se deixem superar pela força do Diabo. Como se diz agora, \"é só orar\"....
Matias Adriano

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