Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um comboio... para Liverpool

10 de Fevereiro, 2020
Estava, certa vez, em 2014, na Inglaterra, em Londres a caminho da cidade de Liverpool, onde esta perigosíssima equipa jogaria com o Manchester City. Desde que passei a adorar as canções dos encantadores \"rapazes\" dos Beatles, confesso amor por tudo o que é daquela mítica cidade.Vibro com essa melhor equipa do mundo onde agora actua o nosso irmão africano do Egipro, Mohamed Salah. Não perco um jogo dela.
Naquele dia perdi-me para a admiração ao ver o local onde apanharia o transporte. Até escrevi e partilhei o seguinte: parece mentira, mas estou...há 100 metros abaixo da terra, onde passa o \"comboio Express\" que me levará até Liverpool.
Disse que s estação era realmente \"outro mundo\" e que supera a dos dos \"mundos\" que porque já passei desde que entrei para o mundo do jornalismo, esse \"canal\" que, em missões de serviço, me habilita a conhecer também outras realidades...
De Luanda, ao ler-me, o meu colega Pedro Augusto, enviou, pelo facebook, este recado: faça uma cópia da maqueta. Assim, quem sabe, daqui a 10 anos, a nossa Luanda possa ter algo parecido!
Mas a minha admiração pelo local e pela ligação directa para o local do jogo não era a primeira e, se calhar, pode não ser a última.
Quando em 1987 saí, pela primeira vez, em serviço, para o exterior do país, aportei na então República Federal Alemã, onde, desportivamente falando, registei factos positivos que jamais vejo na nossa terra, mas que que poderá tornar-se realidade neste 2020 se a promessa pública feita há dias ganhar corpo. Já explico mais abaixo porquê.
Na cidade de Munique para ter assistido àquele Bayern local e Entranche de Frankfurt, com o meu guia, não tivemos dificuldades de chegar ao Estádio Olímpico.
Bastou sair do hotel, galgar uma curta distância, aceder à uma estação e lá termos tomado um comboio rápido do qual pouco tempo depois pudemos apear perto do local do jogo.
Estas facilidades de locomoção directa - sobretudo pela via ferroviária - quer em comboios convencionais rápidos quer nos que se movem pelas linhas de metro - eu vi e usei-os em muitas cidades de países de África, Ásia, Europa e América onde fora já em missão de trabalho.
Claro que hoje não se passaram ainda dez anos como pediu-me para esperar o meu colega, mas já vejo que para uma estação, metros e conboios de luxo...o sonho parece que vai concretizar-se.
Na sexta-feira passada já rejubilei de alegria quando, pela segunda vez, esteve entre nós a chanceler alemã Angela Merkel. Ela deu, entre outras, a boa notícia de que o seu país fará um investimento de três mil milhões de dólares, ainda neste 2020, para construir-se, em Luanda, um Metro de Superfície, com uma extensão de 149 quilómetros. Sim senhor, uma boa nova!
Estou, por isso, repito, satisfeitíssimo e, ao mesmo tempo, maravilhado com esta promessa que passará pelos eixos que interligarão o Porto de Luanda-Cacuaco, Avenida Fidel Castro Ruz ( vulgo Via Expresso Benfica Cacuaco ou vice-versa), Porto de Luanda, Lago da Independência e Cidade do Kilamba- Largo da Independência.
O desporto pode e vai também sair a ganhar. Concluído o projecto, poderemos já ter uma maior vaga de amantes e praticantes de desporto a acorrerem, directamente, por via destas interligações ferroviárias modernas a muitos locais de prática; de competição; aos estádios, pavilhões etc.
No tempo em que os financiamentos da China faziam o país nadar em astronómicas somas financeiras quem manuseou o dinheiro mandou para urtigas projectos como estes.
Deixou de construir linhas de comboios expressos, metros modernos, que ligassem os velhos e antigos pontos da cidade para os recintos desportivos.
Uma das oportunidades propositadamente desperdiçadas nesse sentido deu-se durante a preparação das infra-estruturas para a Taça de África de 2010, que o país organizou. E porquê?
Já em curso estavam milionárias empreitadas para as centralidades do Zango, Sequele e de outras em Benguela, Huíla e Cabinda, mas sequer linhas de ligação ferroviária foram projectadas para desembocarem nos estádios. Grande falha para não se dizer mesmo...grande crime!
E agora que a Alemanha vai avançar, não se quer alguém a vir enguiçar. Em 2006 havia um projecto de reabilitação e modernização dos Caminhos de Ferro de Luanda (CFL). Não passou disso.
O então mnistro dos transportes, Augusto Tomás, tinha anunciado, em 2014, construção de uma rede ferroviária destinada a interligar linhas férreas existentes no país. Não passou disso.
Em 2015 era director do Instituto de Estradas de Angola (INEA) António Resende. Em plena visita do então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, falara da construção de uma linha ferroviária que, alegadamente, viriam a dar maior sustentação na circulação para diversos pontos da cidade. Acho que para recintos desportivos. Não passou também disso igualmente.
Portanto, nocaso particular de Luanda, se a linha de metro começar efectivamente a ser construída este ano, bom será se os eixos ou estações venham gravitar em tronos de recintos desportivos.
É assim em qualquer parte do mundo. Estão sempre apontados, em suas direcções, os meios de transportes mais fáceis de apanhar e se movimentar.
Os nossos recintos desportivos poderão tornar-se mais abarrotados de espectadores ao contrário do que hoje, porque muitos ficam hesitantes, entre escolher se vale a pena percorrer distâncias até aos locais desportivos, saindo de paragens distantes de e taxi ou autocarros públicos...ou ficar em casa.
E há avmos, isso não é mentira, ficar em casa tem sido a principal opção.Luanda e o desporto merecem o que a Alemanha prometeu. António Félix

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