Jornal dos Desportos

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Opinio

Um desenlace h muito previsto

24 de Agosto, 2019
A notícia, há uma semana, do rompimento do contrato entre a Federação Angolana de Futebol (FAF) e o seleccinador nacional Srdjan Vasiljevic não constituiu surpresa alguma. É um desenlace que já se vinha a desenhar, sobretudo depois da campanha fracassada dos Palancas Negras na Taça das Nações deste ano, que o Egipto acolheu.
Infelimente estalou-se o verniz e o técnico sérvio acabou por ser o sacrificado, no meio de toda essa atmosfera negativa por que o futebol nacional vem passando nos últimos tempos. E agora fica no ar uma questão: terá sido o melhor caminho por que o órgão reitor da modalidade-rainha enveredou com esse desenlance com Srdjan Vasiljevic?
A meu ver não. E não, porque a FAF, entidade que tem à testa Artur de Almeida e Silva, é, na minha óptica, a maior responsável pelo declínio que o desporto-rei está a enfrentar nessa altura, fruto de alguma incapacidade de gestão que vem demonstrando.
O número “um” da FAF deveria ser o primeiro a ter a ombrindade de reconhecer isso. Que as coisas andam mal no seio do nosso futebol, isso já não é novidade para ninguém. Artur Almeida e Silva deve deixar de escudar-se de falta de culpa no cartório, quando se sabe de antemão que são as políticas do seu elenco, que levaram o futebol nacional para este estado de coisas. Por isso, ele que não venha aqui a fugir com o rabo à seringa.
Durante a realização do último Campeonato Africano das Nações (CAN), que o Egipto albergou entre 21 de Junho e 19 de Julho último, e que foi ganho pela Argélia, já se ventilava pelos quatro ventos o momento menos bom que se vivia no seio da Selecção Nacional. Falava-se de desonras contratuais para com o técnico e seus auxiliares, assim como atrasos salariais destes e da falta de pagamento de prémios a jogadores.
Não se compreendeu, na altura, como é que mesmo beneficiando da Confederação Africana de Futebol (CAF) de um bônus de mais de 500 mil dólares, a FAF ainda teve a ousadia de pagar os atletas em kwanzas, quando o mais sensacto era fazê-lo em divisas. Como se já não bastasse isso, excluiu da lista pagamento, os atletas que realizaram menos jogos na campanha de apuramento à grande montra do futebol continental.
O divórcio com o sérvio Srdajn Vasiljevic só vem colocar ainda mais lenha na fogueira, em relação ao momento menos bom que o nosso futebol enfrenta. O mais grave, ainda, é que estamos a menos de duas semanas de disputar o jogo da preliminar de acesso aos grupos da campanha do apuramento ao Mundial de 2022, que acontece no Qatar.
Depois do fracasso na Taça de África das Nações, no Egipto, em que o combinado nacional não passou sequer da primeira fase, Angola voltou a experimentar outro dissabor na corrida ao CHAN de 2020, que vai ter como palco os Camarões.
Srdjan Vasiljevic declinou, na altura, a responsabilidade de orientar o conjunto nessa campanha e a solução encontrada pela FAF, foi “remediar”, passo o termo, a situação com a indicação da dupla técnica José Silvestre “Pelé”/Arsénio Cabungula “Love”.
A dupla liderou a equipa nacional no jogo diante da congénere da eSwatini (ex-Reino do Botswana), para a preliminar de acesso aos grupos de apuramento, mas tendo o conjunto caído aos pés deste adversário. Mesmo não sendo a selecção da eSwatini um adversário do quilate de Angola, ainda assim, os Palancas Negras somaram mais um fracasso, caindo aos pés deste adversário na lotaria das grandes penalidades. Este afastamento do conjunto nacional, na competição reservada apenas a jogadores que evoluem nas provas internas dos respectivos países, constituiu um autêntico balde-de-águia fria para a nossa selecção. Angola falha, assim, o objectivo que se propunha atingir nesta competição em que já foi vice-campeão. Foi uma autêntica hecatombe. Mas também convenhamos, que foi um castigo merecido para Selecção, que nada fez para justificar a sua supremacia sobre um adversário, que até é de quilate inferior.
Agora, com todo este quadro negativo que se pinta em torno dos Palancas Negras, resta saber se a alternativa encontrada pelo elenco de Artur de Almeida e Silva para o jogo com a Gâmbia, a 6 de Setembro, e referente a preliminar de acesso a fase de apuramento ao Qatar 2022, há-de sortir os efeitos desejados. Pedro Gonçalves, que vem fazendo um excelente trabalho com a Selecção de Sub-17, é o técnico indicado interinamente e que vai dirigir o conjunto nesta eliminatória.
O técnico português, depois de conduzir os Palanquinhas na brilhante campanha no CAN de categoria, que aconteceu este ano em Dar-Es-Salaam, Tanzânia, tem ainda pela frente e mais concretamente dentro de pouco mais de um mês e meio, a responsabilidade de conduzir o conjunto no Mundial, que vai decorrer no Brasil.
A equipa nacional de Sub-17 ganhou o direito de competir no Campeonato do Mundo da categorial, graças ao terceiro lugar alcançado em Dar-Es-Salaam. Caso, efectivamente, Pedro Gonçalves entre nas opções da FAF como seleccionador nacional de honras, pode, de certo mdo, matar o projecto que se vem desencadeando no seio da equipa de Sub-17. Julgo ser importante que se encontrem alternativas, mas sem prejudicar os projectos dilineados. Sérgio V.Dias

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