Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um Despacho oportuno do Presidente da Repblica

26 de Agosto, 2019
Eu acho que o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, foi certeiro no seu Despacho Presidencial n.º 148/19, em que autoriza a despesa e a abertura do procedimento de contratação simplificada pelo critério material, para a adjudicação, no Regime de Concepção dos Contratos de Empreitada, de Reabilitação do Estádio 11 de Novembro com diversas empresas. Vai haver mais fiscalização, mais rigor ao mérito e à qualidade técnica do estádio, mesmo que seja tardia a acção. E é bom porque, depois, a iniciativa poderá estender-se a outros três estádios; em Benguela, Cabinda e Huíla. Há dias o actual presidente do Conselho Jurisdicional da FAF, José Carlos, disse, tristemente, que não compreende o por que razão aos Palancas Negras foi-lhes rejeitada a possibilidade de treinar no estádio - por supostas más condições naquele gigante infra-estrutural - mas, afinal...a primazia dos gestores foi alugar o local para cultos de testemunhas de Jeová... Muito sentido, José Carlos apelou às autoridades políticas e desportivas do País, no sentido de terem outros olhos de ver a uma questão como essa, porque muito séria. Se o Presidente ouviu-o, ou não, a verdade é que com o citado Despacho acertou na mosca, como se diz. Sabemos que em Luanda, Cabinda Benguela e Huila, ora tempo sim, ora tempo não, correm sempre oficiosamente informações sobre a necessidade de se voltar a submeter em restauração os estádios nacionais que serviram o CAN de 2010 . Não só as relvas, mas o conjunto total das infra-estruturas. Quando os estádios foram concebidos para o CAN de 2010, disseram ao povo que eram alegadamente para durar longo prazo. Como não durou, então, de algum tempo a esta parte, vão...de remendo a remendo. Isto condói-nos! Porque não se está a tirar o devido usufruto dos milhões de dólares norte-americanos investidos nas construções. E, no meio disto, há igualmente a barafunda a ocorrer quanto à ausência de gestões perfeitas de tais monstros que tinham sido adjudicados, portanto, directamente, a consórcio formado por empresas como a Urbinvest, Arup Sports Arquitects e Mário Sua Kay Arquitecto só para citar estas. Mas um dia saber-se-à quem são os donos, como e para quê surgiram rapidamente tais empreiteiras.
Assim, por junto e tacado, achamos que, no fundo, a questão da gestão dos quatro estádios continua ainda na ordem dia: sem a definição de quem tem capacidade certificada para fazer render altas receitas ao Estado e este ver-se reconpensado o que investiu. Este desaproveito vem de há nove anos, mas agora que financeiramente o Estado parece estar em \"banca rota\" no capítulo de fundos e receitas, os dirigentes desportivos do País ligados ao desporto no geral e ao futebol em particular continuam adizer, em justicações recorrentes, que vão ser lançados outros concursos públicos, buscar parceiros privados que tenham capacidade, que tenham know how, que tenham experiência e, obviamente, que tenham disponibilidade e vontade de conferir outro aproveitamento e gestão modernas. Perdeu-se já a conta das vezes que afirmações como estas. Antes da actual ministra Ana de Scaramento e do seu antecessor Albino da Conceição, já ouvi, por exemplo, Gonçalves Muandumba a dizer coisas do arco da velha, com também se diz. Não estamos aqui a fazer política, mas podemos recordar o que disse na altura:
\"O Presidente da República ( na altura José Eduardon dos Santos) autorizou uma solicitação nossa no sentido de instalar uma comissão que vai fazer estudos para a gestão dos novos estádios de futebol\". A verdade é que, até que houve a transição política à frente do Estado em 2017, e ainda nestes dias, nada se vê. Nem para o estádio da capital que tem a capacidade para 50 mil espectadores, nem Benguela (35 mil), nem Huíla e nem Cabinda com 20 mil cada. Já escrevemo sobre a urgência de um estudo profundo ao que se passou com todas as empreitadas e às dificuldades de gestão actuais. Defenemos que devia ir-se a Benguela ver se ainha havia teias ligas à China National Electronics Import & Export Corporation. Ir à Huila constatar se ainda havia teias do consórcio constituído e integrado pela Arquidesign - Projectos e Empreendimentos, Cogedir - Gestão de Projectos, Somague, Engenharia Angola e Mota-Engil e, enfim, deslocar-se a Cabinda e lá conferir a obra feita pelo consórcio formado pela Coreangol - Engenharia e Construção e a AA - Arquitects & Associates... Afinal...s quatro estádios orçaram 600 milhões de dólares.
Um dia, repita-se, saber-se-à quem são os donos e como e para quê surgiram estas empreiteiras... E, portanto, o Despecho do Presidente da República traz sim outra lufada de ar fresco a “gigantes” que não podem continurar-se a degradar-se como se fossem meros elefantes brancos!
António Felix

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