Jornal dos Desportos

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Opinião

Um doce fruto da liberdade

18 de Maio, 2017
O dia 18 de Março de 1930 marca o inicio da prática do basquetebol em Angola, tendo o mérito de ser impulsionador desta modalidade por cá atribuído ao capitão do exercito português Pina Cabral.

Entretanto, o Professor Vitorino Cunha revela, de forma categórica, que o desenvolvimento real do basquetebol praticado em Angola ocorreu apenas após o alcance da independência nacional, assente num projecto baseado em três pilares fundamentais – visão, estratégia e liderança.

Cinco anos após conquista da independência nacional, num período em que a jovem nação ainda procurava afirmar-se no contexto global no campo social, politico e económico, acontece a primeira grande conquista do basquetebol angolano. Em luanda, num jogo épico contra uma grande potência do basquetebol africano de então, a República Centro Africana, conquistamos o nosso primeiro campeonato africano na categoria de juniores.

Foi em 1983 que chegamos ao podium do basquetebol africano pela primeira vez, ocupado o segundo lugar no campeonato africano disputado na cidade Egípcia de Alexandria, para nunca mais daí sairmos ao longo de 35 longos anos. O saudoso professor Vladimiro Romero foi o treinador principal da selecção nacional.

Com a conquista do segundo lugar no campeonato africano de Abidjan em 1985, Angola teve a oportunidade de estrear-se no ano seguinte em competições mundiais, tendo realizado logo no inicio da sua participação um jogo memorável contra a sua aliada politica e desportiva da época, a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, uma das principais potencias da modalidade.

Nos jogos panafricanos de Nairobi em 1987 acontece a nossa primeira grande conquista em seniores masculinos. Era uma ocasião em que jovens angolanos desta mesma geração hasteavam a Bandeira Nacional pelos famigerados campos de combate de Kuito Kuanavale, defendendo-os com bravura de uma invasão estrangeira protagonizada pelas tropas pertencentes ao ignóbil regime do Apartheid da Africa do Sul.

Foi num contexto histórico de profundas alterações políticas, económicas e sociais no mundo inteiro, eram, portanto, os tempos do SEF (Programa de Saneamento Económico e Financeiro) entre nós, da Perestroika na antiga União Soviética e da queda do muro de Berlim na Alemanha que acontece em 1989, aqui em Luanda, a conquista do nosso primeiro afrobasquete sénior masculino.

Viveram-se momentos de grande euforia e exaltação patriótica, pois os nossos valorosos atletas venceram o todo poderoso Egipto por 27 pontos na final, para além de terem sido absolutamente implacáveis em todos os jogos disputados nas fases antecedentes, bridando o mundo do basquetebol com uma qualidade de jogo nunca antes vista nas quadras do continente africano.

Os jogos olímpicos de Barcelona em 1992 marcaram a nossa estreia nesta competição, tendo então ocorrido uma inesperada vitória de uma jovem nação com 17 anos de independência que de forma categórica derrotou a anfitriã selecção Espanhola por 20 pontos de diferença, praticando um basquetebol com refinadíssimos requintes técnicos. A FIBA MUNDO regista este jogo como sendo um dos 50 grandes momentos da história do basquetebol mundial ( a imprensa internacional passou a tratar a equipa nacional por “Miracle Team”).

A nossa selecção nacional seniores masculina é actualmente a vigésima terceira classificada no ranking da FIBA, sendo inquestionavelmente a melhor selecção africana: conquistamos 11 medalhas de ouro em afrobasquetes, competimos em cinco jogos olímpicos : Barcelona, Atlanta, Sidney , Atenas e Beijing e em 8 campeonatos do mundo.

Por seu lado, o nosso basquetebol feminino também vai se afirmando numa trajectória igualmente de gloriosas conquistas para o país, que se iniciou com a conquista do campeonato africano de Juniores no Senegal em 1999.

Doze anos mais tarde (em 2011), em plena cidade de Bamako, sob o olhar silencioso dos griots malianos, as nossas bravas guerreiras “chocaram” o continente conquistando pela primeira vez o campeonato africano de seniores femininos, derrotando na meia final a equipa anfitriã e, de seguida, a toda poderosa selecção senegalesa, então detentora do trofeu.

No ano de 2013, na pátria irmã de Samora Machel, as nossas briosas atletas, apelidadas de “Filhas de Njinga Mbandi” , conquistaram pela segunda vez consecutiva a competição num jogo de grande emoção em que Angola venceu graças ao carácter e a grande vocação vitoriosa das nossas bravas meninas, alias, características comuns deste povo nobre e generoso.

Não há dúvidas que esta trajecto de mais de 30 anos de ininterruptos sucessos desportivos do basquetebol angolano em Africa e no mundo proporcionaram a divulgação de uma imagem positiva do povo angolano além fronteiras, uma imagem de gente corajosa e gloriosa, capaz de superar as enormes barreiras impostas por um longo e injusto conflito armado.

Decorridos 41 anos de liberdade e total soberania, não é uma obra de mero acaso que ANGOLA seja actualmente reconhecida unanimemente como sendo o “PAÍS DO BASQUETEBOL EM AFRICA”. Viva Angola.
Ngouabi Salvador - *Funcionário sénior do MINF

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