Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Teixeira Cndido

Um elogio que cabe a poucos

24 de Dezembro, 2018
Muito poucos dirigentes actuais caberiam na galeria na qual se encontram pessoas como Armando Machado, ex-presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), arquitecto das presenças inaugurais dos Palancas Negras no CAN (96 e 98). Nunca vi jogar uma equipa igual àquela comandada por Carlos Alhinho e Paulão, assistido por outros como Ákwa, Joni, Carlos Pedro, Quinzinho e tantos outros. Armando Machado transpirava futebol pelos poros. Deixou o seu legado. Com quase tostões construiu uma sede e um hotel para as selecções nacionais. Nas últimas duas décadas vimos surgir um número reduzidos com a mesma natureza. Um desses é o presidente da Federação Angolana de Andebol, Pedro Godinho. Um ex-andebolista, que vive a modalidade. Infelizmente vai se recolher, pois entende ter chegado a hora. Tocou o sino, diriam uns. Quando pessoas comprometidas como ele deixam o dirigismo, qualquer sensato coloca as mãos à cabeça. Se possível fabricar dirigentes era imediatamente encomendar uma cópia tal e qual. Mas cada homem é um só. Como dizia o meu professor de Cristianismo e Desenvolvimento, padre António Rodrigues, é um ser uno e irrepetível, feito de matéria própria. Apesar de sermos feitos todos à imagem e semelhança de Deus, somos de facto únicos. O desejo no entanto é de que possa a Federação Angolana ter a mesma sorte. Felizmente o andebol é daquelas modalidades que mantém a sua estrutura, tem sempre viveiros à altura. Quanto a isso parece existir poucos receios. Felizmente o Petro de Luanda e o 1º de Agosto têm podido garantir a sobrevivência da modalidade, acompanhados por pequenos equipas do interior, como Benguela por exemplo. Pedro Godinho devia inclusive ser preparado para concorrer ao cadeirão máximo da modalidade no continente. Como penso por exemplo que Tony Sofrimento no basquetebol devia ser igualmente um dos candidatos para o basquetebol africano. Não faz sentido Angola estar afastada dessas confederações, somos a principal bandeira dessas modalidades. Issa Hayatou, apesar do seu eterno consulado, fazia sentido ter estado na CAF ou não fosse oriundo das principais nações futebolísticas do continente. Como podia ser um nigeriano, senegalês, ghanês ou um egípcio. Eles fazem por isso. Como Angola o faz nas duas modalidades. Por que razão não nunca tivemos um presidente nestas confederações. Que se invista o necessário para estarmos lá.

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