Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um empreendedor

13 de Fevereiro, 2020
São de aplaudir algumas iniciativas empresariais de agentes privados ligados ou não ao sector desportivo. A notícia, segundo a qual a Fundação Norberto de Castro vai investir na construção da fábrica de material desportivo é, realmente, de louvar. Pois, vem revitalizar uma área que há muito hibernou, o que será bastante benéfico para os fazedores do desporto.
É sabido que em tudo o país ficou refém de importações. E o desporto não foi excepção. Todo material chega de fora, a começar pelas bolas, raquetes de ténis, uniformes etc, etc. Isto tem feito com que os gestores desportivos se submetam a uma série de ginásticas para a obtenção de divisas, que permitam fazer tais despesas no mercado externo.
Depois que a York (Huambo) e da Armag (em Luanda), viram-se forçados a encerrar as suas unidades fabris, a aquisição de material desportivo passou a depender completamente do mercado externo. É evidente, que mesmo com a produção interna em alta há sempre quem prefira produto made in Portugal, Holanda, França ou outro destino. Mas isto é opcional.
A esmagadora maioria, e, às vezes, em função da sua condição financeira ou de privilégio à política de parcimónia, prefere sempre o nacional, livre de impostos aduaneiros e de outros encargos financeiros. Quando tudo depende da importação a começar por um simples stick, fica difícil levar avante a política de massificação.
Norberto de Castro, depois do sucesso no campo de formação, a olhar pelos frutos da sua escola projectados no futebol nacional, dá evidências da sua apurada visão de empreendedorismo. Se calhar, com os olhos mais voltados para a necessidade de melhor servir o desporto, vê-lo noutro patamar, do que para os lucros que o negócio pode vir a proporcionar.
A Fundação Norberto de Castro, que nunca foi reconhecida como Instituição de Utilidade Pública, marca mais um passo significativo no quadro das acções, que tem vindo a desenvolver a favor das comunidades. O desporto sairá vitorioso, quando aquilo que hoje se consegue com muito esforço e exercício, poder ser adquirido internamente.
Sem avançar custos e capacidade instalada, a fábrica vai produzir material desportivo para várias modalidades, como bolas, calções, meias, camisolas, sapatilhas, fatos de treino. De acordo com a expectativa do patrono da Fundação Norberto de Castro, caso não surjam imprevistos, a fábrica entra em funcionamento dentro de uma ano.
Outro lado positivo da iniciativa, está na particularidade de quando a fábrica entrar em funcionamento poder oferecer postos de trabalho à massa juvenil, numa altura em que o índice de desemprego anda em alta no país. Portanto, está aqui um projecto que não só deve ser aplaudido, mas como também ser apoiado na sequência da sua implementação.

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