Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um exemplo de superao

10 de Novembro, 2018
Depois de sagrar-se vice-campeã em 2014, Angola não deixou os seus créditos em mãos alheias na edição deste ano do Mundial de Futebol Adaptado, conquistando o título da prova disputada na cidade mexicana de Guadalajara. Por essa razão, o nome da Nação continua a fazer eco por todo mundo, depois da retumbante vitória na final da competição sobre a similar da Turquia, por 5-4, na lotaria das grandes penalidades.
Se por um lado, há quatro anos o combinado nacional já havia deixado um sinal da sua grande capacidade no torneio que se disputou igualmente nesse país latino-americano, desta vez provou o corolário do trabalho que vem sendo a nível do desporto paralímpico e do futebol para amputados a título particular. E diga-se, de passagem, fê-lo com grande mestria e fruto da bravura da rapaziada às ordens Augusto Baptista Sucumbula.
E foi no aproveitar que esteve o ganho da equipa nacional, que demonstra, assim, um exemplo de superação, como prontamente profetizou o Presidente da República, na mensagem de felicitações endereçada ao conjunto pela conquista. João Manuel Gonçalves Lourenço qualificou a conquista do título como “um feito transcendente e inédito do nosso desporto”, que enche de orgulho o Povo Angolano.
O Mais Alto Mandatário da Nação transmitiu, assim, vivas felicitações aos valorosos integrantes da selecção, que como frisou, bateu-se estoicamente no México, assinalando-se, daí, um “percurso vitorioso que os resultados e as estatísticas confirmam de modo inequívoco”. A Selecção Nacional que na fase inicial deste Mundial de Futebol Adaptado competiu no Grupo D, ao lado da Espanha, Ucrânia e Haiti, obteve, durante o seu percurso na prova, seis vitórias em sete dos jogos disputados.
Por isso mesmo, a conquista obtida na edição deste ano do Mundial de Futebol com Muletas valoriza o esforço desenvolvido por diferentes estruturas do estado angolano, com vista a reinserção dos cidadãos com deficiência, como acrescentou João Lourenço. O exemplo de superação e firmeza demonstrada nos relvados mexicanos pelos integrantes da selecção, na perspectiva ainda do Chefe Estado, deve inspirar a juventude angolana. Isso é inquestionável, se tivermos em conta a bravura destes rapazes.
O percurso glorioso dos angolanos neste Mundial de Guadalajara iniciou com um gordo triunfo na primeira fase sobre a Ucrânia por 4-0, seguidos de outro sobre a similar da Espanha, por 1-0, ao passo que diante do Haiti baqueou, perdendo por 1-2. Nos oitavos de final a equipa nacional venceu a Itália por 2-0 e nos “quartos” precisou do recurso à lotaria das grandes penalidades, para superar a Polónia, a quem vergou por 6-5.
Já nas meias-finais, Angola viu cruzar-lhe no caminho o Brasil, outro país lusófono que desfilou no certame, e a quem venceu por 2-0, no tal duelo que antecedeu à final inédita diante da Turquia, no Estádio de Santa Lucia, no município de San Juan de Lagos, onde a equipa nacional foi mais lesta ao vencer na marca das grandes penalidades por 5-4. Angola inscreveu, desse modo, o seu nome com letras garrafais neste evento.
E de facto, nestas horas faltam palavras para descrever o quão significativo é a vitória dos nossos futebolistas com muletas para o país, África e acima de tudo para o desporto paralímpico, no geral, que se vem confrontando com uma série de dificuldades intramuros. Por essa razão, a conquista obtida no México serve de motivo catalisador para a atenção especial que deve ser dada aos portadores de deficiência, pois apesar dessa condição têm dado muitas alegrias para o país e não só.
E não é em vão que temos hoje marcas de registo memorável a nível do desporto adaptado, como é o caso particular do atletismo onde José Armando Sayovo, colecciona várias medalhas de ouro de Jogos Paralímpicos, e para não se esquecer do basquetebol em cadeiras de rodas, onde Angola vem dando também muito boa conta de si. Portanto, o feito de Guadalajara deve servir de incentivo para esta franja da sociedade, que no seu dia-a-dia apesar do estigma da rejeição em muitos casos, tem sabido demonstrar o verdadeiro exemplo superação e de grande estoicismo.
Aliás, Angola como uma Nação do Desporto tem a obrigação de acolher os seus filhos sem distinção de cor, etnia, crença religiosa, política e a nível de outras esferas da vida social. A união entre os filhos desta pátria, que por anos a fio chegaram a enfrentar uma das mais prolongadas guerra da história do mundo deve ser hoje imperativo na Nação, do Mar ao Leste e de Norte ao Sul. Somos um povo especial e nesta nova era que o país enfrenta temos de demonstrar um verdadeiro exemplo de quem corre em busca do progresso. E os nossos compatriotas, que se bateram de forma estóica em Guadalajara, são um exemplo disso que caracteriza o verdadeiro angolano.
E por isso nunca é demais recuar no espaço e tempo para descrever o velho slogan de que Angola é una, indivisível e trincheira firme da revolução em África.
Daí, quer seja pela via do desporto, como agora acontece em que estamos na boca do mundo pela conquista de Guadalajara, quer seja por outras assinalavelmente como acontece no campo político, do turismo e isto só para citar alguns casos, vamos tendo o estatuto de um povo especial. De resto, é inquestionável o tributo dado aos nossos bravos rapazes, que na passada quinta-feira foram recebidos em apoteose no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda. Deve-se, enfim, prestar a devida homenagem a estes heróis do desporto adaptado dentro das nossas fronteiras e bem-haja para todos aqueles que directa e indirectamente contribuíram para este feito de Guadalajara… Sérgio V. Dias

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