Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um gigante de papel

27 de Setembro, 2016
Eu não quero crucificar este ou aquele elemento da equipa. Só desejo que o Progresso volte a ser aquela equipa muito mais batalhadora, jogar um futebol fluído como o que vi do conjunto de 1976, com Luís Cão, Bonito, Augusto Pedro, Ginguma, Eduardo André, Lino, Praia, Santinho, Jaime, Ferreira Pinto e outros e que disputou a final do célebre torneio da Agricultura contra o 1º de Agosto, que tinha Ângelo, Lourenço, Manico, Sabino Mateus César, Zeca Chimalanga, Luvambo, Garcia e outras grandes estrelas.

Aquele Progresso que não temia o Escola do Zangado, onde pontificaram estrelas como Lourenço Bento, Dinis, Antoninho Parte os Cornos e outros, uma dia vergados por 5-0, quatro deles da conta de Santinho....

Houve jogadores de outras equipas "daquele tempo" que sonhavam alinhar pelos sambilas. Eu miúdo ainda ouvi dizer da cobiça de craques como o Paulo Kassoma que era do Clube Atlético de Luanda onde também estava o Nandó (o falecido radialista Rui de Carvalho alcunhou-lhe de BMW, por ser muito veloz), Carlos Queirós, Luís Cão "Confiado" (esse já falecido, chegou ao Progresso aos17 anos e já era o guarda-redes principal do Atlético), o Santana Carlos (pai do Santana goleador- mor do Gira/2008), o Keré, o Henriques Júnior (que foi Governador do Cuanza Norte) e tantos outros que sonhavam com o clube sambila.

É que, quando com o "amor" dos seus adeptos, dirigentes, sócios atletas e treinadores o Progresso do Sambizanga regressou em 2011 ao Girabola, já com a gestão do presidente Paixão Júnior, inicialmente, a meta era a de ficar entre os oitos primeiro classificados e, então, em 2013 - que, meus senhores, já passou há quase três anos atrás! - seria ser campeão nacional. Lindo sonho!

O presidente tinha dito: “Já tive a oportunidade de dizer à imprensa que o nosso primeiro grande objectivo no Girabola depois deste nosso regresso é ficarmos entre os oito primeiros lugares”.

Para si o Progresso deveria dosear as suas metas em cada época e em 2012 seria então o quinto lugar e depois ganhar força para o título da temporada seguinte. Isto é, em 2013 vestir as faixas de campeão.

E disse mais: “Não queremos ter um grupo de jogadores com nomes famosos. Precisamos de um grupo forte e coeso, que trabalhe em função do colectivo, que cumpra rigorosamente os planos de treinos”.

O que falta então até hoje ao Progresso? Precisará de outros jogadores? Outros treinadores? Outro...presidente?
Certa vez o menino do Sambila que é o Mantorras - este mesmo que brilhou pelo Sport Lisboa e Benfica - revelou : "é um sonho que tenho certeza que irei realizar. Na altura certa vou anunciar tudo isso. Quando voltar para Angola, a equipa onde quero acabar a minha carreira é lá, no Progresso, e ser presidente”.

Mas, pronto, hoje, contas feitas, à frente do Progresso já estiveram "êne" presidentes e nenhum deles deixou o cargo a cantar vitórias por um título. Será este também o "azar" de Paixão Júnior. Mas porquê? O Progresso é apenas como um gigante de papel?

Paixão Júnior já apostou na contratação do técnico David Dias, depois do bom "show" que este deu ao serviço do Caála, onde foi vice campeão. Ficou... a ver navios.

Investiu em Lúcio Antunes, sem sucesso, e é o que está a acontecer também agora com o técnico Albano César, na medida em que - e todos reconhecem isso ! - a equipa está a dar a ver resultados negativos para o fim proposto.

Os objectivos fixados mais uma vez para este ano resumem-se no alcance de pelo menos o quinto lugar. Faltam ainda cinco jornadas e só está na oitava posição. O que se passa, afinal, com a equipa?

Alguns adeptos sustentam que o elo mais fraco é a equipa técnica. Os treinadores, por seu lado, não se cansam de repetir que o problema está com os jogadores, por continuarem, sistematicamente, a falhar na execução da finalização. Só isto?
António Félix.

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