Jornal dos Desportos

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Opinio

Um gigante do desporto angolano

08 de Fevereiro, 2018
“ A duração da nossa vida é de 70 anos, Ou 80 anos, para os mais fortes. Todos esses anos são repletos de dificuldades e tristezas. Passam depressa e logo desaparecemos\". Quão verdadeiras são as frases que encontramos na palavra de Deus, a Bíblia, no salmo 90:10.
Isto implica dizer, que chegar aos setenta anos de idade é sinal de que o homem está preste a terminar a sua “estada” na terra.
Nesta fase da idade, as dificuldades aumentam: visão cada vez mais fraca, dores em toda a parte do corpo e assim por diante.
Entretanto, em Angola temos um homem que “chegou ao Mundo” em 1922, está actualmente com 95 anos de idade mas exibe um vigor físico incomum. No passado fim - de - semana, nas comemorações do 57º Aniversario do 4 de Fevereiro, ele simplesmente fez um percurso de 34 km de bicicleta, em 1h34 minutos!
Este homem atende pelo nome de Alberto Silva, mais conhecido por “Pepino” no mundo do desporto. Desde muito jovem, que Pepino se dedicou ao desporto, especialmente no atletismo, em que foi um grande impulsionador da modalidade em Benguela.
Na década de 70, Pepino era futebolista, passou a desafiar tudo e todos com grandes maratonas de atletismo, entre Benguela e Huambo, para ganhar uma aposta de 100 mil contos, na época qualquer coisa como três mil dólares.
Em 1975, Pepino fez uma das suas maiores façanhas, ao correr de Benguela a Luanda por ocasião da Independência Nacional, por isso, ganhou a simpatia de todo o povo angolano. Atordoados e incrédulos com a façanha, alguns diziam que o homem fazia-se transportar num Leão invisível, e outros simplesmente diziam que não era ele quem corria, mas a “alma de outro Mundo” que se transformava nele, porque Pepino vende(ia) caixões.
Tudo isto, porque o que Pepino fazia e continua a fazer até hoje, é algo incomum num ser humano. A verdade é que o homem não nasceu super dotado. Quem teve o privilegio de privar com Pepino, sabe que o seu vigor deve-se, especialmente, ao que ele come e bebe.
Aliás, a ciência provou que a nossa vida depende do que comemos e bebemos. O elevado grau de disciplina, em termos alimentares, de comportamento social, uma vida bem regrada, são o grande “ feitiço” que Pepino usa para manter a jovialidade.
As actividades de Alberto Silva, não se limitaram ao atletismo, uma vez que no limiar dos anos 80 passou viver as aventuras em cima de uma bicicleta, a fazer trajectos muito semelhantes ao que fazia no atletismo, por três vezes cobriu a distância entre Benguela e Luanda com a média de 30 quilómetros.
Em 2009, aos 87 anos de idade, Pepino participou nos jogos Olímpicos da terceira idade que se disputaram na Califórnia (Estados Unidos da América) uma competição que se realiza entre praticantes de várias modalidades, com idades compreendidas entre os 50 e os 100 anos, em que fez boas marcas.
Em 2013,com 91 anos de idade, na sua segunda participação, também nos Estados Unidos, arrebatou duas medalhas de ouro, em percursos diferentes, o que causou muito espanto aos demais participantes por terem sido superados por um africano, que normalmente têm uma condição de vida precária e por isso, não ser normal a sua prestação nos referidos jogos.
Antes, em 2005, aos 83 anos de idade, a velha lenda do ciclismo e do desporto em geral percorreu cerca 550 km de Luanda a Benguela, para solidarizar-se com as crianças angolanas que vivem com o vírus do HIV/Sida.
Aos 87 anos, voltou a fazer o mesmo percurso, para entregar uma carta da Federação Angola de Ciclismo, em que o nome da FACI e dos seus associados naquela instituição desportiva enaltecia os esforços empreendidos pelo ex- presidente da República, José Eduardo dos Santos, no alcance da Paz e Reconciliação Nacional.
Por isso, Pepino, não é só um excelente exemplo para os desportistas em geral. Porém, a forma como leva a vida, é sem sombra de dúvidas um grande exemplo para todas as pessoas.
Qualquer pessoa pode beneficiar, por seguir o exemplo de Pepino, quer seja desportista ou não. Alem do mais, o tempo em que ele anda na terra, tem experiência suficiente a passar aos mais jovens.
Por isso, em minha modesta opinião, a única forma que este país tem para agradecer e homenagear o nosso gigante, é pôr a FACI a institucionalizar uma prova de dimensão nacional ou internacional, denominada “qualquer coisa… Pepino.
É óbvio que não temos outra forma de agradecer ao \"gigante\" do nosso desporto, a não ser uma homenagem por tempo indeterminado. Assim, a bola está nas mãos da FACI ou seja nas mãos da sua presidente, Cremilde Rangel e seus parceiros directos, a saber Justiniano Araújo e João Francisco, a este último, desejamos rápidas melhoras, depois da doença lhe bater à porta.
Augusto Fernandes

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