Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um Imbondeiro do desporto h 24 anos

27 de Janeiro, 2018
Não se afigura fácil falar do Jornal dos Desportos. Ou melhor, é difícil fazer um retrato do que é o percurso deste “imbondeiro” do desporto, há 24 anos. O Jornal dos Desportos tem uma trajectória invejável, que merece uma grande vénia e reverência.
Falo com algum conhecimento de causa, porque sem ousadias nem falsas modéstias, faço parte da “mobília” da casa e julgo ser dos que também viu plantar o “imbondeiro”, no surgimento deste projecto. Na altura, saiamos do Suplemento Desportivo do Jornal de Angola, e por necessidade estratégica concluiu-se que se devia fundar um semanário que acudisse especificamente à demanda desportiva, como fenómeno social de grande intervenção. Surgia assim, o Jornal dos Desportos, que teve à cabeça, primeiramente, Victor Silva, o actual PCA, e cerca de três a quatro anos depois, Policarpo da Rosa “Man Poly”.
No elenco, havia grandes nomes, uns recrutados a mão e a dedo, porque tinham dado provas profissionais num dos maiores projectos do jornalismo desportivo que à época já revolucionara o “metier”, falamos do Jornal Desportivo Militar (JDM). Penas, como as de Silva Candembo, Caetano Júnior, Matias Adriano, António Felix, Gil Tomás e Muanamossi Matumona, para além das de Fontes Pereira e António Ferreira “Aleluia”, deram o inicial corpo à árvore plantada e que com o tempo transformou-se num autêntico imbondeiro.
Ao longo do tempo, surgiram outros jovens “turcos”, com irreverência profissional de tirar o chapéu, como Pedro Augusto, Mário Eugênio, Béu Pombal, Melo Clemente, Amândio Clemente, Honorato Silva, Fernando Cunha, Morais Canâmua (eu que vos escrevo), Josefa Tomás, João Carmo, enfim, uma fornalha de “entusiastas” (no bom sentido!) ávidos de aprenderem mais e mais, mergulharam num projecto que todavia engatilhava. Temos de dizer que poucos acreditavam que desse certo, porquanto, a própria capacidade técnica da empresa pouco ajudava no que era a volúpia deste conjunto de “aventureiros”, que insistiam em “aturar” as insistências do Aleluia Ferreira, então chefe de redacção, quão líder muitas vezes mal-entendido. Hoje, para recuar na nostalgia do tempo, chegamos à conclusão que A. Ferreira era o homem certo para o lugar certo e no tempo certo. Eramos felizes e nem sequer sabíamos…
À época, escrevíamos em máquinas de dactilografar e em “linguados” (folhas de papel próprias onde redigíamos os textos). Fui dos primeiros correspondentes, senão mesmo o único na altura, que me encarregava de cobrir as províncias do Sul, Huíla, Namibe e Cunene. Eu próprio aproveitava a minha condição militar, para na base das várias missões que cumpria naquelas paragens, executá-las duplamente. Foi de facto muito difícil, mas vencemos.
Os textos eram enviado por fax ou via telex ou ainda, em ocasiões de aflição e muita urgência, ditados ao telefone, na altura, fixo. Em bastas ocasiões tivemos de sair do Estádio “maguelados” em motorizadas, até às instalações do Jornal para dactilografar a crónica de jogo e depois “aturar” as manhas do fax, já que a rede era pouco consistente, daí, as quedas sucessivas do sinal. Era assim. Em Luanda, na redacção central do JD, A. Ferreira ou Fontes Pereira ficavam à espera do material, por vezes perdiam a paciência, sem razão aparente. Eram as tecnologias arcaicas que usávamos. Modesta e humildemente ao longo do tempo e do percurso, fiz emergir outras penas que vieram a tornar-se ramos fortes do nosso “imbondeiro”. São os casos de Sérgio Dias que tive o grande prazer de instruir, que se tornou correspondente do título, no Namibe; de Joaquim Suami, correspondente do JD, em Cabinda; de Gabriel Batalha Ulombe, correspondente no Huambo; Manuel de Sousa, que depois foi substituir o Sérgio Dias no Namibe, Gaudêncio Hamelay e Benigno Narciso que vieram a ser os continuadores fiéis da correspondência na Huíla, até aos dias de hoje.
A continuidade, da progressão do Jornal dos Desportos, estava a ser assegurada. Não é em vão que hoje se mantem robusto, como o imbondeiro que é, para o desporto nacional. Aliás, ao logo destes 24 anos, o “filho” das Edições Novembro procurou sempre ser baluarte do desporto nacional, preencher os seus espaços, criticar construtivamente, apontar soluções, enfim, participar inclusive na democratização que caracteriza esta vertente social, proporcionando-lhe sempre um lugar de destaque e referência obrigatória na conjuntura dos que erguem a bandeira para o desenvolvimento e crescimento qualitativo do desporto. Os 24 anos que este título completa no próximo dia 31, e que aqui, de forma antecipada saudamos, não podem nem devem passar despercebidos áqueles que se identificam com o Desporto. Deve servir de ponto de reflexão e também fonte de inspiração de outras vontades, conjugação de esforços para que em tempo de crise, possamos emergir o espírito criador para continuar a inovar e a empreender.
Já fomos bissemanário, depois passamos a diário e hoje por razões óbvias, embora de forma temporária, passamos a sair três vezes por semana. Ainda assim, não procuramos um lugar ao sol, o próprio Sol é que nos guarda o lugar. Temos créditos firmados, graças ao empenho de um punhado de jovens e alguns kotas, que insistentemente se afincam para manter o Jornal nas bancas, com a qualidade que o mercado exige. Falo de António Júnior, Melo Clemente, Betumeleano Ferrão, Valódia Kambata, Álvaro Alexandre, Jorge Neto, Rosa Panzo, Rosa Napoleão, Augusto Panzo, Manuel Neto, Paulo Caculo, Avelino Umba, sem esquecer obviamente, dos fotógrafos José Cola, Nuno Flash, José Soares, Paulo Mulaza, Miqueias Machangongo; os Designers e a nossa secretária de redacção, a Elizabeth do Espírito Santo, enfim, toda uma equipa…
Uma homenagem significativa aos nossos camaradas, que já partiram para outra dimensão da vida, e que muito contribuíram para que o título fosse o que é hoje. O Gil Tomás, o Muanamossi Matumona, Sardinha Teixeira, o Rosa, o nosso “rapazito” Papin, enfim, e outros que ajudaram a erguer o “imbondeiro” do desporto nacional.
Parabéns, Jornal dos Desportos!
MORAIS CANÃMUA

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