Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Teixeira Cndido

Um lugar na histria

31 de Março, 2015
Defendi há dias, mais do que premiar as selecções nacionais que se destaquem no continente ou fora dele com prémios convencionais, o melhor era perpectuar os feitos das selecções de outro modo. Por exemplo, sugeria que algumas ruas de Luanda ou de outras cidades pudessem ganhar nomes de atletas que se destacaram nas mais diversas modalidades, como José Sayovo, Jean Jacques da Conceição, Ilda Bengue ou Palmira Barbosa, ou de treinadores como Victorino Cunha ou Oliveira Gonçalves.

Porquê? Considero que o desporto tem um lugar sagrado na história do nosso país. O desporto foi e continua a ser um grande veículo de afirmação, no contexto das nações africanas e não só. Ontem, mais do que hoje, o desporto chegou a ser um verdadeiro “embaixador” do país, hasteou a Bandeira Nacional onde a diplomacia chegou, depois. A vitória da Selecção Nacional basquetebol masculina frente a Espanha, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1982, fez a propaganda do país como nunca.

A qualificação dos Palancas Negras para o Mundial de 2006, na Alemanha, mereceu referência nos mais importantes países do mundo. Nunca a curiosidade dos cidadãos estrangeiros (em particular a imprensa) foi tão atiçada para conhecer a posição geográfica, a nossa cultura, culinária como nesse ano. Angola, enquanto país, foi vasculhado de cima a baixo pela imprensa, sedenta de dar mais do que a simples informação da qualificação dos Palancas Negras.

Todos esses feitos foram alcançados, curiosamente, sem grandes infra-estruturas. Quando Angola, em basquetebol masculino, conquistou o seu quarto título em 1995, só tinha praticamente um pavilhão com dignidade. Os outros só podiam servir de campos de treino, nunca à altura de acolher por exemplo um Afrobasket.

Os sub-20 conquistaram o CAN da categoria em 2001, o país tinha um único Estádio com a categoria “Nacional”, a Cidadela. O desporto ultrapassou todos os obstáculos de um país em desenvolvimento, alcandorou o nome do país no topo do continente. E aos poucos conquista um espaço no cenário mundial, com o basquetebol e o andebol feminino ao leme. O desporto adaptado por exemplo transpôs tudo, inscreveu pela primeira vez o nome de Angola no cenário Mundial.Todos esses feitos atados, permitem-nos defender que o desporto saía da esfera (lúdica ) e ganhou um espaço na história do país, que corre com os 40 anos de independência.

Joaquim Dinis, Ndunguid Daniel, Akwa, Paulão, Mantorras e outros merecem ser visto como heróis. Era um enorme contributo à história do país se os futuros cidadãos tivessem a partir do nome de uma rua de saber não apenas os feitos do nosso desporto, mas sobretudo em que circunstâncias é que foram conquistados muitos títulos do basquetebol, andebol e outras modalidades. Dezenas de países, em África, com melhores condições na época, quer de infra-estruturas como socioeconómicas, nunca puderam encontrar uma explicação do domínio do basquetebol masculino e do andebol feminino.

Podemos afirmar que o desporto poupou ao país milhões de dólares, que podiam ser investidos em campanhas de relações públicas. O desporto feito por aqueles que nos primeiros anos da independência recebiam como prémio de maior valor um banho de carinho da população tem o seu lugar na história do país. E merece a cicatrização!

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