Jornal dos Desportos

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Opinio

Um novo assalto depois de 21 anos

05 de Maio, 2018
Depois de na semana passada abordar a campanha dos “embaixadores angolanos” nas Afrotaças “A uma mão”, por imperativos de vária ordem, hoje volto à carga em relação ao assunto, partilhando esta coluna de opinião, como tem sido hábito, com o jornalista Morais Canâmua. É óbvio que retornamos, assim, a rubrica “A duas mãos”, destacando, por sugestão deste, o campeão nacional 1º de Agosto que se mantém em prova.
O único “sobrevivente” angolano nas provas sob a êgide da Confederação Africana de Futebol (CAF) logrou, há uma semana, a qualificação à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões do continente depois de eliminar o Bidvest Wits da África do Sul.
A turma militar do “Rio Seco” que no jogo da primeira-mão desta segunda eliminatória de acesso à fase de grupos da “Champions League” havia vencido o seu oponente por 1-0, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, foi à Africa Sul carimbar o passaporte.
Em pleno estádio Millpark, em Joanesburgo, o 1º de Agosto viu o Bidvest Wits vencer o jogo da segunda-mão por 1-0, empatando assim a eliminatória.
Por isso, a equipa militar angolana teve de recorrer à lotaria das grandes penalidades, em que foi mais feliz do que o adversário.
O 1º de Agosto regressa, deste modo, à fase de grupos da maior prova de clubes do continente vinte um anos depois. Este foi, para já, o objectivo supremo traçado pela direcção do clube central das Forças Armadas Angolanas (FAA), que vai procurar fazer história em mais uma “aventura” nas Afrotaças.
Para o efeito, o d’Agosto vai estar inserido no Grupo D, em que perfilam igualmente o Zesco United da Zâmbia, Mbabane Swallows da Swazilândia e o Étoile du Sahel da Tunísia, com quem se estreia a 4 de Maio próximo, em casa.
O sorteio desta etapa da maior prova de clubes de África, realizado na noite de quarta-feira última no Cairo, capital do Egipto, ditou ainda o emparceiramento do Grupo A que é formado pelas equipas do Al Ahly do Egipto, Township Rollers do Botswana, Kampala City do Uganda e o Esperance Tunis da Tunísia.
No Grupo B estão perfilados o TP Mazembe do Congo-Democrático, MC Alger da Argélia, Difaa El Jadidi do Marrocos e o ES Setif da Argélia, ao passo que no C pontificam as equipas do AS do Togo, Mamelodi Sundowns da África do Sul, Wydad Athletic Club do Marrocos e finalmente o Horoya da Guiné Conacry.
Como se pode notar no sorteio realizado no Cairo, o representante angolano na Liga dos Campeões Africanos está entricheirado num grupo onde pontificam o Étoile du Sahel, uma equipa com quem pode disputar os dois lugares de acesso à segunda fase da prova.
O Mbabane Swallows, com quem o d’Agosto cruza na Swazilândia entre os dias 15 e 16 de Maio, para segunda-jornada, e Zesco United , em casa entre 17 e 18 Julho, para a terceira, após a pausa cumprida em Junho face à realização do Mundial da Rússia, estão ao nível do campeão nacional. Para tal a equipa militar têm de fazer por merecê-lo.
O 1º de Agosto tem de fazer da excelência uma divisa, procurando vencer todos os jogos em que actuar na condição de anfitrião e tentar amealhar o máximo de pontos possíveis quando se deslocar à casa dos adversários. Desse modo dá um passo firme.
No reatamento da prova, na segunda volta desta fase de grupos dos Clubes Campeões Africanos, o d’Agosto joga em casa diante do Zesco United entre 27 a 29 de Julho, para quarta ronda, viajando depois ao reduto do Étoile du Sahel entre 18 e 19 de Agosto.
O fecho das contas desta fase da maior prova africana de clubes pelo campeão nacional ocorre diante Mbabane Swallows entre 28 e 29 do Agosto, em Luanda, capital do país.
Antes de eliminar do Bidvest Wits nesta corrida para o acesso aos grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos, o d’Agosto afastou o FC Platinum do Zimbabwe por 5-1 no cômputo das duas mãos do duelo da fase preliminar.
O campeão angolano demonstrou raça, atitude e acima de tudo muita vontade de vencer ao cabo das duas eliminatórias que lhe levaram à fase de grupos da maior prova da CAF. Essa mesma crença e vontade de vencer têm de se estender a esta fase dos grupo.
Nesta etapa há também a destacar os valores monetários que a equipa angolana vai embolsar para realizar a sua campanha. Os prémios por jogo vão desde as vitórias aos empates, razão pela o clube militar tem de procurar fazer o melhor o possível.
Isto traduz, de resto, um grande estímulo para o único \"sobrevivente\" angolano nas Afrotaças e de quem os aficcionados do desporto-rei no país esperam que faça uma campanha de encher os olhos. O d’Agosto é capaz e disto ninguém tem dúvidas.
O Petro de Luanda, o outro conjunto angolano que esteve envolvido nas Afrotaças não teve a mesma sorte que o d’Agosto. A formação tricolor do “Eixo-Viário” não conseguiu chegar à fase de grupo da Taça da Confederação.
Após consentir empate nulo em casa na última eliminatória de acesso a esta, o Petro não teve arte nem engenho para desfeitear o Supersport United da África do Sul, ao perder por 1-2, em Pretória, num jogo em que chegou a estar em vantagem no marcador.
Como consequência dessa actuação desvanecida e onde passou uma imagem muito pálida do seu real valor, a formação tricolor falhou, assim, o objectivo de conquistar o troféu “Nelson Mandela”, nesta segunda maior prova de clubes de África.
Gorado o objectivo do Petro nesta “aventura” nas Afrotaças, a Nação deve estar toda mobilizada para apoiar o 1º de Agosto. Todos amantes do desporto, no geral, e do futebol, em particular, devem fazer uma “corrente enorme” de apoio ao campeão nacional. E que Deus acompanhe o nosso “embaixador” nesta “aventura” africana!!!...
Sérgio Vieira Dias


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