Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um novo ciclo no campo desportivo

05 de Janeiro, 2019
Começamos a trilhar um novo ano e consequentemente entramos também num novo ciclo desportivo. É mais uma caminhada de 365 dias e onde se esperar que o nosso desporto dê passos cada mais firmes. O ano de 2018 fica, assim, para trás. Um ano em que o desporto dentro das nossas fronteiras foi marcado por momentos altos e baixos.
A conquista do Mundial de Futebol Adaptado, em Guadalajara, México, pelo combinado nacional da categoria, foi, indiscutivelmente, um dos pontos altos do rol de conquistas no campo desportivo no ano recém-passado para a história.
Pelo meio saltaram também à vista outros feitos marcantes. A conquista do décimo-terceiro título continental pela Selecção Nacional sénior feminina de andebol, assim como a qualificação à Copa do Mundo do «cinco nacional» da «bola ao cesto» são notas que merecem aqui, igualmente, grande destaque.
Quer a nível do andebol feminino em que as nossas Pérolas justificam o estatuto de super-campeãs em África e no basquetebol masculino onde apesar de determos ainda a hegemonia, em 2018 precisamos do recurso às janelas de qualificação da zona continental para garantir o passe para a China. Contudo, continuamos no topo africano.
No futebol, embora ainda não tenhamos garantido o passe para a 32ª da maior montra continental, ainda assim estamos no encalço desta. Angola só depende de si para garantir a sua oitava presença num Campeonato Africano Nações (CAN).
Depois da retirada da organização da edição deste ano da maior montra do futebol continental aos Camarões, por não cumprir com os prazos de reabilitação das infra-estruturas desportivas e hoteleiras, na próxima terça-feira, dia 8, África do Sul ou Egipto vão ser anunciados como organizador. Portanto, um destes dois concorrentes fica com organização do certame que acontece entre 15 de Junho e 13 de Julho do corrente ano.
E por falar do futebol é importante que Angola faça um aproveitamento dos jogos de preparação, caso garanta a qualificação ao CAN-2019. Aliás não faz muito tempo que a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) divulgou o calendário para as épocas de 2019 a 2024, com realce para a disputa de dez jogos oficiais ou amistosos.
Para esse efeito, os primeiros jogos das Datas FIFA vão de 18 a 26 de Março, os segundos de 3 a 11 de Junho, os terceiros acontecem de 2 a 10 de Setembro e finalmente os derradeiros duelos para as selecções nacionais estão agendados entre os dias 11 e 19 de Novembro. A Federação Angolana de Futebol (FAF) tem de procurar harmonizar bem as coisas nesse sentido, para que os jogos das Datas FIFA sejam bem aproveitados.
Além do engajamento do Palancas Negras no CAN, a Selecção Nacional de Sub-17 também vai estar em alta este ano. Os Palanquinhas vão competir na Taça das Nações que terá lugar na Tanzânia, num grupo em que além da selecção da casa, integram a Nigéria, conjunto mais titulado do continente (com sete troféus conquistados) e do Uganda. Já o Grupo B é formado pelo Marrocos, Senegal, Camarões e Guiné-Conakry.
O anúncio recentemente do surgimento da Liga Angolana em 2020 surge como também uma lufada de ar fresco para o futebol dentro das nossas fronteiras. A decisão anunciada pelo presidente da FAF, Artur de Almeida e Silva, durante uma reunião mantida com o líder da Liga Portuguesa, Pedro Proença, constou do rol de promessas feitas durante a sua candidatura para «cadeirão principal» do órgão reitor do desporto-rei no país.
Na 18ª edição da Copa do Mundo de basquetebol, na China, cujo sorteio acontece a 16 de Março, em Shenzen, em que Angola participa pela oitava vez, depois das presenças em 1986 (Espanha), 1990 (Argentina), 1994 (Canadá), 2002 (Estados Unidos), 2006 (Japão), 2010 (Turquia) e 2014 (Espanha), espera-se uma excelente prestação do «cinco nacional». Tunísia, campeã continental, e a Nigéria, também representam a África.
Em alta no ano recém-iniciado vai estar também a Selecção Nacional de andebol, que por força da conquista do décimo-terceiro título no “africano” realizado em Dezembro último em Brazzaville, Congo, ganhou o direito de competir no Mundial do Japão. O Senegal, finalista vencido, e a República Democrática do Congo, que arrebatou o terceiro lugar da prova, vão também representar África na elite do andebol mundial.
Ainda no que concerne ao andebol, a Selecção Nacional sénior masculino projecta a sua campanha no Campeonato do Mundo que se disputa de 10 a 27 deste ano na partilha organizativa entre a Alemanha e Dinamarca.
O conjunto às ordens de Filipe Cruz, que cumpre um estágio pré-competitivo na Polónia, vai estar entrincheirado no Grupo D do certame ao lado do Qatar, Hungria, Suécia, Argentina e Egipto. Contudo, os êxitos conquistados no campo desportivo no país em 2018 não se restringiram tão-somente ao futebol, basquetebol e andebol. Noutras disciplinas houve também a salientar algumas notas relevantes.
Na natação, por exemplo, Angola conquistou cinco medalhas de bronze e uma de prata nos Jogos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), realizados o mês passado em Gaberone, no Botswana. O país subiu, assim, dois lugares da classificação geral da 7ª edição destes Jogos da Região V, ao ocupar a segunda posição do pódio no quadro geral de medalhas com um total de 46 conquistas.
O judo foi a disciplina que obteve o maior número de medalhas, ao totalizar oito de ouro, quatro de prata e cinco de bronze. No geral Angola obteve 15 medalhas de ouro, 10 de prata e 21 de bronze, numa concorrência em que a África do Sul subiu o lugar mais alto do pódio com 70 medalhas de ouro, 61 de prata e 14 de bronze. Agora resta esperar pelo êxito no novo ciclo de 365 dias iniciado na passada terça-feira. Bem haja!...
Sérgio V. Dias

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