Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um olhar aos Palancas

24 de Março, 2017
Há poucas semanas, a Federação Angolana de Futebol tratou de arrumar a questão do seleccionador nacional, e este por sua vez procedeu a primeira convocatória. É o mínimo que se podia esperar. Este passo espevitou a praça futebolística nacional, dando azo a comentários vários, desencontrados em alguns casos, sobre aquilo que se pode esperar dos Palancas Negras nos próximos tempos.

Para muitos, olhando para a folha de serviço de Beto Bianchi, o técnico que Artur de Almeida foi arrancar ao Petro de Luanda à kilapi, a selecção pode desta vez desferir um violento golpe à crise de resultados e ganhar um outro sopro de vitalidade. O CAN\'2019, para alguns, constituiu uma meta, sob pena de completarmos três edições fora da principal montra do futebol africano.

Não há por que contrariar esta onda de euforia. É normal que enquanto cidadãos somos tentados a acreditar até ao limite na nossa selecção, a não ser que estejamos despidos de patriotismo, o que seria um crime colossal quando até estrangeiros em Angola são patriotas. Só que toda e qualquer reacção positiva ou negativa não deve ser feita por mera emoção.

Esperar por um bom trabalho do grupo às ordens de Beto Bianchi tudo bem. Mas não deve este olhar desviar a nossa atenção àquilo que é fundamental fazer a partir de agora. Refira-se ao lançamento de sementes que podem a médio prazo brotar valores capazes de revolucionar o nosso futebol e projectá-lo para um outro pedestal. O factor formação não pode ser descurado em todo processo que visa dar outra aura à modalidade.

Um investimento sério, contínuo e bem pensado neste sentido, há-de permitir um futuro competitivo airoso para o nosso futebol. Porque queiramos ou não, até aqui temos vivido apenas de improvisos. Ou seja, buscar técnicos com alguma capacidade, que juntam um grupo de atletas descobertos aqui e acolá para tentar chegar aos campeonatos africanos ou em outras competições.

Ora, em quê que isto resulta? Em presenças intermitentes nestas provas, como consequência de uma base assente em vigas ocas, o que já não acontece com países que investem fortes nas suas camadas de formação. Aliás, uma ausência dos Camarões, do Gana ou da Nigéria na fase final de um CAN, é novidade, porque eles primam por presenças regulares, permitida pela bem sucedida sucessão de gerações de talentos.

Estar presente num CAN agora e depois ficar três edições fora; estar num mundial de futebol hoje e não saber se a próxima qualificação acontece ainda nesta ou na próxima encarnação, não reflecte senão a falta de aposta e investimento num trabalho de continuidade. Para nós mais vale apostar na selecção de Sub-17, que vai agora ao CAN do Gabão, e vislumbrarmos o CAN\'2021 do que pensar nos Camarões. Precisamos de políticas de fomento que garantam presenças regulares nas competições de vulto, a exemplo do que aconteceu de 2006 no Egipto a 2013 na África do Sul. Foram cinco edições consecutivas.

Se calhar, não seria nenhum mal minimizar a corrida ao CAN\'2019 para se trabalhar mais na organização, augurando metas competitivas para lá de 2021. Na verdade, não nos dignificam, nem de longe, nem de perto, as qualificações quase acidentais, para dizer irregulares. Ou somos ou não somos.
Portanto, mais importante que a qualificação ao CAN\'2019 está a produção de talentos que possam no futuro garantir ao país uma selecção capaz e regular nas competições.
Matias Adriano

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