Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Fontes Pereira

Um retrocesso em alguns casos

05 de Abril, 2021
Era expectável que o desporto angolano, com o calar das armas que por cerca de três décadas semearam dor e luto entre as famílias angolanas, com o advento da paz, se afirmasse ainda mais com novas e retumbantes vitórias, se atendermos que, em termos de guerra, o desporto foi o grande embaixador do país, algumas modalidades assumiram-se como verdadeiros porta-estandartes, dado os feitos protagonizados por algumas selecções nacionais.

E muitos foram os atletas e dirigentes angolanos questionados nas competições internacionais, em que como era possível um país em guerra civil, alcançar resultados desportivos como os conseguidos pelas selecções nacionais de basquetebol e andebol feminino, com um domínio absoluto nas competições continentais e, por arrasto, com uma participação regular nas maiores provas mundiais, como jogos olímpicos e campeonatos do mundo, e pelo desporto-rei com a ida ao Mundial’2006.
O xadrez com novos campeões africanos, e o hóquei em patins, em alguns casos, também deram um ar da sua graça.
Contudo, e com pesar, tivemos um retrocesso em algumas modalidades de peso.
O basquetebol masculino perdeu a hegemonia que detinha ao nível de África, e o andebol feminino viveu um período menos bom, mas lá conseguiu o equilíbrio para manter-se como a selecção número um.

Muitos foram os que pensaram que os Palancas Negras tinham uma rampa de lançamento montada para mostrar o seu poderio no continente e no mundo, após a participação no Mundial da Alemanha em 2006.
Pelo contrário, o que se viu depois foi uma grande decepção da Selecção pois, nem o CAN que o país organizou teve reflexos positivos no desenvolvimento do futebol nacional. Os Palancas Negras mostraram que tinham “desaprendido” a jogar (bem) futebol.
Uma questão que não surgiu isolada. O fraco desempenho das nossas equipas de futebol, selecções nacionais e clubes em competições da CAF, foi acompanhada de um mau funcionamento do órgão reitor do futebol no país e também com uma deficiente estrutura de base, ao longo de todos estes anos.

Nos dias que correm, a FAF não tem um órgão directivo por desavenças entre os homens do futebol após o último pleito eleitoral na federação que deu origem a uma providência cautelar interposto por uma parte envolvida no mesmo, por supostas irregularidades.
Os recintos desportivos construídos para o CAN, volvidos 11 anos após a sua construção, e que deveriam servir para alavancar o futebol, ou estão abandonados ou constituem uma pedra no sapato do governo, mais pela sua manutenção constante que envolve largas verbas monetárias, nem sempre fáceis de alocar por quem de direito, ademais num contexto de crise que obriga a muitas restrições, pelo que não servem o futebol, tal como seria de esperar.

Muito mais se poderia dizer do desporto angolano em tempo de paz. Como falar dos desportos individuais, que deveriam ser uma grande aposta de quem direito, mas que quase passam despercebidos dado o desempenho discreto de alguns atletas em certas disciplinas desportivas, em que o país nunca conseguiu resultados de vulto ao longo dos tempos.
Ou por falta de investimentos ou por carências de infra-estruturas para a prática de determinadas modalidades, como piscinas para a natação ou pistas de tartã para o atletismo, além de mais pavilhões para os desportos de sala.
Houve, por isso, um certo retrocesso no desenvolvimento do desporto angolano, em alguns casos.

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