Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um smbolo de orgulho

12 de Agosto, 2016
Eleva o nosso ego, enquanto cidadãos, enquanto nação, do mesmo modo que o inverso leva à frustração e ao desânimo total de quem esperou por mais e melhor.

Quem com maior ou menor interesse estará de atenções voltadas para os Jogos Olímpicos, que decorrem no Rio de Janeiro, fazendo-se o desconto de certo constrangimento causado pelo fuso horário, deve andar satisfeito com a prestação da selecção feminina de andebol.

Mesmo não tendo sido capaz de vergar a Noruega merece sempre o nosso reparo elogioso. Aliás, com esta selecção que não é mais senão a campeã do mundo, não se lhe podia exigir mais do que aquilo que a sua capacidade permite. O que conta, desde já, é se ter apurado antecipadamente para os quartos-de-final.

De resto, sabemos que no torneio participam as maiores potências do andebol mundial. Logo, ninguém está aqui a cantar vitória ou a festejar conquista de medalha de forma antecipada. Longe disso. Tratamos apenas de dar realce àquilo que é digno e merecedor desta nota. O que nos honra no caso presente, é a prestação, pelo menos até aqui bem conseguida.

Mesmo que o pior venha a acontecer, fica na folha de registo que Angola se fez presente no torneio olímpico com uma equipa cheia de atitude, logo merece o epiteto de um país com forte potencial na modalidade. Com recurso à história muitos estarão lembrados que a nível do basquetebol nos Jogos Olímpicos de Barcelona(1992), Angola não logrou nenhuma medalha, mas o seu excelente desempenho e vitória(86-66) sobre a anfitriã Espanha, é inesquecível.

Serve isso para deixar "preto no branco" que em competição também ganhamos pela exibição. O que o basquetebol e o andebol nos têm proporcionado ao longo dos anos ajuda a identificar o nosso potencial desportivo. Se calhar, seja motivo de se ir fazendo algum desconto aos sucessivos revezes do nosso futebol. O homem angolano pode não ter sido predestinado a este desporto.

É certo que desde que o desporto passou a fazer parte da convivência da raça humana o futebol foi eleito como o desporto-rei, aquele que é mais popular e por conseguinte que acolhe maior população praticante. Mas no caso particular de Angola a prática tem vindo a mostrar que não é com esta modalidade que atingiremos os píncaros da fama, a não que tal venha a ocorrer na próxima encarnação. Acusem-me de alguma leviandade se for o caso.

Veja-se o caso dos Estados Unidos, o grande coleccionador de medalhas olímpicas. O seu potencial está no futebol? Claro que não. Existem outros exemplos, mas não cabem aqui. Pode ter chegado a hora de reflectir muito seriamente sobre a possibilidade de reduzir investimentos a modalidades estéreis, entre as quais o futebol, para capitalizar aquelas que, na verdade, conseguem vender uma boa imagem do país lá fora como acontece agora com o andebol feminino.

Precisamos de nos despir do conceito de que o futebol é a modalidade rainha, que deve, por esta razão, ser vista num outro prisma, e melhor potenciada. Levada a conversa no campo de negócios, é um erro crasso investir mais num produto que não seja vendável, que não dá retorno do capital aplicado. Pior que tudo, e como veio a público depois do jogo com a Noruega, nem tudo são rosas na selecção de andebol.

Aqui está o paradoxo. Uma equipa com alguns pendentes consegue fazer sorrir Angola inteira, e a que leva milhões de dólares dos cofres do Estado nos seus compromissos tem-se revelado numa autêntica desilusão para todos nós. Mas pondo à parte esta analogia, é um enorme orgulho quando a bandeira do nosso país é vista a desfraldar ao sabor do vento na euforia comemorativa de feitos arrebatados na quadra de jogo.

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