Jornal dos Desportos

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Opinio

Um tcnico nacional fica melhor aos Palancas

29 de Julho, 2019
Eu quero nem estou a ser radical, mas defendo que nesta questão de apostar em treinadores para orientar os Palancas Negras é uma questão de grande responsabilidade e, sobretudo, nesta fase de carência financeira, a Federação Angolana de Futebol, e até o nosso Estado ou, simplesmente, o Executivo que lida com programas das federações e gere dinheiro do erário público terá apostar mais nos técnicos da nossa terra. Não há dinheiro para buscar estrangeiros que depois fala como falam, denegrindo a nossa honra.
Fomos, por exemplo, buscar e contratar o treinador fora de portas para o recente CAN do Egipto onde a meta era, no mínimo, ver os palancas Negras nas meias finais, mas, como falharam, o povo já anda, outra vez, de costas viradas com a federação e o treinador.
Há países africanos que, atolados por crises financeiras, que atingem o seus mosaicos desportivos, evitam fazer recurso a treinadores estrangeiros, com o ainda fizera muitos tiveram selecções nacionais no último CAN disputado no Egipto.
Por exemplo, a Argélia que tem agora a coroa africana, porque chegou e é a campeã africana, percebeu que, afinal, o que é nacional também é bom e os seus nacionais gostam-no! Está, por esta razão, a contar vitória devido à sábia orientação do nacional Djamel Belmadi , este ex-jogador do Paris Saint Germain de França.
Ele começou a sua carreira de treinador no Qatar com Lekhwiya, mais tarde Al-Duhail. Ganhou quatro títulos de campeão (2011, 2012, 2017 e 2018). Em Agosto de 2018, foi chamado à beira do leito de Fennecs, com o pesado fardo de esquecer a humilhação de 2017.
Mesmo o Senegal devia servir de exemplo para Angola que deixou de apostar em orientadores como Oliveira Gonçalves, Lito Vidigal, David Dias, Mário Calado e outros actuais bons treinadores do nosso mosaico futebolístico.
Aliou Cissé, aquele ex-capitão do Senegal, mostrou que os nacionais também são bons orientar. Converteu-se com sucesso como treinador. Desde que liderou o Lions de Teranga, conseguiu dar aos senegaleses sua antiga glória. Armado com o temido Sadio Mané, ele deu catas no Egipto onde só não chegou ao título porque alguém tinha de ser, no caso a Argélia.
O Mali, \"dona\" daquela selecção que surpreendeu-nos no histórico 4-4 em 2010 aqui na nossa terra e com a qual empatamos, agora, no Egipto, não olhou para fora de portas para contratar um suposto treinador de nomeada.
Claro que não chegou a campeão africano, mas o técnico Magassouba mostrou que valeu ser a prata da casa. Para a sua federação foi uma escolha padrão e xemplo que devia ser seguido por muitas federações africanas como a angolana e outras que têm quase apenas estrangeiros desde 1998.
Em 2017 o Mali tinha o francês Alain Giresse que deixou cedeu lugar a este Mohamed Magassouba.
O senhor Florent Ibenge da República Democrática do Congo, já estava no CAN desde Agosto de 2014. Em cinco anos à frente dos Leopardos, este franco-congolês já chegou a colocar a sua top 50 do ranking da FIFA.
Pelo Zimbabue, Domingo Chidzambwa, que passou toda a sua carreira de jogador na selecção já está na sua quarta oportunidade como treinador. Até o Burundi deu primazia ao seu nacional Olivier Niyungeko, um técnico de 39 anos, que subiu à escada da selecção, onde começou como assistente de Ahcene Aït-Abdelmalek entre 2015 e 2016 até se tornar treinador em Julho de 2016.
Aqui perto, na Namíbia, os olhos não se virara para o exterior na hora s e servir a selecção com treinador capaz. A aposta recaiu para o técnico da casa Ricardo Mannetti, que já levou seu país à vitória na Cosafa em 2015 antes bater a porta e ter voltado três meses depois.
A Costa do Marfim fez investimento em Ibrahim Kamara, depois do bom trabalho que efectuou à frente do combinado nacional de Sub-17, com quem já foi campeão africano em 2013. O pior cego, de resto, é aquele que não quer ver! A FAF está descapitalizada.
António Félix

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