Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um tiro na ASA abriu a Kizomba

30 de Outubro, 2017
Pronto... há festa rija; grande \"kizomba\" mesmo, nas hostes do 1º de Agosto, conforme bem percebi ontem, à noite, da felecidade dos meus bons amigos Tony Mayaia, Kinday e Delon, ferronehos adeptos dos militares que se associaram à toda malta agostina espelhaha por Angola adentro. Imagino então o júbilo da direcção!

Mas , pronto, só resta dizer que este campeonato, Girabola Zap, agora confina o seu interesse na \"cauda\" da classificação porque agora todos quereremos ver quem vai cair ao lado do Santa Rita; porque no topo, como diria o outro, a vida corre à feições ao 1º de Agosto, a esta hora a cantar vitória, e bem cantada, com toda a rouquidão. É assim mesmo, quem trabalha merece.
Certamente, desde ontem, mais hoje e noutros dias ouvir-se-ão, na alegria, os que se identificam com o clube militar a dizerem que os militares na \"guerra do título\" ganharam a guerra ao petrolíferos. Têm as suas fundadas razões.

Muitos que não morrem de amor por esse histórico e gigante 1º de Agosto esperavam ontem, a bem da emoção, que, no estádio 11 de Novembro, o grande Petro de Luanda ganhasse folgadamente ao Santa Rita e que, nos Coqueiros, o ASA \"estragasse\" a vida, ou melhor adiasse a festa da equipa militar, postergando toda a fanfarra para a última jornada, mas, o 1º de Agosto foi forte demais.
E o primeiro cenário suscitou muita curiosidade, muita expectativa, se não mesmo ceptismo, em relação ao ASA-1º de Agosto, na medida em que na semana passada João Pereira \"Jamba\", na pele de treinador dos aviadores, saiu a público, a dizer, com toda a confiança, que \"apesar da crítica situação que o ASA vive, ainda acredito que não desça de divisão\".

Ele fez crer, para quem acreditou ,que \"mesmo quando jogava participei em muitos jogos que em princípio eram impossíveis, mas acabaram por se tornar realidade. Por esta experiência que carrego, acredito que o ASA consiga sair dessa situação de iminente despromoção em que se encontra\".

Se Jamba assim prometeu, então foi apenas mera conjectura que se fez miragem. À equipa militar bastou, digamos, disparar um \"tiro\" contra a ASA dos aviadores e está visto e conformado desde ontem a conquistado título! Isto, pelo menos em campo, porque não se sabe o que ainda pode acontecer na secretaria.

Deixam-me só recordar aos rapazes de hoje que em 1980, portanto, há 37 anos, o jogo entre o 1º de Agosto e os Diabos Verdes de Luanda (Sporting de Luanda) não chegou ao seu final, porque os adeptos da equipa dos Diabos invadiram o estádio, quando o 1º de Agosto ganhava, por 2-1. Sabem o que aconteceu?

No dia seguinte o Bureau Político do MPLA-PT foi contra a repetição do jogo e orientou que a vitória fosse atribuída...ao 1º de Agosto!
Mas, enfim, vai chegar a hora para um balanço de toda a produção de jogo, de derrotas, de empates vitórias, de pontos e, finalmente, deste título do 1º de Agosto, mas eu concordo desde já com a retórica de quem sublinha que o 1º de Agosto só é campeão porque teve um jogo colectivo de \"sim senhor\".

Foi, aliás, essa, a receita colectiva prometida pelo técnico principal do 1º de Agosto, Dragan Jovic, antes do\" pontapé de saída\" deste campeonato. Estávamos ainda na altura do lançamento da Taça de Angola deste ano - prova onde a sua equipa está nas meias finais - e já dizia então o treinador que se dependesse de si, e de facto dependeu mesmo, a equipa militar moldada à sua filosofia de jogo, só apostaria no jogo colectivo. Não mentiu, a prova está aí à vista de todos.

Mesmo tendo perdido alguns jogos da forma que não previa, ou mesmo naqueles em que repartiu pontos, a principal atracção da equipa principal do 1º de Agosto foi a coesão ao contrário do individualismo.
E isto só foi possível porque o clube abriu os cordões à bolsa e contratou para a equipa jogadores com qualidades, capazes de proporcionar bons espectáculos e resultados satisfatórios.

Quando, portanto, em 2016 a direcção do 1º de Agosto, liderada pelo seu presidente, Carlos Hendrick, deu voto de confiança ao treinador Dragan Jovic, baseando-se no facto de que \" em equipas que ganham não se mexem\", não fez aposta errada. A prova, repita-se, está aí à vista de todos.

Tudo indica que agora os militares querem mais nesta época, para degustarem a dobradinha - o título e a Taça de Angola. Foi o que disse ontem o adjunto Ivo Traça, ao focar já atenções no jogo da próxima quarta-feira como o Progresso do Sambizanga.
Dragan Jovic ontem disse também que só depois desse jogo com o Progresso é que vai discutir com a direcção a renovação ou não do seu contrato para a época de 2018. Significa, certamente, que pretende ganhar também a Taça para exigir outras condições a si vantajosas no contrato.

Há quem diga, de resto, e por esta razão, que a direcção do 1º de Agosto fez bem, em 2015, chamar este bósnio de 53 anos de idade para render o técnico Romeu Filemon, inclusive com a faculdade de levar ao Rio Seco os auxiliares da sua preferência, todos eles também com impressões digitais na conquista confirmada ontem nos Coqueiros diante de quase cinco mil espectadores.
Agora, o que dizer do ASA. Há ainda possibilidades e, por consta disto, esperança de a equipa continuar no Girabola depois da derrota de ontem? Resposta simples: crescer e reaparecer, mas é triste ver uma equipa como o ASA a cair por falta de desorganização da direcção.
ANTÓNIO FÉLIX

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