Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Um TP Mazembe para ultrapassar

15 de Setembro, 2018
Depois de se consagrar vencedor do Girabola-Zap, a maior prova do futebol nacional, na recém-terminada época de 2018, o 1º de Agosto volta a entrar em acção esta tarde na fase crucial da 21ª edição da Liga dos Clubes Campeões Africanos.
A equipa campeã nacional enfrenta, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, o Tout-Puissant Mazembe do Congo-Democrático, em jogo a contar para a primeira-mão dos quartos de final da maior montra de futebol a nível de clubes em África.
E o adversário não é nenhum desconhecido. É nada mais, nada menos do que o ainda campeão em título da República do Congo Democrático (RDC), que soma cinco troféus nesta prova e que tem o rótulo de ser um “habitué” nestas andanças.
Ao atingir a 2 do mês em curso o 12º título e consequentemente o segundo “tri” campeonato do seu historial na mais alta-roda do futebol nacional, os militares do “rio-seco” podem consumar um outro feito importante na sua campanha em 2018.
A qualificação às meias-finais desta mais importante competição de clubes da Confederação Africana de Futebol (CAF), para já, só se pode efectivar caso a equipa orientada por Zoran Maki consiga ultrapassar este experiente conjunto da RDC.
Não é uma tarefa fácil, convém admitir isso, mas também não é algo que se apregoa como impossível para o campeão em título angolano.
O d’Agosto tem que explorar o máximo possível a sua condição de anfitrião hoje, para posteriormente, no jogo de resposta no Congo, tentar assegurar a sua segunda presença numa meia-final da “Champions League”, depois do feito logrado há 21 anos.
É relevante reconhecer o peso deste TP Mazembe da RDC, mas também não deixa de ser importante admitir por A+B que o 1º de Agosto já provou em dados momentos da sua campanha nas Afrotaças ter argumentos para ombrear com quem quer que seja.
Isso é inequívoco e ninguém pode contestar. Apesar do poderio que se reconhece do adversário, nunca é demais recordar que competições desta natureza só terminam após a disputa dos dois jogos e, nesse caso, o conjunto do “rio seco” pode ter também uma palavra a dizer. O d’Agosto não se afigura aqui como nenhuma “pêra-doce” para o “Todo Poderoso” Mazembe. Antes pelo contrário, vai procurar estorvar os intentos da equipa congolesa a partir desta tarde, mostrando aquilo que vale em termos de futebol e, desse modo, provar que não foi por mero acaso que chegou a estes quartos de final.
O campeão nacional logrou a qualificação aos “quartos” da “Champions League”, após ultrapassar o Mbabane Swallows do eSwatini (ex-Swazilândia) no derradeiro jogo da fase de grupos, disputado igualmente na nova catedral do futebol nacional.
O 1º de Agosto esteve inserido no Grupo D, em que perfilaram também o Zesco United da Zâmbia e o Étoile do Sahel da Tunísia, que logrou a outra vaga de acesso a esta fase crucial da maior prova de clubes da CAF.
O 1º de Agosto teve uma maratona de quase 50 jogos esta época realizados quer para o Girabola, quer para as preliminares e fase de grupos da Liga dos Campeões, num período de pouco mais de 6 meses. Aliás, isto justifica o quão desgastante está ser esta temporada de 2018 para o emblema central das Forças Armadas Angolanas (FAA).
No Girabola, que cerrou as cortinas a 2 de Setembro, a disputa foi “contra-relógio”, isto na perspectiva de acertar o passo com dos demais campeonatos do continente africano.
Como já aqui se realçou, a prova foi, por anos a fio, disputada entre os meses de Fevereiro/Março e Outubro/Novembro, o que fez com vezes sem conta, as equipas angolanas entrassem para as Afrotaças sem qualquer ritmo competitivo.
Em consequência disso, muitas vezes estas tombavam logo na primeira. Por essa razão, o reajuste do campeonato acontece num bom momento e vai daí que os amantes do futebol esperam, garantidamente, que o d\'Agosto reabra o caminho para o êxito.
A acontecer, além do clube sairia a ganhar o próprio futebol nacional, porquanto uma boa prestação da equipa militar nestas Afrotaças abriria, também, a prerrogativa de Angola poder contar no próximo ano com mais equipas a evoluírem nas provas da CAF.
Daí, o país tem de fazer um grande cordão de apoio aos campeões nacionais, quer no jogo desta da tarde no Estádio 11 de Novembro, quer no de Lubumbashi, em solo pátrio congolês-democrático. Tem de se acreditar que o d’Agosto é capaz.
E para que esta perspectiva se venha efectivar o campeão nacional tem um TP Mazembe para contornar. Isso é possível, convenhamos admitir!!!…
Sérgio.V Dias

Últimas Opinies

  • 09 de Dezembro, 2019

    Ruben chegou, viu e permaneceu

    O técnico argentino Rúben Garcia é o técncio estrangeiro que mais tempo esteve no  Girabola.. Desembarcou em 1982 para estar ao serviço do  1º de Maio de Benguela, para, depois,  orientar a  Académica do Lobito, FC.

    Ler mais »

  • 09 de Dezembro, 2019

    Do amor ideologia, devoo ao dinheiro

    Ler mais »

  • 09 de Dezembro, 2019

    Prova influenciou a media desportiva

    O “Girabola”, pode-se agora afirmar, influenciou sobremaneira a formação da Redacção Desportiva da RNA. Aquele mencionado quinteto de radialistas havia-se tornado insuficiente para a demanda, sobretudo a partida dos dois últimos.

    Ler mais »

  • 09 de Dezembro, 2019

    Notas da Histria do nosso futebol

    A história oficial do futebol angolano teria de  começar pelas décadas de 1920-30-40, porém, vamos aqui cingir-nos ao tempo de Angola já independente. E não se iria festejar a independência sem se jogar à bola; seria incaracterístico de um povo amante do futebol.

    Ler mais »

  • 09 de Dezembro, 2019

    Arbitragem de poca em poca

    A história do Campeonato Angolano de Futebol, Girabola, como também é conhecido, é repleta de factos curiosos em termos de arbitragem. O campeonato é considerado por muitos especialistas do futebol, como um dos mais disputado do nosso Continente, o que é diferente de ser o melhor.

    Ler mais »

Ver todas »