Jornal dos Desportos

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Opinião

Um troféu para os tricolores

19 de Maio, 2017
Petro de Luanda e Libolo começaram ontem a discutir o título da trigésima nona edição da maior prova do basquetebol nacional. Se dependesse de mim, daria ao Petro de Luanda o troféu de melhor equipa, e a Lazare Adigonou de melhor treinador.Os tricolores são para mim os verdadeiros campeões dessa edição, pelo trabalho feito que terá em última instância reflexo na Selecção Nacional.

Reitero por isso as felicitações à direcção de Tomás Faria, por ter cultivado a paciência, resistido aos apelos dos adeptos para despedir o treinador, no final da época passada. Está visto, se é que era uma dúvida, que a formação compensa duplamente. Quantas vezes pregamos nesse espaço, e noutros essa questão. O Recreativo do Libolo, sobretudo este, teima em menosprezar a formação, no basquetebol como no futebol. É uma equipa desenhada apenas para contratar, o que seguramente não ajuda o desporto nacional, em particular as selecções nacionais.

Qualquer mortal que se preze sabe que não é exequível essa política de contratação permanente, ainda que as equipas possuam um bloco de petróleo ou uma mina de diamantes. Algum dia o dinheiro falta. Quanto o desporto sofreu com a crise dos dólares, quantos atletas abandonaram o desporto nacional por falta de divisas? Não acredito que o Libolo precisa de um rei mago para lhe mostrar o sinal que representa essa crise. Tem na sua direcção muitos entendidos em mercados financeiros, e sabem que nenhuma empresa do mundo, assim como clube, vive com e de exportação de capitais.
Exportação é como quem diz, saídas permanentes de capital, sem encaixar algum.

Escusado é dizer que a política do Libolo, que se apresenta na final sem um único atleta formado na sua cantera, é um buraco sem saída. Seria bom que o 1º de Agosto voltasse a apostar nessa prática, iniciada nos últimos anos pelo treinador angolano Paulo Macedo. Era bom que o Libolo retirasse toda cera que tem nos ouvidos, e de uma vez por todas ouvisse. Porém, no âmbito da sua liberdade, o Libolo também pode nos mandar cavar batatas.
E prosseguir felizmente com a sua política. Nada o impede de assim proceder, pois aos seus proprietários compete decidir o que é melhor para si e o seu clube. A única coisa que não podem fazer é impedir-nos de criticarmos a postura.

Sobre a final em si, o Libolo é favorito. Ou não tivesse ganho todos os jogos com o Petro de Luanda na primeira fase da competição. É sua obrigação, tem jogadores mais experimentados e melhores da prova. Por isso tem nos ombros essa responsabilidade. Ao Petro de Luanda assiste o direito de contrariar, e poder surpreender todas as previsões. Seria um duplo prémio para o treinador camaronês, e a direcção do Petro de Luanda, pela aposta, pela decisão viragem na política de contratação, pouco me importa se tenham sido forçados ou não pela crise dos dólares.

Sou de opinião que a formação devia ser um critério a ter em conta na distinção das equipas nesta competição. A FAB podia reflectir a propósito, criar um prémio para distinguir essas equipas, que chegam à final com um leque elevado de atletas formado nas suas bases.

É uma prática que o tempo e os dólares apagaram do nosso basquetebol, em particular nas grandes equipas. E seria bom, incentivar o seu regresso.

Foi isso que nos fez campeões dos campeões no continente, que tornou o basquetebol na apaixonante modalidade para muitos angolanos. Por conta da formação, muitos atletas decidiram praticar o basquetebol motivados pelos vizinhos, irmãos, tios, primos e etc. É por isso que de deve continuar a formar. A modalidade agradece, e o País se afirma cada vez mais.

Não somos campeões por custa da contratação. Aliás, o País naturalizou até hoje dois atletas (Abdel e Moore), nunca tivemos tanta necessidade disso.
Por isso, o basquetebol tem um enorme valor na vida dos angolanos, a sua mediatização ou impacto chegar a ser muita das vezes menor comparado à sua dimensão. Porém, tem o seu espaço privilegiado. Que ganhe o melhor. Aliás, antes que me perguntem qual é a minha equipa, respondo: Sou orgulhosamente do 1º de Agosto, mas coloco acima dessa filiação, o jornalismo.
Teixeira Cândido

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