Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Uma derrota anunciada

03 de Junho, 2019
As declarações do presidente do 1º de Agosto sobre a direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) é um alerta vermelho para a gestão de Artur Almeida e Silva. Ao desencanto do 1º de Agosto associam-se outros como o do 1º de Maio de Benguela e do Kabuscorp do Palanca.
Não sei quantos clubes aprovam a gestão de Artur Almeida e Silva. O presidente da FAF não pode se queixar de falta de experiência. Foi por duas vezes vice-presidente. Mesmo que lhe faltasse experiência, nada justifica a pobreza do troféu e da própria cerimónia. Pareceu tratar-se de uma final de um campeonato de futsal, de funcionários de umas empresas quaisquer. E apesar das intensas críticas, Artur Almeida e a sua equipa nada disseram ao público adepto. Melhor, não se dignaram em justificar as razões daquela vergonhosa ausência na atribuição do troféu assim como o acto em si. Tratou-se do campeão da principal competição de futebol do País. Um País que já foi campeão africano de Sub-20, já pisou numa fase final de um mundial sénior, duas vezes presente nos quartos de final da Taça das Nações Africanas, CAN. Há dias, este mesmo País ficou na terceira posição num CAN de Sub-17, e qualificou-se para o Mundial da categoria. Portanto, não se trata de um País qualquer no futebol. Como pode então o órgão que rege a modalidade conferir ao seu principal campeão um tratamento deprimente? Artur Almeida e Silva não acrescentou ainda até agora um bloco sequer no edifício que os outros têm vindo a construir. O sucesso dos Sub-17 só perifericamente pode lhe ser atribuído, dado que os jogadores são trabalhados pela FAF, o treinador foi-lhe dado por empréstimo assim como muitas condições que permitiram a preparação.
É por isso legítimo que os clubes não o querem ver no comando da FAF. Não podem as condições financeiras justificar uma pobreza daquela ocorrida no Estádio 11 de Novembro. Aquele acto traduz falta de vontade e manifesto menosprezo pela competição maior do futebol angolano. Quem faz do futebol a sua actividade principal, o seu ganha-pão não pode, de modo algum, admitir uma gestão à Artur Almeida. A renovação tem de ser para melhorar nunca fazer pior. O futebol, reitero, não ganhou até agora nada com esta direcção. E pessoalmente duvido que ganhe, salvo uma magia de última hora. As críticas dos clubes podem significar para já uma derrota anunciada para Artur Almeida e Silva, caso decida concorrer outra vez. Teixeira Cândido

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