Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Uma derrota anunciada

09 de Junho, 2017
Não sou vendedor de desastres, catástrofes nem coisa próxima. Nem pretendo abalar a fé de quem acredita em milagres e nos Palancas Negras. Apenas um exercício de um simples observador. Dizia alguém que as derrotas anunciam-se. E tem razão para acreditar nesta filosofia. Uma selecção que se propõe discutir resultado com uma das melhores equipas do continente, no seu terreno, precisa fazer mais do que defrontar os juniores da Académica de Coimbra ou de qualquer outra equipa.

Os Palancas Negras são a principal equipa de Angola, uma selecção que já esteve no Mundial há dez anos. Uma selecção que participou nos últimos dez anos em cinco edições do CAN, maior prova do futebol africano. Portanto, uma selecção que exige respeito, em razão dos seus feitos, dos jogadores que reúne, alguns com passagem no principal campeonato de Portugal.

Treinar com os juniores de Coimbra na expectativa de ganhar endurance para defrontar o Burkina Faso, é brincar. O Burkina Faso treinou com o bi-campeão sul americano, Chile; joga em casa, reúne jogadores com maiores qualidades, facilmente podemos vaticinar uma derrota dos Palancas Negras. Será natural perder com Burkina Faso por uma, duas ou mesmo três bolas.

É que a preparação que os Palancas Negras fizeram não me inspira outro sentimento. Muitos adeptos que apoiaram a direcção de Artur Almeida já estarão a roer as unhas pela colecção de equívocos que esta direcção tem oferecido. Uma direcção que jurava ter já apoios, que iria devolver a dignidade dos Palancas Negras e outras juras, tem estado a nos brindar com uma mendicidade de nos envergonha.

A ausência de alguns jogadores que actuam no estrangeiro prende-se, precisamente, com o facto de pretenderem proteger a sua reputação, evitar passar vicissitudes que nada dignificam o estatuto que ostentam . Aliás, há jogadores que foram afastados dessa convocatória por exigirem condições dignas de uma selecção. E por conta disso, Beto Bianchi foi obrigado a remendar uma selecção para disputar eliminatórias de acesso à principal competição do continente.

É uma vergonha para um país da dimensão do nosso. Essas anedotas pertenciam a outros países que hoje ganharam outro estatuto, melhor. Como se concebe que o Congo, país mergulhado em dificuldades sócio-políticas oferece condições à sua equipa, e nós que nos apresentamos como potencia tratamos desse modo os nossos principais transportadores da Bandeira Nacional? TEIXEIRA CÂRDIDO

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