Jornal dos Desportos

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Opinio

Uma "guerra-fria"

14 de Outubro, 2016
A "guerra- fria" despoletada pelo Petro de Luanda contra o 1º de Agosto é característica desta fase do Girabola. Ganha maior expressão quando na disputa de títulos estão dois ou três clubes grandes.

É um ritual que se assiste muito nesta época a qual chama de “ época dos dirigentes” o então treinador do 1º de Agosto, Ian Brouwer. Ele mais do que ninguém conhece o sentido dessa frase. Em 2007 preparava-se para celebrar o segundo título consecutivo ao serviço do 1º de Agosto, quando de repente o Interclube rouba a festa, e sagrou-se pela primeira vez campeão.

Incapaz de explicar o tamanho choque, Brouwer disse que existiu forças ocultas, sublinhado meu. E foram elas que determinaram o desfecho do título daquela época. O certo é que o 1º de Agosto desde então procura conquistar a “la décima” do seu currículo. Não sei ao certo se os militares aprenderam desde aquela altura como gerir a vantagem ou não, para mim o fundamental está na ausência expressa dos clubes, grandes sobretudo em resolver o problema.

São os tais que alimentam o problema, porque têm sede de conquistar títulos, os seus presidentes dependem disso para se manterem nos cargos ou justificar os orçamentos, qualquer um deles perde autoridade moral para criticar.

Era expectável que os grandes clubes pudessem acompanhar e liderar mesmo o movimento “pro pache” iniciado por Mosquito, então presidente da Caála, que decidiu pegar na chama olímpica e colocar um fim ao problema da corrupção no futebol. Quem o seguiu? Ninguém, por que razão? Só eles saberão.

Quanto a mim, ao não assumir essa luta, ainda que não fosse para se acusarem mutuamente, porque não existem muitos anjos no Girabola, mas era necessário um juramento solene, escrupuloso de corte umbilical com o problema. Que fosse feito na Floresta do Mayombe ou noutro lugar, mas tinha de ser feito. Não se faz nada, quase todos andaram assobiar de lado, e como consequência a situação natural de suspeisões continua.

Quem se sente lesado hoje grita, amanhã quando for beneficiado cala. É nesse ambiente em que preferem jogar os nossos grandes clubes. Num ambiente de selva, no qual ruge mais alto quem mais disponibilidade tiver na altura.

Portanto, os clubes agem como um doente que se recusa fazer o tratamento. Se assim for, vamos continuar a assistir essa "guerra-fria". Espero ingenuamente que a próxima direcção da Federação Angolana de Futebol seja capaz de travar essa onda, possa encontrar uma estratégia para mitigar o problema. A actual, limitou-se a contemplar o assunto, varreu-o, inclusive, para debaixo do tapete quando a situação parecia ter já um caminho por onde se guiar. Ao invés de solicitar ao Ministério Público que trabalhe arduamente no assunto, fez o papel de avestruz, enfiando a cabeça na areia.

Portanto, é um problema com consequências tremendas, que pode inibir futuros patrocinadores.
Teixeira Cândido

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