Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Uma prova ajustada s demais do continente

03 de Novembro, 2018
Depois de cumprir um interregno de, aproximadamente, dois meses, o Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão está de regresso, para alegria dos amantes do desporto. Um regresso ansiado, sobretudo pelos adeptos da modalidade-rainha no país, que esperavam, assim, ver a magia do futebol a desfilar pelos vários campos, não obstante o começo tímido e com alguns casos pendentes à mistura.
Mas, a verdade porém, é que temos aqui o campeonato, que nos últimos tempos ganhou o cognome de Girabola Zap e que este ano vai desfilar em onze das 18 províncias, algo que torna, por assim dizer, a competição ainda mais nacional. Luanda, com seis equipas, como tem sido hábito, continua a ser a região mais representativa da prova. As demais, dez províncias, no caso o Cuanza-Sul, Benguela, Lunda Norte, Lunda Sul, Huíla, Huambo, Moxico, Cabinda, Uíje e Cuando Cubango, desfilam cada com uma formação.
Nesse caso, a capital do país faz-se representar nesta alta-roda do futebol no país, com um percentual de 33,33. Já as demais província surgem cada com 5,55 por cento, o que faz, à partida, que Luanda assuma, de forma esmagadora, a representatividade deste carrossel que representa o Girabola. Mesmo no que se refere a conquista dos troféus das várias edições, Luanda também aparece a liderar.
Quer em termos de equipas que subiram ao pódio, quer na cifra de conquistas. Por Luanda, já subiram ao pódio as equipas do Petro (com 15 títulos), 1º de Agosto (12), Atlético Sport Aviação, ASA (três), Interclube (dois) e Kabuscorp do Palanca (um). Das demais províncias, arrebataram o troféu de campeão o Recreativo de Libolo do Cuanza-Sul (quatro vezes), o 1º de Maio de Benguela (duas) e o Sagrada Esperança da Lunda Norte (uma). No que se refere às 40 edições já disputadas, Luanda assume 82,5 por cento dos títulos conquistados, contra 10 do Cuanza Sul, 5 de Benguela e 2,5 da Lunda Norte. A capital do país assume, assim, um domínio avassalador nessa vertente.
Noves fora os aspectos estatísticos, é imperioso destacar que, nesta edição de 2018/2019, o Girabola regressa à primeira forma. Em 1979, no ano em que foi instituído, inicialmente previa-se fazer a sua disputa num mês de Outubro, um facto que, para já, foi alterado devido a morte inesperada do saudoso Presidente António Agostinho Neto, a 10 de Setembro. Por isso, no ano do seu pontapé de saída, teve início apenas num mês, Dezembro, e por força também dos 45 dias de luto decretados na altura pelo Bureau Político do MPLA-Partido de Trabalho, pelo passamento físico do Presidente Neto.
Já a partir da sua segunda edição, em 1980, ao contrário do que era de esperar, a prova passou a ter início entre Fevereiro e Março, algo que vigorou até a época transacta, que se disputou em contra-relógio. Ganha pelo D\'Agosto, que chegou, assim, ao segundo tri-campeonato da sua história, depois do sucedido em 1979, 1980 e 1981, o Girabola-2018 arrancou em Março e disputou-se em pouco mais de seis meses. Portanto, foi disputada a “Speed Gonzalez”, como assinalou, em certa ocasião, o jornalista Vaz Kinguri, da Rádio Cinco. E o reajuste feito no calendário de disputa, pela Federação Angolana de Futebol (FAF), foi na perspectiva de acertar o passo com o dos demais campeonatos espalhados por África, o continente Berço da Humanidade. Diga-se de passagem, a alteração do calendário de disputa desta maior prova do futebol nacional veio mesmo a calhar, pois beneficia as equipas que competem nas Afrotaças.
Até à época transacta, quando as equipas angolanas começassem a sua campanha nas provas sob a êgide da Confederação Africana de Futebol (CAF), entre os meses de Fevereiro e Março, estreavam-se nas provas oficiais sem qualquer ritmo competitivo nas pernas. Com o novo calendário, o quadro inverte-se.
Também é mister sublinhar aqui, que talvez seja em função desse aspecto (falta de ritmo competitivo), que nas várias edições disputadas das Afrotaças, os nossos embaixadores acabavam, em muitos casos, por tombar logo na primeira esquina, o que em nada engrandecia o nosso futebol.
Contudo, apesar de alguns casos terem marcado, pela negativa, o começo da época 2018/2019, como persistência da desonra de muitos compromissos contratuais pelos clubes, em relação a treinadores, jogadores e pessoal administrativo, ainda assim a prova deu o seu pontapé de saída no fim de semana. Contudo, o órgão reitor do futebol no país acabou por agir com dualidade de critérios, abrindo excepção para uns e impondo maior rigor a outros. E o certo, todavia, é que com todos os casos pendentes que existem, a prova iniciou a meio-gás. Tivemos na ronda inicial, disputada no último fim de semana, apenas a realização de sete dos oito jogos previstos. No duelo entre o ASA e o Sagrada Esperança, que abriu as hostilidades da época, registou-se um atraso de 13 minutos no seu começo, motivado pelo facto de a equipa de arbitragem, chefiada por Feliciano Lucas, não se predispor a entrar em campo de início, por falta de 25 mil kwanzas no prémio a que tinha direito, pelo trabalho a realizar. Também se viu o adiamento do jogo entre o Santa Rita de Cássia do Uíje e o Recreativo da Caála do Huambo, embora a turma planáltica se tenha deslocada a cidade cafeícola.
E, por incrível que pareça, neste início de campeonato já tivemos duas trocas de comando técnico nas equipas. No D\'Agosto, o bósnio Dragan Jovic reassume as funções de treinador, rendendo no cargo o sérvio Zoram Maki, que fez uma brilhante época, quer no Girabola, quer na Liga dos Campeões Africanos, ao passo que, no Santa Rita, N\'seke Ntoya volta a orientar o grémio, em substituição de Mbuísso António, que teve a ousadia de colocar o grémio católico de novo na fina-flor do futebol nacional. Mas, enfim, temos aí o campeonato, esperando que os caos pendentes sejam ultrapassados...
Sérgio V.Dias

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