Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Uma rajada de chicotadas

10 de Abril, 2015
Em sete jornadas do Girabola, seis treinadores já foram para o desemprego. É sem dúvida um número assustador. Uma média de um por jornada quase. Vasculhando as razões dessa rajada de despedimento de treinadores, não se vê nada além da má gestão.

Numa altura em que o vocabulário nacional é "contenção de despesas", parece-me que os clubes nacionais vivem numa ilha. Se nos propusermos a fazer um exercício para vasculhar as razões para o despedimento de treinadores, só podemos concluir que estamos a caminhar para um buraco sem fundo.

O Recreativo da Caála abriu as hostilidades ao despedir Bernardino Pedroto. Para salvar a "honra" do treinador, encontrou-se uma desculpa: "Tem problemas familiares". Túbia, o seu substituto, também enfrentou problemas familiares e por isso deixou o clube.

A equipa, quando Bernardino Pedroto a deixou, tinha feito uma grande exibição e bom resultado frente ao Kabuscorp do Palanca. E prometia, mas infelizmente "razões familiares" precipitaram a saída do treinador com melhor palmarés no futebol nacional. O seu adjunto, também saiu pelas mesmas razões.

António Caldas também saiu do Sagrada Esperança, porque enfrentava uma solidão insuperável. Solidão ou depressão? Uma ou outra serve para justificar a saída de alguém que ia a caminho do seu terceiro ano na equipa, na mesma província e no mesmo município.

Kabuscorp do Palanca não se fez rogado, mandou embora o seu treinador por não se qualificar para Liga dos Clubes Campeões Africanos. Mário Calado é a última vítima dessa tempestade.

O despedimento mais anedótico foi sem dúvida o de Miller Gomes. Tinha convites de países europeus, como a Escócia, e abandonou o Libolo para se formar, para responder aos tais convites.

Quatro meses passados, Miller Gomes é contratado pelo Kabuscorp do Palanca, não o da Escócia, mas o de Angola. Indo por partes. Quando uma equipa como o Recreativo da Caála despede numa sentada, à sétima jornada, dois treinadores, não há dúvidas de que a direcção é que anda equivocada.

O Recreativo da Caála não é candidata ao título, por que se dá ao luxo de despejar para o lixo tanto dinheiro com indemnizações? Quando uma equipa como o Progresso do Sambizanga não consegue ter um treinador por mais de uma época, o equivoco não pode ser atribuído aos treinadores.

O Progresso do Sambizanga nunca foi candidato ao título, nem ontem tão pouco hoje. Quando se despede um treinador à sétima jornada significa o quê? Que quer ganhar o título? Que a equipa corre o risco de ser despromovida à décima jornada?

Consequências: dinheiro gasto para indemnizar o treinador e possibilidades da equipa não se adaptar à filosofia do substituto, a menos que essa seja mágico.
A direcção do Recreativo do Libolo deve ter partido todos os copos quando a equipa foi eliminada na primeira esquina da Liga dos Clubes Campeões. Mandou embora Miller Gomes fazer "formação", e foi buscar um treinador mais experimentado e com conhecimentos do futebol africano.

Resultado: nem uma nem outra coisa conseguiu. Em contrapartida, o Libolo pagou (ou vai pagar) a indemnização ao treinador angolano. O mesmo se coloca em relação ao Kabuscorp do Palanca, campeão dos despedimentos. Ou partilha a "pole position" com 1º de Agosto. Um ano, um treinador. Mandou embora o treinador Antranik, substituindo-o pelo seu adjunto, despediu também Ristoviski. Em menos de dois anos, está no quarto treinador.

Que explicação pode haver para esta colecção de equívocos da direcção do Kabuscorp do Palanca? A predisposição de gastar dinheiro com indemnizações só pode reflectir má gestão do nosso futebol. Mais, quando clubes cujo objectivo é "melhorar a prestação anterior" ou manter-se na primeira divisão, despedem treinadores como se de samba se tratasse, não se pode augurar grande futuro ao futebol nacional.

Pior de tudo, comunicam mal as rescisões com os treinadores, comprometendo a seriedade dos treinadores, como é o caso de Miller Gomes, Pedroto e António Caldas.
Teixeira Cândido

Últimas Opinies

  • 19 de Agosto, 2019

    Como causar impacto atravs do marketing?

    De facto, para que se crie um impacto forte e eficaz através do marketing desportivo, é indispensável que os clubes e federações deem atenção ao formato comunicativo a ser utilizado.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Petro escorregou Vasiljevic j era

    O grande Petro já  atemoriza os seus adeptos em poder continuar a fazer travessia no deserto neste seu “hibernar” sem título desde 2009: empatou mesmo depois de o presidente.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Cartas dos Leitores

    Penso, que não há  muitas alterações  em relação aos candidatos, o 1º de Agosto procura o Penta e o Petro luta para quebrar o jejum de 10 anos, sem conquistar o campeonato.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    Girabola de todos

    Soltaram-se assobios, no último fim-de-semana. Voltou aos palcos nacionais, o futebol de primeira grandeza. Ou seja, o campeonato nacional da primeira divisão, o nosso Girabola.

    Ler mais »

  • 19 de Agosto, 2019

    O segundo pecado da FAF

    A direcção de Artur Almeida e Silva acaba de cometer o segundo pecado, na gestão dos destinos da Federação Angolana de Futebol(FAF). O primeiro, assenta na desorganização que já a caracteriza.

    Ler mais »

Ver todas »