Jornal dos Desportos

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Opinio

Uma seleco coxa sem craques de elite

15 de Julho, 2019
A qualidade dos jogos dados a ver pelos Palancas Negras no CAN do Egipto, mostrou, mais uma vez, que não temos um estilo que nos identifica em termos de estilo de rolar a bola e construir vitórias. E, por esta razão, para não dependermos apenas das valências individuais de jogadores buscados aqui e ali, a Federação Angolana de Futebol, na minha opinião, tem voltar a apostar fortemente nas escolas e selecções de formação, no sentido de termos craques que dominam todo o ABC do jogar à bola.
A tarefa não pode apenas ser dos clubes ou academias singulares, sem o apoio ou incentivo da federação. Tem de haver uma primeira vez - se é que nunca houve - a mão da a Federação Angolana de Futebol. Queremos vê-la a fixar os olhos firmemente no desenvolvimento de um programa de desenvolvimento de futebol robusto, saindo deste \"coxo\" dado a ver pelos Palancas Negras. Já está cansativo ver e ser assim \"coxo\" de ano a ano, de CAN a CAN...
Contratar só hoje ou amanhã um treinador para vir remendar, vir tapar furos e, afinal, nada resultar, é uma atitude que tem de ser esquecida. Urge uma rápida olhada na política de jovens jogadores. Artur Almeida e seus pares, devem dar corpo à instituição de consolidação de uma direcção técnica, que aponte um plano bem elaborado e abrangente, que, se for seguido, pode produzir jogadores de qualidade para o país, para os Palancas Negras.
Só que, como isto não existe, vamos continuar a pensar que, como em tudo, a Federação Angolana de Futebol, ou mesmo Angola, para ser mais claro, dá a impressão que quando o mundo segue um caminho, Angola e a sua federação seguem caminhos diferentes. Assim não dá!
É como se - só para dar um exemplo - na migração digital, quando uns países dizem que nos movemos para a plataforma DVB-T2,Angola segue a plataforma ISDB-T (Serviços Integrados de Radiodifusão Digital), cujas consequências podem ser desastrosas.
E eu considero, como muita boa malta também, altamente desastrosa a participação dos Palancas Negras no CAN do Egipto. De facto, só participaram no CAN; só cumpriram calendário. Não competiram no verdadeiro sentido da palavra!
É caso para dizermos e compararmos, que o futebol da nossa terra - com estes Palancas Negras - embarca de forma atabalhoada para a sua própria \"migração digital\"... mas a Federação Angolana de Futebol tem de fazer a devida correcção, por via de uma visão ou políticas de desenvolvimento do futebol.
Tem de concretizar o reforço de capacidades, sem, com isso, deixar só e apenas o desenvolvimento efectivo dos jogadores para equipas ou clubes. Isso assim é uma anomalia!
Muitos de nós sabemos que todos os jogadores de elite do mundo, são-no graças, também, a desenvolvimentos estratégicos apadrinhados pelas federações dos seus países. Fazem alianças com os clubes. Há exemplos mil pelo mundo fora.
Ninguém pode esquecer, o facto de, por exemplo, ao crescer como refugiado na cidade croata de Zadar, o Luka Modric, o vencedor da Bola de Ouro de 2018, passou pela escola de futebol NK Zadar, que a federação apoiou.
Também Cristiano Ronaldo, que é considerado um dos melhores do mundo, iniciou a sua jornada de futebol no CF Andorinha aos 8 anos, antes de seguir para o Nacional e terminar o seu desenvolvimento no Sporting, seguido sempre pela federação que, anos antes, já tinha parceria com a Academia do Sporting de Lisboa, de onde saíram estrelas como Nani e Luís Figo para se tornarem , como foram, brilhantes jovens jogadores de futebol.
Os vencedores do \"Mundial\" pela Espanha, que dão pelos nomes de Cesc Fabregas, Xavi Hernández, Andres Iniesta, Gerard Pique e Pedro Rodriguez, só para mencionar alguns, são produtos da famosa academia de Barcelona, La Masia, com quem a Real Federação de Futebol tem parceria .
\"The Farmhouse\", como La Masia também é conhecida, é a mesma academia que, com a federação, deu ao mundo e à Argentina um dos grandes nomes do futebol mundial: Lionel Messi.
Um dos jogadores mais caros do mundo, Neymar, é um produto do Santos FC Reserves e da Academy, esta academia que deu ao mundo o Robinho com a federação ao pé. Há igualmente bons exemplos na nossa África.
E se dúvida houver, então a prova dos nove pode ser tirada com Sadio Mane, que actua no Liverpool FC. É produto da Académie Génération Foot no Senegal. A Academia surgiu há quase 19 anos e também produziu nomes como Papiss Cisse e Diafra Sakho.
O mesmo se aplica ao melhor jogador africano do ano e o atacante do Liverpool, Mohamed Salah, que passou pela academia do SC. Academia esta também produziu o médio defensivo do Arsenal, Mohamed Elneny.
As estrelas africanas como Samuel E\'too, John Obi Mikel, Peter Osaze Odemwingie, Kolo e Yaya Toure, Salomon Kalou, Gervinho, Stephane Mbia, a lista é interminável, todas vieram de academias particulares ou de clubes coadjuvados pelas federações.
Portanto são jogadores, são exemplos, que a Federação Angolana de Futebol pode colher. A qualidade de futebol e a classe dos jogadores dos Palancas Negras não bastaram para as \"encomendas\" do CAN do Egipto. Temos de ter uma elite, apostando nos jovens com suporte da federação ou parcerias.
António Felix

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