Jornal dos Desportos

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Opinio

Uma vnia a Rui de Carvalho

12 de Janeiro, 2017
La Liga, em Espanha, Bundesliga, na Alemanha, Brasileirão, no Brasil, Premier League, em Inglaterra, Moçambola, em Moçambique, Liga Sagres, em Portugal, são exemplos de denominações dos respectivos campeonatos de futebol da 1ª Divisão.

Em Angola, o nosso principal campeonato nacional de futebol é mundialmente conhecido por Girabola. É sem dúvidas uma denominação bonita e agradável de ser pronunciada. Traz-nos à mente, a imagem de uma bola a circular ou a girar de pé para pé, nos nossos relvados.

O termo Girabola foi cunhado por Rui Óscar Silva de Carvalho, antigo ministro da Informação de Angola, depois de ter sido director-geral da Rádio Nacional de Angola por vários anos, falecido em 1998.

Radialista, exímio profissional competente, e homem de soluções, Rui de Carvalho é uma espécie de modelo na profissão que engrandeceu, dignificou e valorizou. Foi um homem de criatividades sem limites, e enquanto vivo, fez da R.N.A a grande instituição que é hoje.

Ao lado de Manuel Berenguel e Francisco Simons, Rui de Carvalho foi dos poucos profissionais que soube usar o dom da voz que o Criador lhe deu, para levar bem alto o desporto angolano, com destaque para o futebol com os seus relatos monumentais.

Nos II jogos da África Central, o primeiro grande acontecimento desportivo em Angola depois da independência realizado em 1981, Rui de Carvalho, que possuía uma lavra cheia de ideias, fez uma grande publicidade do acontecimento e a sua voz fez eco em África e no Mundo.

Com grande conhecimento sobre desporto, criou "slogans", tanto de índole politico como desportivo, com destaque ao famoso “ Sonangol: o nosso petróleo vai muito longe” no Mundial de futebol em 1982 realizado em Espanha.

Foi ele quem leu o comunicado do Bureau Politico do MPLA, por altura da morte de António Agostinho Neto, no dia 10 de Setembro de 1979, às 13 horas. O país parou. Até hoje, quando se houve o hino nacional na RNA, em horas noticiosas, o coração de muitos que ouviram o comunicado, bate forte…

Por tudo que fez em prol do jornalismo falado em Angola, podemos considerá-lo como um alicerce onde grandes vozes da comunicação social ligados ao desporto foram construídos.

Profissionais como Mateus Gonçalves, Manuel Rebelais, João Carlos, Vaz Kinguri, José Kissanga e outros que falam de futebol ou outra modalidade desportiva, clara e inteligivelmente, directa ou indirectamente, beberam de Rui de Carvalho e de outros monstros do jornalismo falado da Rádio Nacional de Angola.

Até aos dias de hoje, a maior parte dos profissionais do jornalismo falado especialmente na área desportiva com destaque para o futebol, inspiram-se em discípulos de homens como o Rui.

Estamos certos de que outros nomes e vozes vão surgir com o passar dos tempos, mas aqueles que ouviram Rui de Carvalho falar do desporto e do futebol em particular, jamais se vão esquecer da voz colossal.

O homem contagiava a nação quando gritasse golo da selecção nacional. Na véspera de um dérbi, 1º de Agosto - Petro de Luanda, quando fosse Rui de Carvalho a pivotear a tarde desportiva, era sem igual.

Com o indicativo de tarde desportiva ao fundo, Rui de Carvalho fazia breve histórico dos jogos entre as equipas, falava da capacidade (altos e baixos) da equipa da arbitragem, do currículo dos treinadores, enfim… ele fazia os ouvintes “verem” o jogo pela rádio.

Ao cunhar o termo Girabola e não só, Rui de Carvalho deu grande contributo para o desenvolvido do futebol angolano. Assim, a família do futebol nacional está mais uma vez ansiosa e na expectativa do inicio da 38ª edição do Girabola agendado para o dia 11 de Fevereiro.

Seguindo o exemplo de Rui de Carvalho, os profissionais do jornalismo falado e não só, prweparam-se para que desde o início até ao fim de mais um Girabola, as imagens sonoras entrem nos lares de todos os que gostam do futebol doméstico
Assim, consideramos que o “padrinho” do Girabola merece uma vénia da família do futebol Angolano.
Augusto Fernandes

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