Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Uma vergonha para o futebol

25 de Outubro, 2018
A História está ser contada de novo. Era uma vez: corria o ano de 1983, a formação petrolífera, às ordens de António Clemente e com unidades da igualha de Jesus, Lufemba, Chico Afonso, Sumbo, Dico, Makuéria e demais, vivia a sua época de ouro, quando Dionísio Rocha puxou da sua veia poética e musicou o \"na hora da verdade, ninguém segura o Petro\".Na sequência da disputa da Taça dos Clubes Campeões Africanos, bem sucedidos, os petrolíferos quando se preparavam para franquear as portas das meias-finais, tinham como adversário o na época não menos temível Canon de Yaoundé. Depois de um empate sem golos na primeira-mão, em Luanda, tudo apontava para uma vitória nos domínios do adversário.
Na verdade, o \"tricolor\" nas duas semanas que intervalam um do outro jogo, trabalhou determinadamente para passar a eliminatória. O jogo, disputado no Amadou Adjou, foi bastante renhido. A dez minutos do fim, as equipas estavam empatadas a duas bolas, com sinal (+) para o campeão angolano. Phelix Baya, zairense de nacionalidade, e um dos árbitros mais “carrulas” da época, viria deitar para baixo o sonho petrolífero.
Ao castigar uma falta, que só os seus olhos enxergaram, num estádio que rebentava pelas costuras, assinalou com toda a cara de pau, como se diz na gíria, uma grande penalidade contra o Petro de Luanda, na que ficou catalogada como a maior golpada que sofreu por esta África. Ao \"episódio Baya\", seguiram-se outros, que embora não tão escandalosos, penalizaram sempre o nosso futebol, se não a nível de clubes, a nível de selecções.
Por exemplo, para quem não sabe, Angola podia jogar o primeiro Campeonato do Mundo, 20 anos antes. Ou seja, no México em 1986. Nas qualificativas para essa edição, os Palancas Negras, ao tempo de vedetas como Napoleão, André, Sarmento, Eduardo Machado, Santo António, Ndunguidi, Chico Afonso, Makueria, Jesus, e outros, chegaram à última eliminatória que disputaram com uma Argélia, com fortes pergaminhos no futebol africano.
O empate nulo, verificado nos primeiros 90 minutos, em Luanda, permitia acreditar na possibilidade de destilar o perfume do nosso futebol, nos relvados da Cidade do México, Juárez e Guadalahara. Porém, em Argel, o homem do apito negou a Angola o passe de qualificação. Os angolanos precisavam de apenas um empate com golos, para o apuramento. Perderam, por 3-2, mas chegaram a empatar 3-3, com golo de Makuéria, anulado sem mais nem quê.
Em resumo, vem de longe o castigo do nosso futebol, pelas arbitragens africanas. Mais de 30 anos depois dos acontecimentos narrados, era suposto que as coisas tivessem evoluído, positivamente. Era suposto os homens viverem o futebol de forma desapaixonada, e valorizá-lo como actividade social, em que os resultados são produzidos na quadra, em função do capital competitivo dos intervenientes, e não fabricados como produto de laboratório.
O 1º de Agosto tinha tudo para atingir a final. Foi obrigado a assumir o peso da desqualificação, tão só, porque o árbitro não fez o seu papel como devia. Vestiu a camisola do adversário e jogou contra. E, não há memória, de equipa que um dia conseguiu impor-se perante uma arbitragem casmurra e tendenciosa.
A direcção do clube recorreu à Confederação Africana de Futebol, mas é minha convicção, que há-de dar em nada, porque a própria estrutura máxima do futebol no continente, há muito que assume um certo proteccionismo para com alguns, numa listagem em que Angola jamais constou. O que aconteceu em Radès, em pleno Século XXI, não tem outro nome. É uma vergonha... Matias Adriano


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