Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Uma vitria que seria justa

11 de Abril, 2017
Na semana passada escrevi neste espaço que o jogo grande da nona jornada que colocaria frente à frente petrolíferos e militares da capital do país poderia ditar alteração na classificação, independentemente do resultado, pois entravam nas contas o resultado que o Sagrada Esperança havia de obter. Nesta linha, dito e feito, os diamantíferos da Lunda Norte, para além de igualarem pontualmente os petrolíferos da capital, trataram de os desalojar da segunda posição, beneficiando dos números globais.

Entretanto, o assunto de hoje é mesmo o jogo grande da nona jornada, ou seja o Petro versus D’Agosto, que mais uma vez saldou-se num empate nulo, elevando para 22 o número de vezes que nenhuma das contendoras consegue levar de vencida o adversário. Em 73 jogos realizados entre si, a diferença de vitórias entre petrolíferos e militares cifra-se em nove favoráveis para tricolores, por si só, um indicador que, de facto, o Petro continua a mandar no D’Agosto, conforme sugestão do confrade António Félix.

Significa que, num primeiro momento, para que o Petro deixe de mandar no D’Agosto, este deve anular uma diferença de nove derrotas, das quais as mais dolorosas continuam a ser os 6-2 e 6-0, consideradas como âncoras dos aficcionados tricolores. Num segundo momento, a glória dos militares sobre os petrolíferos só será efectivamente sentida quando, a nível do número de títulos de campeão do Girabola, a galeria do Rio Seco estiver recheada que a do Catetão, anulando-se a diferença de 5, ou seja, 15/10.

Os números atrás citados terão sempre a sua razão de referência, quando o assuntoem abordagem tiver como base o jogo de cartaz protagonizado pelo 1º de Agosto e o Petro de Luanda, conforme aconteceu no último sábado, em jogo pontuável para a nona jornada do Girabola Zap.

E bom seria que, de facto, fossem aduzidas positivamente referências ao fair play, à exemplo do que ocorreu no jogo do fim-de-semana e que mereceu aplausos gerais, pois ficou ratificado que, apesar das diferenças, é possível conviver-se em fraternidade desportivamente falando.

Pessoalmente, registei com agrado, o momento em que dois adeptos trocaram as camisolas, num elevado exercício de demonstração e apelo ao fair play, enquanto divisa valorativa do mundo desportivo, para além da excelente acção de marketing desportivo, que deve ser cada vez mais aprimorado.

Quanto ao jogo em si, e aproveito responder a “provocação do Zédocas”, rendo-me à superioridade do Petro de Luanda, e vou mais longe dizendo que, uma eventual vitória dos comandados de Beto Bianchi, em nada me entristeceria, afinal do ponto de vista competitivo, foram e estão mais fortes que o adversário.

Aliás, prova o que se disse acima, o facto da equipa do Petro manter a estrutura óssea do ano anterior, e estar agora num processo de consolidação dos sistemas que, quando interpretados na plenitude, poderão dar os resultados que se esperam, que passam pelo regresso às conquistas de títulos.

O mesmo não se pode dizer do 1º de Agosto que, para além de não contar com as suas mais-valias das últimas épocas, no caso Ari Papel e Gelson, apresentou-se com uma equipa com poucos pergaminhospara o que melhor a massa associativa pretende, que é a revalidação do título.

E sendo assim, despido da paixão que nutro pelo 1º de Agosto, obrigo-me a dizer que uma eventual derrota dos militares, no jogo de sábado, ficaria muito bem felicitar o Atlético Petróleos de Luanda, titulando o meu escrito da seguinte forma: “ Uma vitória que seria justa”.Carlos Calongo

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