Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Uma vnia aos heris do 4 Fevereiro

06 de Fevereiro, 2020
Nos dias 4 e 5 do corrente mês, os angolanos, de Cabinda ao Cunene e na diáspora, comemoraram duas das mais importantes efemérides da história do País, designadamente, o início da Luta Armada de Liberação Nacional e o 10 aniversário dapromulgação da Constituição da República, enquanto maior instrumento de legislaçãoque a Nação possui. As datas referidas promoveram valores de soberania, reflectidos na existência de umainsígnia, uma bandeira, um Hino Nacional, tidos como símbolos maiores da nossaPátria, com respaldo de forma suprema na Constituição de 5 de Fevereiro de 2010, queguia toda a acção legal de Angola.
Vivemos, hoje, com o estatuto de um povo independente, livre e soberano, fruto dodestemido esforço dos compatriotas que se doaram à gesta patriótica que culminoucom a Independência Nacional, proclamada aos 11 de Novembro de 1975 e que custoua vida de muitos dos melhores filhos da pátria.
Em vésperas das datas citadas, tenho cultivado o hábito de escrevinhar algo, comotributo aos verdadeiros heróis da saga que tornou. Angola um país soberano, cujos artífices de tão importante acto merecem o eterno agradecimento de todos que usufruemdos proventos da liberdade. Neste Fevereiro, pelo valor da data, retomo parte de um texto já aqui publicado, comvaliosas memórias, sendo uma delas a que me remete à imagem do meu progenitor,vestido da farda negra, típica dos sobreviventes do 4 de Fevereiro, saindo de manhã paratrabalhar no Comité de Acção, sito no bairro Adriano Moreira, ao Cazenga.
No referido bairro, vai resistindo um campo de futebol, dos muitos que o Município do Cazenga teve e viu “morrer”, ante o silêncio impávido e sereno de quem de direito, assim como foi com o campo do Marco histórico 4 de Fevereiro.
Por estas e outras boas memórias, penso existirem razões objectivas para que me sinta vangloriado com e pelos heróis de 4 de Fevereiro, sendo este um marco importante para tudo o resto que Angola veio a conhecer e viver. O desporto, porém, como ente social de referência obrigatória, não pode estar dissociado das conquistas promovidas pelos heróis do 4 de Fevereiro. Aliás, é tanto o valor do 4 de Fevereiro que ficaríamos todos bem na fotografia, caso a Super Taça em futebol voltasse a ser disputada no referido dia, e que o Ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, ou o da Administração do Território, fosse um dos convidados de honra do jogo em causa. Para não variar, a conhecida Rainha do 4 de Fevereiro, Engrácia Cabenha, por ser a única “menina” do grupo dos heróis do 4 de Fevereiro, fosse, igualmente, convidada a prestigiar o espectáculo com a sua presença e quiçá, participar da festa com a entrega demedalhas aos intervenientes.
Isso, representaria uma homenagem profunda aos heróis do 4 de Fevereiro, sendo que
ao ritmo em que a natureza fosse cumprindo o seu papel de os retirar do mundo dos vivos, outros familiares directos fossem substituindo a presença, em forma também de eternizar o nome e feitos dos heróis de 4 de Fevereiro, à quem devemos sempre dar honras e glórias.
Este tributo apresentado, em forma de proposta, elevaria o sentido da data, que para além do formalismo da sua comemoração, pouco ou nada mais há que se lhe diga, ao ponto de ser diminuída, ou seja, apenas é recordada uma vez por ano, com acções muito ínfimas, o que não reflecte o simbolismo que representa.
Quem de direito é chamado, portanto, a gizar a melhor proposta desportiva que aglutina o desporto ao valor da Luta de Libertação Nacional, que a par da Independência Nacional são das mais importantes datas. Carlos Calongo

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