Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Unidos volta dos Palancas Negras

10 de Agosto, 2017
Os Palancas Negras estão a 180 minutos da teceira presença numa fase final do CHAN. Depois de 2011, no Sudão, onde conseguiram a medalha de prata, como resultado do segundo lugar, e em 2016 foram afastados logo na primeira fase, a Selecção Nacional tem de ultrapassar o Madagáscar para receber o visto de entrada no Quénia, país que vai organizar a prova em 2018.

A tarefa do combinado nacional não se adivinha de fácil execução, face ao historial dos jogos entre as duas selecções. Um historial nada favorável aos Palanacs Negras que nos quatro jogos disputados até aqui, perderam um, e consentiram três empates. O primeiro frente a frente entre as duas selecções aconteceu em 1990, em pleno Estádio da Cidadela. Nessa altura, os prognósticam indicavam que os Palancas eram favoritos, logo saiam do Estádio confortados com a vitória, porém, os malgaxes acabaram por surprender tudo e todos, venceram por 0-1.

No quarto encontro disputado o ano passado no Estádio11 de Novembro, 26 anos depois, Angola foi novamente incapaz de vencer o Madagáscar. O resultado fixado em 1-1 diz bem das dificuldades que o “Onze” Nacional encontra sempre que tenha pela frente a selecção malgaxe.

Está na hora de inverter o quadro. Pelo que acompanho, a Selecção Nacional está preparada. Os primeiros 90 minutos da derradeira eliminatória vão ser disputados na cidade de Antananarivo, no domingo. Isto para dizer, que o desfecho pode ser resolvido no Estádio 11 de Novembro, uma semana depois.

Os Palancas Negras têm de abordar o jogo de peito aberto, para alcançarem um resultado que não comprometa as suas apsirações e as de todo o povo angolano, que vai estar unido em prol da Selecção Nacional.

Penso, que Beto Bianchi não deve assumir o favoritismo na partida. Deve destacar a lição estudada, para um jogo em que as cautelas defensivas serão um bem necessário, controlar o ritmo de jogo e gerir um resultado que não comprometa as suas ambições, com base numa organização eficiente.

O que os Palancas Negras vão encontrar em Antananarivo, é um adversário que tem a lição estudada, e deve ter a intenção clara de jogar para uma vitória folgada. Vai chatear, defender, e aproveitar alguma desatenção da nossa selecção.Regressar de Antananarivo com um resultado animador seria o primeiro passo para sonhar com o Quénia/2018, o que seria excepcional devido às dificuldades que sempre encontramos diante dos malgaxes.

Construir uma estratégia vencedora é um trabalho duro, que requer das pessoas envolvidas muita dedicação. Estou convicto, que os jogadores escolhidos para a “Operação” Madagáscar têm a força anímica necessária e estão precavidos, para todos os cenários possíveis. No fundo, é isso, que todos os angolanos esperam.

Para além de antever com optimismo uma possível vitória de Angola no conjunto dos 180 minutos, é bom não esquecer que vamos jogar com a selecção do Madagáscar com os mesmos propósitos. Um adversário que tudo vai fazer para manter a supremacia nos jogos entre as duas selecções.

Sobre Beto Bianchi pesa muita responsablidade, mas também muita e boa matéria para construir uma equipa capaz de justificar às expectativas de todos os angolanos, que estarão atentos do primeiro ao último minuto, ao desenrolar dos acontecimentos. Aliás, com conhecimento e independência, com desportivismo e com capacidade para ouvir, aprender e incluir, sem se fecharem em qualquer “pirâmide,” e sem preconceitos de “castas” que são fantasias irresponsáveis, os treinadores e dirigentes devem potenciar o contraditório, sem unanimismo anquilosado e muitas vezes hipócrita.

O futebol é isso mesmo: procurar melhorar, ultrapassar obstáculos, transformar dificuldades em soluções, com muito empenho, muita dedicação e muito esforço. Se os Palancas Negras souberem conciliar todos os ingredientes, regressaremos de Antananarivo com um resultado que mantenha o sonho de Angola de estar presente, pela terceira vez, numa fase final de um CHAN.
Que o jogo de domingo seja preparado com qualidade, envolvimento e sabedoria, para que possa constituir um marco exemplar de transparência e de prestígio. Angola e o futebol nacional no seu todo merecem sempre mais.
Policarpo da Rosa

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