Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Uns jogavam outros roubavam

19 de Setembro, 2017
Para aquilo que é o exercício jornalístico de emissão de uma opinião sobre o jogo grande da 24ª jornada, que colocou \"face to face\" os dois emblemas mais titulados de Angola, no que se refere ao futebol e, curiosamente, ao basquetebol, penso termos dito o essencial, na pretérita terça-feira, 12 de Setembro.

Pelo mesmo espírito, talvez, o meu companheiro de caneta, António Félix, terá questionado a oportunidade da abordagem do assunto pouco mais de 24 horas após o término do referido jogo, ao que em parte nos obrigamos a concordar com ele, por razões óbvias, dentre elas a actualidade, enquanto valor jornalístico.

Se quanto a isso estamos conversados e por que até existem outros assuntos suculentos para o menu desta terça feira, a exemplo da paupérrima campanha do cinco angolano no africano de basquetebol sénior masculino ganho pela Tunísia, tecnicamente liderada pelo nosso conhecido Mário Palmas, então por quê trazer à ribalta, outra vez, aspectos de um jogo que até já figura nos anais da história?

A resposta vem em função do furto de viaturas ocorridos no parque de estacionamento do Estádio 11 de Novembro, no dia do jogo, o que por si configura um assunto de elevada preocupação, cujas repercussões vão muito além da fronteira dos aspectos desportivos.Os números, por aquilo que é do meu conhecimento, divergem de acordo as fontes, entre 11 e 13 viaturas roubadas num só dia, ou para sermos mais precisos, no espaço de tempo que durou o jogo, na base de 90 minutos regulamentares aos quais foi adicionado o tempo que o árbitro entendeu ser necessário para compensar as neutralizações.

Contas rápidas, na base de 90 minutos e 11 carros, caso fosse obra de apenas um indivíduo, conclui-se que o larápio precisou, em média, pouco mais de oito minutos para a prossecução dos seus objectivos macabros, num exercício de ida e volta, pelo menos de, ao ponto de destino.

Compreendendo não ser isso possível, (salvaguardando a hipótese sempre presente nas realizações humanas, daí os recordes), conclui-se, com alguma facilidade, que o acto foi obra de uma bem orquestrada operação, em que os seus actores tiveram todo o tempo do mundo para o efeito.

Chegados aqui, há que cobrar responsabilidades à quem é atribuída a tarefa de garantir a segurança no recinto que, para os demais efeitos de segurança, vai para além do tapete verde em que os artistas da bola desabrocham o perfume e charme do potencial futebolístico, para a alegria da plebe.

Mais do que meras reclamações que devem avançar para o fórum policial ou criminal, o assunto requer uma análise profunda, considerando não ser possível atribuir-se mérito aos marginais, porquanto, como recomendam os manuais de realização de eventos desportivos, a segurança é um dos elementos fundamentais, sendo que ela inicia à largos metros do local, para não falar-se do momento em que ela é pensada, para contrapor eventuais desvios.

Apesar de não estar por dentro dos termos que regularam a organização do jogo em causa, sou de opinião que instituições como a Polícia Nacional, no alto da sua missão, deve ser instada a pronunciar-se na eventualidade da realização de um inquérito profundo para se aferir responsabilidades.

Até por que, em última instância, não existe nenhuma outra instituição à quem cabe a responsabilidade da manutenção da ordem e segurança públicas, quanto mais não fosse num recinto, também ele público, e de grande afluência, quanto mais num dia em que jogaram entre sí, as duas maiores equipas de Angola.

Imaginemos a intensidade como os angolanos vivem a festa do futebol, depois da derrota da sua equipa, não encontrar a viatura do local em que deixamos!..Claro está que, cria-se um impacto daqueles, capazes de provocar a contracção de um acidente cardio-vascular (AVC), vulgo trombose, com elevada probabilidade de adiantar a morte, pelo simples prazer de assistir ao jogo de futebol, ao vivo, fazendo-nos deslocar com a viatura pessoal.

É imperioso um posicionamento firme de quem de direito, até para evitar que hábitos do género façam lei e elevem o afastamento do público dos recintos desportivos, empobrecendo ainda mais a beleza do espectáculo que, diga-se de passagem, em termos de execução técnica, deixa muito a desejar.
Carlos Calongo

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