Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Urge aproveitar o sol e valorizar a chuva!

22 de Maio, 2017
Por ser uma área pouco aproveitada, por demais desvalorizada, e com projectos incipientes e residuais para explorá-lo, Angola precisa de quadros capazes para não só dar impulso ao marketing desportivo, bem como através dos mesmos proporcionar um comprometimento e envolvimento para uma área que exige muita arte, em termos criatividade, imaginação e emoção, e muito “jogo de cintura” em termos de cientificidade, levando em conta a nossa realidade, adaptando-a ou ajustando-a, há uma melhor compreensão dos fenómenos mercado lógicos e da complexa dinâmica do mercado.

Não bastará termos muitas ideias, muitos pensadores, porque as reflexões já foram feitas e são por demais conhecidas (para o efeito, basta o caro leitor sintonizar a Rádio 5, todas as quintas feiras, e acompanhar o programa Marketing e Novas Tecnologias, entre ás 18h40 até por volta das 20h00) para perceber, que se calhar esta na altura de deixar de pensar e começar a fazer.

Um exemplo prático de como, andamos a desaproveitar o “sol” e a desvalorizar a “chuva” (entenda-se, a razão de não se perceber, o porque da quase inexistência do marketing desportivo em Angola) é o campeonato nacional sénior masculino de basquetebol, que tem o “naming” de BIC Basket, uma marca cujos produtos e serviços não são ainda visíveis na dimensão desejada, sendo um contra senso, a julgar pelas emoções e paixões que os respectivos jogos proporcionam, principalmente nesta fase em que a competição encaminha-se para o seu final.

Afinal, se existe um patrocinador que dá nome á prova, mas não se vê nos campos e nos órgãos de difusão massiva uma grande activação das marcas, por meio de produtos e serviços, bem como através de um grande impulsionamento proporcionado pela publicidade, como se vai tirar a maior rentabilidade, visibilidade, notoriedade e por inerência maior satisfação dos consumidores desportivos, para uma modalidade que já granjeou prestígio no continente e “serviu para apresentar Angola ao mundo”, como defendia orgulhosamente há alguns atrás, o “nosso astro” do basquetebol Jean Jeaques da Conceição, referindo-se a participação de Angola, no Campeonato do Mundo de basquetebol sénior masculino, Espanha /86? Por que razão não se divulga muito mais a modalidade e o seu patrocinador oficial, de uma forma geral, por via da criação de produtos de merchandising, como t-shirts e chapéus, além de se poder criar incentivos, como cartões e pagamentos por via bancária por parte dos adeptos, sócios, simpatizantes e toda a massa associativa desportiva, sorteio nos campos e promoção dos eventos que envolvam as várias franjas da sociedade?

Sem procurar ferir sensibilidades, a ideia que se passa é que temos um campeonato com designação de BIC Basket, ao invés da marca BIC Basket, porque é gritante a inércia no que toca a activação das marcas, quer seja dos clubes bem como do patrocinador oficial. Felizmente, sempre fiquei com a ideia de que quando não há uma boa, para não falar em excelente, estrutura de marketing desportivo, significa que não se consegue criar vários serviços e produtos para satisfazer os consumidores desportivos de forma sustentada, e não se consegue também catalisar novos investimentos, empregos e mais importante, nunca se agrega valor as marcas envolvidas!

Por vezes até chego a compreender, por que razão os nossos poucos clubes desportivos no país chegam a ter uma política pobre e fraca de marketing, como o 1º de Agosto, Petro Atlético de Luanda, Interclube, Kabuscorp do Palanca, Recreativo do Libolo, Progresso do Sambizanga e Recreativo da Caála, só para citar estes, não pelo facto de não ser visível, mas sim por não se levar em conta que o BOM marketing como ciência e arte têm um aspecto importante, que é o de gerir recursos disponíveis, não permitindo porém que os recursos limitem as decisões, mas fazer com que as decisões façam os recursos quer seja humanos, de infra-estruturas, a gestão e a consolidação da imagem de uma marca desportiva, como seu real activo nos negócios, cumprir na totalidade aquilo que é assinado nos contratos, como é o caso de quem paga para aparecer, e assim por diante para poder maximizar os respectivos proventos!

Mais, com a actual situação financeira cada vez mais adversa, poderá surgir uma luz no fundo do túnel, dando espaço para se aproveitar e valorizar o marketing desportivo em Angola. Esperando que se ocorrer, não siga o caminho inverso ao título sugestivo deste artigo, da espécie: “Faça chuva ou Faça Sol, agora temos que ter marketing desportivo”.*GESTOR EXECUTIVO DO FÓRUM MARKETING DESPORTIVO
*NZONGO BERNARDO DOS SANTOS

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