Jornal dos Desportos

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Opinio

Vale a pena continuar a acreditar nos nossos representantes?

12 de Dezembro, 2019
A caminho da terceira jornada, os dois representantes angolanos na fase de grupos de Liga do Campeões Africanos, continuam a decepcionar. Na primeira jornada, os militares perderam dois preciosos pontos na recepção aos zambianos do Zesco United, enquanto os petrolíferos foram goleados por três bolas a zero em casa do Mamelodi Sundowns da África do Sul.
Na segunda jornada era de esperar que, pelo menos, o 1º de Agosto, conseguisse um ponto na sua deslocação ao Egipto diante do Zamalek local, mas acabou derrotado por duas bolas a zero. O Petro, a jogar em casa, tinha a obrigação de vencer o USM da Argélia, mas não passou de um empate a uma bola, depois de estar a perder.
Pelo que vimos nos dois jogos dos nossos representantes no último sábado, podemos dizer que faltou atitude competitiva e honradez aos nossos jogadores, pois este tipo de competição não se compadece com fraquezas ou limitações do género. Quem chega nesta fase está entre as 16 melhores equipas de África, o que por si só diz tudo.
É verdade que temos de reconhecer, que em termos de ranking, tanto da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), como da Confederação Africana de Futebol (CAF), o nosso país está abaixo das demais equipas, que constituem os grupos em que os nossos representantes se encontram. Por exemplo, no grupo do 1º de Agosto, composto por TP Mazembe da República Democrática do Congo (RDC), Zamalek do Egito, e o Zesco United da Zâmbia, a nossa equipa é a mais modesta.
O mesmo acontece no grupo em que o nosso Petro está inserido com USM da Argelina, Wydad Casablanca do Marrocos e o Mamelodi Sundawns, da Africa do Sul. Entretanto, este pormenor não necessariamente deve determinar os resultados. É necessário haver atitude competitiva e guerreira, que se consegue quando o jogador tem auto-estima.
Foi com este tipo de atitude, que estas mesmas equipas que nos estão a representar já chegaram a meias-finais da referida competição. Não nos esqueçamos que ainda na década de oitenta, se a memória não me atraiçoa, em 1984, o Petro foi a Yaoundé e colocou de sentido o Canon local, e só não foi mais longe na mesma prova, porque um senhor chamado Mbaya, fez exactamente o que o arbitro zambiano Chikazwe, fez ao 1º de Agosto, em 2018 na Tunísia, a favor do Esperance de Túnis.
Por isso, em minha modesta opinião, não está em causa a qualidade dos nossos jogadores. Na realidade na maior parte dos casos, os nossos fracassos são o fruto da ausência de profissionalismo dos nossos atletas e dirigentes em alguns casos. Um outro exemplo foi quando o 1º de Agosto desperdiçou a soberana oportunidade, que um clube angolano teve de conquistar a primeira Taça Africana, para o país em 1999 em pleno Estádio da Cidadela, diante do Esperance de Túnis.
Naquela época os militares, contavam com um “jogador” e vice presidente do clube chamado Ambrósio Narciso, que sabia jogar muito bem fora das quatro linhas. Sim, “jogadores” como Totoy Monteiro, Justino Fernandes, Armando Augusto Machado, Rui Campos e outros, fazem falta a qualquer equipa.
Quando digo, jogadores que sabiam ”jogar muito bem fora das quatro linhas”, pretendo dizer, dirigentes que sabiam motivar os seus jogadores e como enfraquecer o adversário. Isto é assim em todo o Mundo. Em parte é um pouco disto, que as nossas equipas precisam. Tem sido com este tipo activos, que os grandes clubes ganham as competições em que estiverem envolvidos. Em função do comportamento dos nossos representantes até agora, será que vale a pena continuarmos a acreditar neles? Para responder a esta questão tínhamos de, em primeiro lugar, saber qual é o objectivo supremo dos dois emblemas nesta competição. Pessoalmente não ouvi nenhuma declaração oficial dos dois clubes, com relação aos seus objectivos nesta competição.
Mesmo assim, não acredito que tenham intenção de ganhar a Liga dos Campeões de África. Por isso se ambas equipas chegarem a fase do mata-mata, já seria muito bom para nós. Mas temos de ter em mente o calendário dos próximos quatro jogos dos nossos dois representantes. O 1º de Agosto joga na terceira jornada em casa contra o TP Mazembe. O Petro vai a Marrocos jogar contra o Wydad de Casablanca. Na 4ª Jornada, os militares vão a Lubumbashi, enfrentar o TP Mazembe, o Petro recebe o Wydad. Na 5ª jornada, o Zesco, recebe o 1º de Agosto e o Petro defronta o Mamelodi, no 11 de Novembro e finalmente na 6ª e ultima jornada, o 1º de Agosto recebe o Zamalek e o os petrolíferos irão a Argélia.
Neste momento, em dois jogo realizados, os nossos clubes ocupam a ultima posição dos seus respectivos grupos. O 1º de Agosto tem um ponto, um golo marcado e três sofridos. O Petro soma um ponto, um golo marcado e quatro sofridos.
Em função deste quadro, prefiro guardar o meu palpite para mim mesmo. Quem quiser acreditar ou confiar no seu clube de coração que o faça. Mas de uma coisa podemos ter certeza: os nossos representantes terão de suar bastante a camisola e “comer muita relva”, se quiserem chegar o mais longe possível nesta competição. Augusto Fernandes

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