Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Valentes rapazes

16 de Junho, 2015
A Selecção Nacional de futebol fez o que competia sábado, no Estádio da Tundavala, no Lubango, diante da similar da República Centro Africana (RCA): vencer o jogo da ronda inaugural do Grupo B das eliminatórias de apuramento ao Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2017, no Gabão.

Os pupilos de Romeu Filemon foram valentes no confronto, impuseram uma goleada de 4-0 aos centro -africanos, que nunca viraram a cara à luta e curiosamente alinharam com um naipe de jogadores, que evoluem todos no estrangeiro.

Gerson, que apontou dois golos (um aos 36 minutos e outro aos 64m), e Dolly Menga, aos 56m, de penalty, estiveram em grande na partida. Aliás, quer o promissor jogador do 1º de Agosto, quer o craque do Sporting de Braga, justificaram a eleição para o jogo.

Aliás, depois de falhar a presença na edição de 2014 da Taça das Nações, realizada na Guiné Equatorial e vencido pela Costa do Marfim, esperava-se uma atitude positiva dos Palancas Negras no retorno a corrida à maior prova do futebol em África.

Os adeptos dos Palancas Negras, há muito revelavam desalento em relação à equipa nacional, pela série de fracassos que estes coleccionaram nos últimos tempos, particularmente em relação ao CAN de 2015 e CHAN de 2014 na África do Sul.

Era importante explorar a condição de anfitriã para consolidar o primeiro triunfo ante um adversário que se prognosticava como de nível inferior, pese embora que os ranking nem sempre justificam supremacia para as equipas mais cotados.

À primeira vista, é sabido que os jogos de eliminatórias são sempre importantes vencer em casa e procurar pontuar no reduto do adversário.
Lembramo-nos, a título de exemplo, da memorável e dupla campanha que Angola realizou para o CAN e Mundial de 2006.

Na altura orientados por Oliveira Gonçalves, os Palancas Negras venceram todos os jogos em casa, numa disputa em que tiveram como adversários as selecções da Nigéria, Argélia, Zimbabué, Gabão e do Ruanda.

Em casa dos adversários, Angola viu os intentos estorvados em Harare, diante da similar do Zimbabué, mas em contrapartida venceu o Ruanda, em Kigali, empatou os restantes jogos da corrida ao Gana e Alemanha, em 2006.

A campanha selectiva ao CAN do Gana e Mundial da Alemanha deve servir de referência para a nova “era” que se espera positiva para os nossos Palancas Negras.

Do mesmo modo, acredito que para o CHAN, uma competição reservada a jogadores que evoluem nos respectivos países, a equipa técnica nacional “arme”a estratégia em que o espírito de vitória se sobreponha a tudo.

É uma competição, em que o Ruanda alberga a fase final da IV edição e de que Angola já foi vice -campeã, razão mais que objectiva para tentar mais uma vez voltar a fazer história, com uma prestação que se espera positiva, irrepreensível, diga-se.

Aliás, penso ser nesta perspectiva que hoje o combinado nacional testa com a similar da África do Sul, que se prepara também para a edição do CHAN de 2016 e CAN-2017.

Para a penúltima eliminatória de apuramento ao CHAN do próximo ano, Angola tem marcado dois jogos com a similar da Suazilândia.
Primeiro desloca-se ao reduto do adversário, em Lobamba, na cidade de Mbabane, a 21 deste mês e 15 dias, ou seja, a 4 de Julho, efectua o jogo de resposta no Estádio 11 de Novembro, a nova catedral do futebol nacional, em Luanda.

Os dois jogos afiguram-se como de capital importância para os Palancas, caso transponha a eliminatória na próxima, na última corrida para o Ruanda, podem cruzar-se com as Ilhas Maurícias ou a África do Sul, com quem testam hoje na Cidade de Cabo.

Como angolano, acredito na capacidade da equipa técnica da Selecção Nacional e dos nossos jogadores, que muitas vezes revelam-se destemidos.

Por acreditar na bravura e na valentia desses rapazes, vaticino uma boa campanha dos Palancas Negras na corrida ao CHAN de 2016, no Ruanda, e CAN do Gabão, em 2017.

Na próxima terça-feira volto a partilhar a rubrica "A duas mãos" com o director Policarpo da Rosa, mas trago à baila, obviamente, outra abordagem sobre o fenómeno desportivo do país. Até lá então!...

SÉRGIO V. DIAS

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