Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Valorizar a competio

17 de Junho, 2018
Não é ainda momento de se lançar um olhar sério e realístico no que que pode vir a ser o resto do Campeonato do Mundo de futebol em termos de disputa e de competitividade pelas vagas qualificativas a posições mais honrosas. Mas, do pouco que nos foi dado a ver, em três dias de competição, já se pode tirar algumas ilações, não muito deslocadas.
O fim da primeira fase do torneio pode, provavelmente, vir a proporcionar algumas surpresas de vulto. A entrega das equipas, nesta primeira jornada, não facilita nos prognósticos. Pois, todas se entregam à disputa com muito estoicismo e combatividade, havendo quase uma espécie de correlação de forças, bem expressa nos resultados que se alcançam ao fim dos 90 minutos.
A excepção do volumoso 5-0 aplicado à Arabia Saudita pela Rússia, no jogo inaugural, em quase todos os outros, os vencedores não foram encontrados com a facilidade de quem procura um copo numa cristaleira. Houve uma luta \"corpo-a-corpo\", em que o vencedor, no fim, acabou por reconhecer valor e capacidade combativa no adversário. De resto, tratando-se de uma fase final do campeonato do Mundo, não podia ser de outra forma.
Olhamos para o quadro de resultados até aqui verificados, e não há como não reconhecer que foram todos jogos que tiveram a particularidade de prender a atenção de quem assistiu ao seu desenrolar, a começar pela desdita dos representantes africanos, Marrocos e Egipto, passando pelo clássico Ibérico e periféricos.
Na verdade, é este equilíbrio de forças na disputa que valoriza qualquer competição desportiva. Vencer jogos com facilidade pode ser bom para os competidores, mas não é para quem se acha na condição de consumidor do espectáculo, no caso o público pagante, sendo que tratando-se de um campeonato do mundo atraiu gente de longe no afã de viver as emoções ao vivo.
Que se aguentem, pelo menos ficou o sinal, as equipas rotuladas por \"colossos\", presentes na prova, e com metas claramente definidas. Não é que tenham este objectivo em risco, mas o curso das coisas indica que para lográ-lo terão que dispor de argumentos capazes de anular a ousadia que parece quererem mostrar equipas que, para alguns analistas da \"coisa desportiva\" sequer entraram alguma vez nas contas, na projecção dos prováveis candidatos.
Quando as equipas se esmeram para que os jogos não terminem em branco, já é bastante salutar. Só quem vive o futebol na alma saberá o quanto é frustrante assistir a um jogo de futebol sem golos. Não é sem razão que o golo é tido como o sal do futebol. Na sua falta o jogo se tona, realmente, insosso e insípido. Diz-se...
Estamos, em boa verdade, perante um torneio que promete disputa e algo mais. Há quem diga que teremos um novo campeão, consagrado pela primeira vez. Disto não se pode duvidar. Pois, o campeonato tem vindo a conhecer muitas mutações nas últimas edições. A \"Lei da continentalidade\" , por exemplo, foi varrida em 2010, na África do Sul, depois de vários anos de revezamento na conquista de títulos, entre Europa e América.
Hoje o Velho Continente dita as regras. A última vez que a América subiu ao pódio data de 2002 na Coreia do Sul e Japão, quando o Brasil de Scolari levou o mundo rendido aos seus pés. Dai para cá deu tudo Europa. Itália em 2006, Espanha em 2010 e Alemanha em 2014. Portanto, nada mais pode surpreender.
Matias Adriano

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