Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Valorizar a gala em detrimento dos Palancas

07 de Dezembro, 2017
Esta é a pura realidade. Quer queiram quer não. Que os responsáveis da FAF reconheçam isso. Mas dificilmente o farão, porque sentem-se donos da razão. Hoje é dia 7 de Dezembro, restam, portanto, 37 dias para o pontapé de saída do CHAN/2018, a disputar-se no Reino do Marrocos, de 13 de Janeiro a 4 de Fevereiro.
Das 16 selecções que estarão presentes na grelha de partida, apenas Angola não tem ainda treinador. Pergunto: isto é admissível? Para mim e para todos os angolanos não é. Talvez seja apenas para os responsáveis da FAF. Em entrevista concedida ao JA e publicada no passado dia 3 do corrente, o seu presidente, Artur de Almeida, reconheceu que o tempo era pouco, face ao aproximar da competição.
“O tempo urge, mas queremos fazer as coisas com calma, para não nos precipitarmos. Estamos a criar as condições, para que dentro de três dias apresentemos o seleccionador”. A verdade é que os três dias já se passaram e nada de treinador. As consequências serão dolorosas para os Palancas Negras, caso Artur de Almeida, no dia de apresentação do novo Pastor, confirme que seja um estrangeiro, como disse ao JA.
Não estou contra a contratação de um técnico estrangeiro, desde que tenha um currículo superior aos da casa e que venha fazer a diferença. Contudo, face aos poucos dias que restam do inicio do CHAN, a minha opção seria que o Pastor fosse um angolano. Por outro lado é voz corrente dizer-se que a FAF tem os cofres vazios. Que os seus trabalhadores têm problemas de salários atrasados. Sendo assim, pergunto: haverá dinheiro para suportar os gastos de um técnico estrangeiro?
É bom lembrar que os gastos com um técnico estrangeiro não se resumem apenas ao seu salário mensal. Há outros gastos, como aluguer de residência; suporte para alimentação; viatura própria, combustível, empregada de limpeza, enfim, uma série de gastos que, nesta época de crise, é preciso acautelar.
Face a toda esta problemática que envolve a não indicação do nome do novo Pastor dos Palancas Negras, a FAF esmera-se na realização da Gala, prevista para este mês de Dezembro e onde se diz estarão presentes futebolistas de renome mundial, para além dos presidentes da CAF e da FIFA.
Não sou contra a realização da Gala. Contudo, acho que deveríamos, primeiro, fazer os nossos deveres de casa. Isto é, termos antecipadamente um treinador e depois engajar-mo-nos para que a Gala se realize com o destaque merecido, de forma a elevar ainda mais o nosso futebol além fronteiras.
E isso, infelizmente, não está acontecer. Priorizou-se a realização da Gala em detrimento da valorização dos Palancas Negras. Porquê? Porque os senhores da FAF querem aparecer! Mentira? È a minha opinião. E de muitos angolanos.
Enquanto a FAF minimiza a indicação do novo treinador da Selecção Nacional, os nossos adversários já estão a trabalhar. E na máxima força. Segundo pesquisa feita pelo colega e amigo António Félix, os Camarões, sob batuta do antigo internacional Rigobert Song, já esboçou o seu programa de trabalho, que comporta duas fases.
A primeira decorre em Yaoundé e a segunda em Rabat, capital do Marrocos, de 2 a 11 de Janeiro, onde pensa efectuar um amigável com uma das selecções presentes na competição. “O titulo é a meta que nos levará a abordar todos os jogos como autênticas finais, para trazermos o ouro para o país”, disse o técnico camaronês.
No mesmo diapasão está o Burkina Faso, orientado igualmente por um técnico da casa, Drissa Malo Traoré, que já disse os seus propósitos. “Vamos ao CHAN jogar futebol de forma profunda. Queremos ser uma equipa sólida, capaz de superar todas as adversidades no plano técnico e táctico e, para isso, requer-se uma boa preparação”.
Infelizmente, a realidade é diferente para os Palancas Negras, que não sabem ainda onde vão pastar e com quem no seu comando. Perante este atraso, urge perguntar a Artur de Almeida e aos seus pares: que objectivos estão delineados para o CHAN/2018? Vamos para competir ou para um mero passeio turístico? A resposta a quem de direito.
POLICARPO DA ROSA

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